AVISO: os posts deste blog podem conter palavrões


+Quem


Vinícius Segalla
Cidadão de São Paulo
nascido em 12/10/78

quer falar alguma coisa ao pé do ouvido? vsegalla@gmail.com; MSN vsegalla@hotmail.com

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quinta-feira, dezembro 07, 2006
 
Julio

Julio, 23, passou seis meses na Inglaterra. Lá conheceu uma norueguesa, Ellen, menina do mundo, curiosa, estava em Londres, tinha estado em Tóquio, em Sidney, em Moscou, em Lima.

Os dois cultivaram uma amizade forte, talvez até mais do que isso, e Julio voltou para casa. Seis meses depois, a amiga veio a São Paulo matar as saudades e olhar o Brasil. Ele era só alegria, queria mostrar tudo. Foram ao litoral, aos bares, aos shows, às feiras.

Em uma noite, voltavam para casa de ônibus, em conversa animada pela bebida e pela alegria sincera que compartilhavam por estarem ali. Entraram quatro garotos no coletivo. Negros, com roupas velhas, sujas, de chinelos, naquele frio. Destoavam demais do resto dos passageiros, a Ellen pareceram recém-desembarcados da África. Entraram pela porta de trás, correndo, sem querer pagar a passagem.

O cobrador ficou bem bravo, "Pode descer todo mundo! Que negócio é esse? Vocês sabem como é o esquema, sempre pegam o ônibus. Entra pela frente e no final pode passar por baixo. Vocês sabem como funciona, não precisa zuar o ônibus!".

Os garotos, o mais novo com uns sete, o mais velho por volta dos 11, tiveram que sair, mas dois se esconderam atrás dos bancos, no chão, que nem dois marginalzinhos. Ficaram lá, encolhidos, até o cobrador sair de sua cadeira e obriga-los a descer e entrar pela frente. Eles continuaram agindo como aliens, gritando, fazendo uma confusão para passar por baixo da catraca, atrapalhando o resto dos passageiros.

Julio olhou o relógio, viu o adiantado da hora e lembrou-se de quando tinha seus onze anos e queria porque queria voltar de ônibus sozinho do colégio, em Cerqueira César, para casa, em Perdizes. Foi um custo para a mãe deixar.

Ellen, perguntadeira, falou, apontando os garotos:
- So, what do you say about all this?

E ele respondeu:
- How can I say anything? I was born rich.


quinta-feira, novembro 23, 2006
 
Estive na av. Paulista no dia em que o Lula venceu a eleição. Quanta diferença em relação a 2002. De 100 mil pessoas, passamos para 5 mil. Ao meu lado, no meio da avenida, no asfalto, estava Delúbio Soares, recebendo abraços e apoios comedidos.

Agora chega de falar de política.


sexta-feira, setembro 15, 2006
 
Eleições 2006

Digitando "ctrl f" nesta página e buscando as palavras "Lula" e "PT" é fácil descobrir quais são minhas tendências políticas e também o quanto eu gosto e me envolvo com o assunto. Se, até agora, eu não escrevi nada sobre a atual eleição, é porque fui, como muitos, abatido por desesperança e desgosto.

Meu votos irão para Heloisa Helena, Plínio de Arruda Sampaio e Eduardo Suplicy. Os deputados ainda não decidi.

Desconsiderando as decepções materiais, porém, sigo firmemente acreditando que a reeleição de Lula é a melhor opção possível que temos. É ainda a corrente de peso mais à esquerda que temos. E em nada deixei de acreditar nesta parte do espectro.

Se me vejo obrigado a seguir apoiando quem já não correspondeu devidamente às minhas esperanças depositadas, não podem ser eles os únicos culpados deste triste quadro.

Somos nós. Todos nós. Não são diferentes os políticos dos dentistas. Não haveria como serem.


segunda-feira, setembro 04, 2006
 
Os Novos Baianos

Fui apresentado à música dos Novos Baianos há cerca de quatro anos. Fui cada vez mais me apaixonando pelo lirismo tão hippie, brasileiro, baiano, sorridente e canábico. Como foi rico o que se produziu em termos culturais nos anos 70. Como me identifico com as idéias da época. Claro que não com todas as idéias da época, as dominantes, as das donas de casa.

De qualquer forma, a (letra da) música que segue abaixo, "Mistério do Planeta", traduz o que sou e desejo ser de uma maneira tão clara quanto jamais fui capaz. E olha que eu já tentei bastante. Dá uma olhada e, se se interessar, conheça o disco (tem na Rádio UOL, por ex) em que ela se encontra, "Acabou Chorare". É lindo, é brilhante. Se a mensagem que ele passa fosse seguida por 30% da humanidade, não sei se seria possível a filmagem de "Cidade de Deus".


Mistério do Planeta

Vou mostrando como sou
E vou sendo como posso
Jogando meu corpo no mundo
Andando por todos os cantos
E pela lei natural dos encontros
Eu deixo e recebo um tanto
E passo aos olhos nus
Ou vestidos de lunetas
Passado, presente
Participo sendo
O mistério do planeta

O tríplice mistério do stop
Que eu passo como sendo ele
No que fica em cada um
No que sigo o meu caminho
E no ar que fez, que assistiu,
Abra um parêntese,
Não se esqueça

Que independente disso
Eu não passo de um malandro
De um moleque do Brasil
Que peço e dou esmolas
Mas ando e penso sempre
Com mais de um
Por isso ninguém vê minha sacola


domingo, agosto 13, 2006
 
Uma mensagem clara, ponderada, aparentemente escrita por advogados, em defesa do estado de direito. Um chamamento para a legalidade, para a observância dos preceitos constitucionais.

A sociedade paulista amargou nesta madrugada de sábado para domingo um puxão de orelha de um bando de criminosos, na maior televisão do Brasil. 3min38s no ar, de graça, no espaço mais caro da mídia do país.

É para se pensar. Eu, particularmente, morri de vergonha.


sábado, agosto 12, 2006
 
Sobre as cenas do próximo capítulo de um post lá embaixo, a situação acabou bem, só as partes boas aconteceram, os ônus mandaram lembranças.


 
Quando fui deixando de escrever neste blog, tinha uma sensação de que já havia dito tudo o que havia se acumulado até então. Tinha coisas a dizer, as disse, e fui naturalmente deixando o blog para trás.

Agora que retomei o hábito, sinto de novo voltarem os temas à minha cabeça, a vontade de colocar as idéias aqui. É verdade que a grande maioria delas vêm e vão sem que eu as registre. Mas há a vontade de escrever, e eu sei que elas voltam, cedo ou tarde, mesmo que mudadas.

Por ora, acabo de assistir ao documentário Vinícius. Muito bom, não uma grande obra cinematográfica, mas um filme sobre um personagem muito interessante e muito bonito, e que consegue retrata-lo satisfatoriamente.

Queria deixar um poema dele aqui, chamado "Balada do Mangue", mas não consegui copiar sem perder a formatação. Se você tem vontade de conhecer, o link tá aqui. É um poema lindo, do início da carreira dele, quando ainda era afeito a eruditismos, mas já desbravava o mundo que o diplomata ordinário não conhece.

http://osoutrosdenos.blogspot.com/2004/08/balada-do-mangue-vinicius-de-moraes.html


sábado, agosto 05, 2006
 
Um livro de mil páginas


Estou lendo "Memórias da II Guerra", de Wiston Churchill. Trata-se de um calhamaço de 1.100 páginas que é meramente uma edição condensada da obra original, editada em quatro volumes e maior do que a Bíblia.

Este homem, figura histórica do mais alto grau, além de ter sido chefe da marinha britânica durante a I Guerra, quando ainda não tinha cabelos brancos, e primeiro-ministro da mesma nação durante a II Guerra, quando não abandonou Londres nem nas noites de mais intenso bombardeio nazista, ainda encontrou tempo e talento para escrever esta obra que foi agraciada com o Prêmio Nobel de Literatura.

Eu, por minha vez, ser condenado ao esquecimento eterno alguns anos após minha morte, me vejo feliz nestes dias porque finalmente encontrei um desfecho para a ficção que tenho em minha cabeça. Apesar de já ter desistido do sonho de ser alguém neste mundo, não deixo escapar o desejo de escrever um romance. E este objetivo tornou-se mais próximo nesses dias.

Para quem conhece um pouco da história (hehe), vai ser assim: o livro será em primeira pessoa, com o Paulo como personagem-narrador. No (anti) clímax, ele vai discorrer sua última ladainha filosófica, anterior à última viagem que fará, de 80 purs. Ele promete que se sobreviver a esta, pára por aí. Mas quem vai parar por aí é o livro.


sexta-feira, julho 21, 2006
 
Classe média, eu?

Sempre reclamo da minha condição profissional: trabalho excessivo, expediente em feriados e fins de semana, estabilidade zero e nenhum benefício trabalhista.

Eis, então, que bate em minha porta uma possibilidade de emprego de segunda a sexta, das 9h às 18h, salário decente, com carteira assinada e em uma sossegada revista mensal.

O que parece tudo o que eu pedi a Deus anuvia-se em minha cabeça como um pesadelo do qual não poderei escapar. Como negar uma proposta desta para permanecer na instabilidade empobrecida em que me encontro, trabalhando que nem louco em uma redação de jornal diário, fazendo matérias free-lancer para complementar a renda?

Por outro lado, como largar as deliciosas cervejas no meio da semana, com direito a saideiras que se estendem madrugada a dentro, o dinamismo de um novo trabalho a cada mês, a satisfação profissional de estar em um veículo da grande imprensa, o impagável prazer de dormir até depois das 10h??

Virarei um exemplar cidadão de classe média? Tributável, endividado na prestação do tão sonhado carro, batendo cartão das 9h às 18h todos os dias da semana? Credo...

Às vezes, a vida nos coloca entre escolhas e renúncias que nos desnorteiam. Estou aberto a sugestões. Aguardemos cenas dos próximos capítulos.


quarta-feira, julho 19, 2006
 
Este blog me parece de alguém muito pedante. Eu não sei, tento registrar nele a minha essência, tento fazer dele o rascunho do que eu penso e sou. Mas ele acaba parecendo um blog pedante.

Pois eu não sou pedante. E eu não falo como escrevo aqui. Mesmo assim, quando eu escrevo, acredito estar sendo o mais próximo possível do que eu sou de verdade.

Claro que são diferentes as formas da expressão falada e da escrita.

... Bom, sei lá, eu só quero dizer que eu não sou pedante, ok? Não me leve a mal pelo jeito que eu escrevo.


segunda-feira, julho 17, 2006
 
A despeito da minha inquestionável falta de talento para a poesia, nesse período que fiquei sem escrever neste blog andei riscando alguns "poemas". Vou te mostrar este aqui, e você promete não dar risada, ok? ...

Ah, que bobagem, ria o quanto quiser.


Versinhos

Em meio ao carvão
busca o diamante
no ruído, o som
no fécio, o fragrante

Agente passivo do próprio viver
Crime e Castigo não vai resolver
Literatura? Ingenuidade!
A Náusea perdura, não muda a verdade

E a vida se esvai
conforme o costume
Do lixo se extrai
Nada mais que chorume

...


P.S. - o que posso dizer neste PS? Acho que não tem mesmo nada mais a dizer, né?


quinta-feira, julho 13, 2006
 
Ataques do PCC

Pelo que venho observando, funciona de modo capilar. Bandidos de cacife anunciam que ataques a autoridades, intalações públicas ou financeiras serão remunerados. A partir daí, adolescentes que devem dinheiro na boca em uma cidadezinha do interior pegam paus e galões de gasolina e cometem atentados (assim, no caso mais extremo).

Defícil de controlar, não? Eu, pelo menos, não enxergo qualquer solução que não passe por "mudanças estruturais em x ou y". Eu começaria tentando retomar o controle e a dignidade do sistema carcerário.

...

Pensamento preso

Mas não tem nada a ver com as prisões de SP


segunda-feira, julho 10, 2006
 
A energia de ativação

Dizia um dia desses a uma amiga que visitava este blog que pretendia voltar a escrever, que só faltava a "energia de ativação" necessária para mudar o quadro inercial. O Shakespeare prova que ela chegou. Uma Itaipu de energia. Bem na minha cabeça.

O difícil é retomar as coisas. As fotos, por exemplo, estão todas quebradas. O Fernando Pessoa, que tão bem ornamentava esta página, já não passa de um xis vermelho. O mesmo para o nome e sobrenome do blog. Quem entrar aqui sem nunca ter estado antes nem vai saber que este é um blog igual a muitos que você já viu.

Paciência, com o tempo vou arrumar tudo. Na sexta à noite tinha conseguido fazer o Pessoa voltar. Se você conseguir enxerga-lo por aqui, deixe-me saber, ok?

De resto, para atualizar um improvável visitante de outrora, eu continuo jornalista, continuo trabalhando demais e continuo odiando esta realidade.

Agora eu estudo direito, estou no terceiro ano e muito interessado nas ciências jurídicas. Não que me interesse pelo trabalho na área, até porque pouco me interesso por qualquer trabalho, a bem da verdade. Mas que é bom ler e entender direito, disso não tenho dúvidas.

Bom, por enquanto é isso. A gente vai se falando.


sexta-feira, julho 07, 2006
 
O que é ter um bom dia?

"Oh, Romeu, Romeu, por que és tu, Romeu?! Renega teu pai e recusa teu nome ou, se não puderes, jura somente pelo meu amor que eu não mais serei uma Capuletto...
Somente teu nome é meu inimigo. Tu não és mais do que ti mesmo, não um Montecchio. O que é um Montecchio? Não é nem mão, nem pé, nem braço, nem rosto, nem qualquer outra parte que pertença a um homem. Oh, sê outro nome!
O que há em um nome? O que chamamos de rosa teria o mesmo cheiro doce se tivesse qualquer outro nome. Então, Romeu, não fosse ele chamado Romeu, reteria essa cara perfeição que possui sem tal título.
Romeu, joga fora teu nome e, com esse nome que não é parte de ti, possua-me por inteira..."

Certamente eu tive um bom dia.


domingo, junho 05, 2005
 
Opa! resolvi escrever de novo. Se vc vinha aqui quando eu escrevia com alguma frequencia, deixe um comentário, por favor, vou gostar de saber.


domingo, outubro 10, 2004
 
Opa. Acho que agora vou voltar a escrever mais neste blog. Não posso afirmar, não sei se vai dar tempo, ou se terei mesmo vontade. De qualquer forma, se vier a escrever mais como estou planejando, os posts serão mais modestos e singelos. Creio que serão basicamente relatos de pequenas experiências e observações.


quarta-feira, julho 28, 2004
 
Escrevi um negócio. Tenho raiva de não conseguir escrever poemas decentes. De qualquer forma, já que ´muito pouca gente entra aqui hoje em dia mesmo, vou postar. Leia por sua conta e risco.

 

ONTEM
E se eu dissesse que não quero esquecer?
Se eu dissesse que simples presenças têm me bastado, se não para a felicidade, para me abalar
de um lado a outro da cidade,
Cedo, à noite ou mais tarde.

E se eu dissesse que nem penso em esquecer? Você diria, esqueça, por favor desapareça? Ou
não diria nada, em nada abalada,
Já é tarde, é madrugada.

Se eu jurasse só a você minha mente, meu sonho mais indecente, minha fé de ateu? Você diria,
bobagem, não quero o que é seu,
A noite acabou, já amanheceu.

Só se eu esquecesse a palavra, não leia esta carta, mal escrita e ingrata. Mas você diria
eu nem li! E se li já esqueci,
Num canto, aqui ou ali.


quinta-feira, junho 10, 2004
 
Opa.

Ontem eu fui numa danceteria aqui em SP de um tipo que há tempos eu não vou enão gosto mais. Foi depois de trabalhar muitas (mesmo) horas, cheguei lá umas 2h da manhã. Estou muito sem dinheiro até o dia 20 de junho, quando eu recebo o salário, e o lugar era bem caro (no final, dei sorte e acabei pagando mais barato).

Ainda assim, gostei muito de ter ido. Tava lotado, quente e o público não era composto pelo tipo de pessoas que eu mais gosto de me relacionar. Mas valeu a pena pelas pessoas que eu já conhecia que eu vi lá. Adorei ter visto essas pessoas. E esse plural só pode ser piada.


terça-feira, abril 27, 2004
 
Quando eu fico muito tempo sem escrever me perco no monte de assuntos que eu gostaria de abordar.

Enfim... Eu assisti Dogville, um filme muito bom que está para sair de cartaz aqui em SP. O final é ótimo, um diálogo excelente que precede um desfecho um tanto cru demais. o filme vale por esse diálogo.

Tanto tempo sem aparecer para escrever isso.. tsc tsc tsc


quarta-feira, fevereiro 25, 2004
 
Vitor e Vitor (sob pseudônimo indicial)


Vitor2 - Como define sua vida?

Vitor1 - Ando e vivo por aí como quem visita um zoológico. Com o olhar da Ciência, arrogante e instrutivo.

Vitor2 - Julga ter toda a Ciência do mundo em seus olhos?

Vitor1 - Não, obviamente. Se assim julgasse, não encontraria razão para observar, estar constantemente a busca de saber aquilo que não sei. O que creio possuir é a vontade e o método, o método científico, Pai de todos, rogai por nós (risos).

Vitor2 - Prefere o método científico à religião, faz notar...

Vitor1 - Tenho minha própria religião e creio mais nela que na Ciência, embora não seja próprio esse tipo de comparação. Perceba ainda que o que chamo de religião em muito pouco se parece com os significados mais comuns desta palavra.

Vitor2 - Mas acredita em Deus?

Vitor1 - Se tivesse que apostar, diria que não existe nada próximo às imagens que se tem de Deus.

Vitor2 - É materialista?

Vitor1 - Materialista histórico.

Vitor2 - Marxista?

Vitor1 - Não-praticante.

Vitor2 - Pode explicar melhor?

Vitor1 - Não posso acreditar em determinismos imutáveis, fatalidades históricas esperando para acontecer. Parece-me claro que a história se faz sem roteiros exatos a serem descobertos.
Por outro lado, conceitos como os de burguesia e proletariado, luta de classes, mais-valia e relações entre capital e trabalho são ferramentas magníficas a serviço de todas as ciências humanas. Some a isso o caráter de justiça social que norteia o marxismo e entenderá por que ainda me considero um marxista, ainda que não-praticante.

Vitor2 - Justiça social. É um idealista?

Vitor1 - Sou um humanista, o que se relaciona com a minha religiosidade, e por isso digo que não é apropriado contrapor a ciência à religião, tenho uma ancorada à outra.

Vitor2 - Ainda não sei como é essa sua religiosidade.

Vitor1 - Melhor seria falar em metafísica, conceito mais leve e amplo. Para todo o mundo racional há a Ciência, a Física. Se há algo que não se pode explicar com as leis físicas, então esta coisa se encontra no campo da metafísica.

Vitor2 - Diga então qual a sua metafísica.

Vitor1 - É o que não consigo explicar dentro de mim. O mundo, como eu disse, me parece um zoológico, nele ainda não vi nada que não tivesse razão lógica para acontecer ou ser, mesmo que eu ou ninguém a conheça. Já em mim, vejo e sinto algo que não consigo explicar, noto que existe um código, uma tábua de leis, que sinto que devo cumprir, embora nem sempre o faça, pois sou também um pecador. De qualquer forma, sinto que devo cumprir tais leis, sem saber por quê. Acho que é isso que chamam de fé; acreditar em algo sem ter uma razão lógica para isso. Imagino, naturalmente, que estas leis não estejam apenas dentro de mim, e sim dentro de todos.

Vitor2 - Que leis são essas?

Vitor1 - Fazer bem ao próximo, isso resume tudo.

Vitor2 - Então não sabe por que deve fazer bem ao próximo e chama isso de religião?

Vitor1 - Sim. Não sei por que sinto desejo de fazer os outros felizes. Ajusto minha conduta para isso a todo momento. Se sinto que algo que disse ou fiz deixou alguém feliz me sinto satisfeito, feliz também. Se sinto que poderia ter feito algo para tornar alguém mais feliz ou diminuir seu sofrimento e vacilei, então me lamento e guardo como lição. Se sinto que algo que fiz causou dor em uma pessoa me sinto culpado e triste. Não encontro um motivo para que isso seja assim.

Vitor2 - Fala como se fosse o mais santo dos homens.

Vitor1 - Lembre-se que eu disse ser um pecador. É apenas esta minha religião, mas nem o mais fervoroso evangélico segue os mandos da Bíblia e de seu pastor integralmente.


.... (fim)


Cansei. Queria continuar e continuar, talvez escreva mais desse jeito. Não sei se você gostou de ler, mas eu gostei de ter escrito.



sexta-feira, fevereiro 20, 2004
 
Todo mundo sabe que todo ano a zona Leste alaga. E gente perde casa, e gente perde tudo. Por que a nossa prefeita achou que antes de concluir o piscinão do Aricanduva a prefeitura deveria construir um túnel sob a Rebouças?


sexta-feira, fevereiro 13, 2004
 
Na guerra dos sexos, não existe Convenção de Genebra.


quarta-feira, fevereiro 11, 2004
 
Tchau, Fantástica

Tem um lugar aqui em São Paulo, no Itaim, que tem um nome que ninguém sabe qual é. Muitos o conhecem como "A Fantástica Fábrica de Salgados".

Ela só abre de madrugada e funciona em uma cozinha industrial. Você entra e vai pegando os salgados saindo dos fornos e frigideiras. Come, come, come e depois vai ao caixa dizer quanto gastou. Ninguém confere. Só indo lá para entender o charme (por que não dizer, a mística?) do lugar.

Isso agora vai acabar. A proprietária vai mudar o sistema, porque está sistematicamente sendo roubada. Alguns vão lá e comem três, quatro salgados (cada um custa R$ 1,00) e pagam dois, três. Segundo ela, 80% pagam corretamente; 20% ficam com o lucro.

Fui lá ontem e me deparei com um galpão sendo construído. Será clientes de um lado e produtos e comerciantes do outro.

Eis uma situação em que tenho que me juntar à maioria e considerar os defeitos dos brasileiros não qualidades, mas defeitos mesmo.


terça-feira, fevereiro 03, 2004
 
Passei na Fuvest. Legal. Espero gostar do curso (Direito), tenho quase certeza que gostarei. Seria uma boa trabalhar no Ministério Público um dia....


sexta-feira, janeiro 30, 2004
 
"Grande Sertão: Veredas"

Escolhi esse. Já devia ter lido esse livro faz tempo, mas vai ser agora. Bela escolha, não? A chance de ser "um dos melhores livros que eu já li" não é pequena.

- Se você não está entendendo, leia o post abaixo.


 
Novo começo

Estou prestes a acabar de ler um livro e esses dias são prazeirosos. Fico namorando os livros da minha estante (os muitos que ainda não li), ouço com mais atenção os relatos de leituras, demoro mais os olhos nas livrarias.

É o novo começo. O livro velho está acabando e é hora de escolher a nova aventura. Antes de ser definida, ela pode ser qualquer coisa, ela pode ser a melhor coisa do mundo. Enquanto eu não escolho, o próximo livro que eu for ler pode ser um livro que me leve a dizer "nossa, é o melhor livro que eu já li até hoje", ou "nossa, esse livro mudou minha vida". Percebe o quão especial é esse momento?

Um livro, uma leitura pode não ser o melhor exemplo, mas estou certo que você pode entender a idéia do novo começo em outras circunstâncias: um novo emprego, um novo amor, um novo... ainda por definir, extremamente promissor para o otimista.



sexta-feira, janeiro 23, 2004
 
Opa. Tudo bem? Vou escrever um negócio:


Vida de cachorro

Esta cidade. Outras cidades.
Estas roupas, esse cabelo. Outras roupas, outra cara.
Estas escolhas. Todas as renúncias.

Estes valores, estas dores. Sem valores, coração de pedra.
Este rumo. Completamente sem rumo.
Estas palavras. Um vazio de palavras.
Vazio.


Se eu já era ruim escrevendo umas prosinhas, tentando ser poeta sou lamentável. Por sorte, você é uma das únicas pessoas que ainda entra nesse blog.

PS - Cocaine, eu continuo vindo aqui, sim. Vou avisar quando não for escrever mais. Valeu pelo que vc disse : ))


segunda-feira, janeiro 12, 2004
 
Estou trabalhando até umas 2h da manhã ultimamente, tem sido bem legal. O local é mais silencioso, eu posso ligar a TV alto, ouvir um som, fumar na baia... (ops, que niguém que trabalha comigo leia essa última oração).

Falando em noite, lembrei deste poema, da portuguesa Florbela Espanca

Silêncio


No fadário que é meu, neste penar,
Noite alta, noite escura, noite morta,
Sou o vento que geme e quer entrar,
Sou o vento que vai bater-te à porta...

Vivo longe de ti, mas que me importa?
Se eu já não vivo em mim! Ando a vaguear
Em roda à tua casa, a procurar
Beber-te a voz, apaixonada, absorta!

Estou junto de ti, e não me vês...
Quantas vezes no livro que tu lês
Meu olhar se pousou e se perdeu!

Trago-te como um filho nos meus braços!
E na tua casa... Escuta!... Uns leves passos...
Silêncio, meu Amor!... Abre! Sou eu!...



sábado, janeiro 03, 2004
 
De volta a SP. Acabei não passando a virada do ano no lugar que disse que passaria. Fiquei lá por dois dias, é muito bonito, mas acabei indo para o Rio de Janeiro, capital. Assisti à queima de fogos de Copacabana, visitei belas praias, fui a uma rave lotada de paulistas, conheci pessoas interessantes. O que guarda lugar em mim até agora não é nada disso, todavia.

As dezenas de placas dando a direção da Barra, as placas para Taquara e Recreio, o bairro do Recreio (eu fiquei em Jacarepaguá uma noite, ali perto).
No caminho para lá, passei por Mangaratiba.

Mudando de assunto, este blog completou um ano um dia desses. E eu nem para fazer uma comemoração.


sexta-feira, dezembro 26, 2003
 
Olha só onde eu vou passar o Ano Novo


Chama-se Pouso da Cajaíba, um local que fica a uma hora e meia de barco da cidade de Paraty (RJ). Feliz Ano Novo para você.


terça-feira, dezembro 23, 2003
 
Ah, ia me esquecendo do choro do presidente. Você viu o presidente chorando hoje?
Ele visitou a baixada do Glicério, lugar sujo na região central de SP, onde moram muitos catadores de lixo. É claro que foi o primeiro presidente a visitar o local. Veja um trecho de uma reportagem a respeito:

Antes de prometer uma política de empregos, Lula chorou ao relatar que viu na televisão uma reportagem sobre um lixão onde uma pessoa comia uma melancia que pegou no local. Lula explicou esse contexto e repetiu o que o catador disse para as câmeras: "Talvez seja este o último pedaço de melancia que eu vá comer do lixo porque o presidente Lula vai resolver este problema". E, depois, prometeu,

"Nós queremos dizer que juntos vamos encontrar uma solução para tornar a vida de vocês digna".


Quem viu a cena viu que o choro veio da alma, viu que o choro é de alguém que sente o peso nas costas, mas que não quer fugir do peso. Um choro autêntico. Eu adoro esse cara.


 
Não escreverei aqui amanhã. Então desejo um feliz Natal para você que me visita sempre e também para você que caiu de paraquedas. Desnecessário dizer que você, internauta que me lê, é a razão da existência dessa página. Ainda escreverei de novo antes do Ano Novo.


sexta-feira, dezembro 19, 2003
 
Nunca é possível agradar a todos. Eu escrevi isso num dia desses. A idéia é dar um tom engraçado à notícia pitoresca, simplesmente humor.

E não é que um leitor ficou puto e perdeu seu tempo escrevendo um e-mail de reclamação? Bom, ele mandou eu colocar no meu blog, que ele nem sabia que eu tinha, já que ele nem sabe quem sou eu, apesar de não ter se incomodado com esse detalhe na hora de me agredir, então tá aqui. Olha o e-mail dele, muito mal escrito, aliás:

----- Original Message -----
From:
To:
Sent: Friday, December 19, 2003 4:03 AM
Subject: reportagem do tabloide


A Folha On Line, na seção " tablóide ", de ontem noticiou a prisão do sujeito que chamou a polícia, por causa de um assalto na casa dele. Só que essa vítima do roubo acabou sendo presa porque quando os policias chegaram viram dois pés de maconha na casa, plantadas pelo dono. O editor do tablóide quis fazer ironia e deu os parabéns à polícia por terem preso " esse perigoso meliante ". Mas esse editorzinho, se achando moderno ou sei
lá o que, consegue apenas ser leviano porque em dois pés de mac.onha existe quantidade muito maior que a mínima que serve para prender um traficante.
Ele que escreva isso no blog dele.


PS - eu estava meio sumido, você notou? Espero escrever mais daqui pra frente.


segunda-feira, dezembro 01, 2003
 
Assisti ao filme dos humoristas do Casseta e Planeta neste domingo, após a Fuvest. Os caras são bem engraçados. É comédia pura, no melhor estilo pastelão. O tema que serve como pano de fundo é um pouco batido, a ditadura militar e a relação entre o regime político e a conquista do tricampeonato mundial de futebol, em 1970. Mas os caras conseguiram uma nova abordagem. Ah, a abordagem não é nova, pensando bem, é só mais exaltada. Eles satirizam quase ao nível da agressão os tipos e o regime da época. Hilariante.

Quanto à Fuvest, obrigado para quem torceu por mim, sua torcida fez efeito! Em janeiro tem segunda fase.


sábado, novembro 29, 2003
 
Aqui estou, há umas 35 horas da fuvest me arrependendo por não ter estudado mais. Agora entendo o provérbio "a gente só se arrepende do que a gente não faz".

Que infame. Mas, agora sério, é triste notar que ainda sou capaz disso, de ter cristalino em mente o que devo e desejo fazer, não realizar tal coisa e arrepender-se no exato minuto posterior ao ponto em que já não adianta mais se arrepender.

Isso não quer dizer que não vou passar, no entanto. Calculo minhas chances em uns 40%.


sábado, novembro 22, 2003
 
Os dias passam e os momentos que eu gostaria de descrever aqui vão se acumulando. Fui para Vitória, aconteceram muitas coisas, foi excelente, mais do que deveria. A semana foi também carregada de assuntos pertinentes para este blog. Uma pena. Agora quero falar de outra questão, bem mais importante que a minha vidinha de adultescente. É essa aí de baixo.

Os "pitis" da classe média

Uma passeata com cerca de 4 mil pessoas marchou hoje pela região da Paulista e do Ibirapuera, bem perto da minha casa. A manifestação foi contra a violência, a impunidade e em prol de mudanças no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), especialmente exigindo a redução da maioridade penal, de 18 para 16 anos (quem sabe 14?).

Quem organizou o protesto foram os parentes e amigos de Liana Friedenbach, 16, e Felipe Caffé, 19, pessoas que você deve estar careca de saber quem são. Ou eram.

É de causar espanto esse tipo de espetáculo patético com que parte da classe média brinda o restante da sociedade toda vez que um de seus intocáveis membros é atingido pela violência, essa mesma violência que tão presente se faz no dia a dia das grandes cidades quanto a poluição.

Para citar apenas casos ocorridos em São Paulo, entre o assassinato de um casal de classe média dentro do respeitoso bairro de Moema, há uns três anos, que gerou grandes protestos e o movimento "Reage São Paulo", e a morte desse jovem casal do colégio São Luís, quantos assassinatos aconteceram em São Paulo? Centenas? Milhares? Dezenas de milhares?? A maioria das pessoas não sabe nem a ordem de grandeza desse número. Quantos jovens não foram assassinados a sangue frio longe das ruas arborizadas de Moema, mas em Capão Redondo, Jardim Ângela, Guaianazes, Perus, São Matheus?

E onde estavam as madames histéricas e os boyzinhos indignados que há pouco ocupavam quatro pistas da Paulista quando essas milhares de mortes aconteceram? Há três anos ouvi as mesmas posições que ouço agora: "Está demais! Chegamos ao limite! É preciso tomar medidas radicais!". Ah, é mesmo? E durante esses três anos em que a violência não respingou nos Jardins, mas continuou encardindo de sangue as ruas já imundas da periferia, não "estava demais"? Que hipocrisia deslavada é essa? E se os pobres resolvessem fazer uma passeata atrapalhando o sábado toda vez que um de seus jovens fosse assassinado?

Mas, até aí, tudo bem. Histeria, chilique, irrita um pouco, mas basta ignorar, fingir que não existe e pronto. O problema fica mais sério quando essa gente se julga no direito de exigir que o resto da sociedade dê ouvidos a seus pitis. Querem agora diminuição da maioridade penal. E já vão enfiando o dedo em riste no focinho de quem diz que é contra.

Era o que faltava. A toda hora morre gente no país; quando morre um que tem um pouco mais de dinheiro, a classe média fricoteira já acha que é hora de mexer nas leis nacionais! Algo deveria ficar bem claro para essa gente: a sociedade brasileira não é refém de nenhuma classe. Se e quando o país julgar que deve alterar suas leis em relação ao menor e ao código penal, se baseará em debates amplos com todos os setores da sociedade, estudos de especialistas e formalidades legislativas, não será simplesmente para acalmar o faniquito de um tipo de gente que tem a si mesmos como cidadãos que estão acima dos demais.




sábado, novembro 15, 2003
 
Eu nem escrevi aqui, mas eu vim pra Vitória (ES). Peguei uma folga na sexta e estou aqui.

Estou na casa dos tios de um amigo meu. E eles não estão aqui. Estamos eu e meu amigo, com comida e cerveja na geladeira, hidromassagem no banheiro, ar condicionado no quarto e internet rápida no escritório. O que eu fiz para merecer isso, meu Deus?


domingo, novembro 09, 2003
 
Hoje eu estou de plantão aqui no trabalho. Tive que acordar às 8h15, algo muito raro no meu cotidiano dos últimos anos. Assim, estava com sono. Assim, diante da total falta de notícias, cochilei em frente ao computador. E imagine você que três colegas me viram dormir e não me acordaram.

Quando reclamei com um deles, ouvi um singelo "ah, eu não quis incomodar". Pode?


terça-feira, novembro 04, 2003
 
Mudei de área aqui no trabalho. Algo burocrático que guarda pouca ou nenhuma relação com as funções que aprendi a desempenhar na faculdade.

Podia ser pior. Eu podia morar em Tikrit, já pensou?


sexta-feira, outubro 31, 2003
 
Marina e Felipe

Marina para Luciano: Eu te amo; para mim, você é o melhor homem do mundo; adoro viver ao seu lado, amo o fato de você ser o meu companheiro e de eu ser a sua companheira; amo a nossa vida, a nossa vida a dois. E sobretudo: eu amo te amar.

E Felipe escuta e pensa: Uau (valeu, kelly!), que grande cara que deve ser esse Luciano. E que grande sorte ele tem.

Marina e Luciano desmancham. Ela não se acostuma bem à nova vida. Que falta que lhe faz um bem, que falta lhe faz um xodó.

Enamora-se por Daniel. Marina para Daniel: Eu te amo; adoro viver ao seu lado, amo o fato de você ser o meu companheiro e de eu ser a sua companheira; amo a nossa vida, a nossa vida a dois. E sobretudo: eu amo esse amor.

Claro que não fala com essas mesmas palavras, passara-se mais de um ano. Mas é assim que Felipe escuta. E pensa: veja só, esse Daniel também é um grande cara, passível de ser amado, tudo bem que não é o primeiro a quem ela dedica este sentimento, mas também é elegível a ele. Que feliz que ele deve ser, e certamente possui qualidades.

Marina e Daniel desmancham. Depois de 22 anos, desmancham. Ela não se acostuma bem à nova vida. Que falta que lhe faz um bem, que falta lhe faz um xodó.

Marina enamora-se por Flávio, nem tão belo mas apaixonado por ela. Marina para Flávio: Eu te amo; amo o fato de você ser o meu companheiro e de eu ser a sua companheira; amo a nossa vida, a nossa vida a dois. E sobretudo: eu amo esse amor.

Assim Felipe escuta, e pensa, sob os cabelos brancos: Tive beatrizes, samantas, fernandas, fabrícias e carolinas. Diziam-se apaixonadas, mas não passavam de marinas. E eu, de Flávio, Luciano e Daniel.


quarta-feira, outubro 29, 2003
 
Força Sindical rompe com CUT e abandona Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social de Lula

Nossa, finalmente a Força Sindical deixou de ser pelega!!


Bom, caso você não tenha entendido, isso foi uma piada. Eu até pensei em falar a sério sobre o assunto, mas essa central sindical e esse Paulinho não merecem ser levados a sério. Uma pena para os trabalhadores cujo os sindicatos são ligados a eles.


segunda-feira, outubro 27, 2003
 
Parte do discurso de despedida do PT de Gabeira na Câmara, tirado do blog http://palavrastortas.blogger.com.br/:

" Eu digo claramente que sonhei um sonho errado. O sonho errado foi confiar que nós podíamos fazer tudo aquilo que nós prometíamos rapidamente, confiar que poderíamos fazer tudo aquilo num período de 4 anos ou imediatamente. Não. O sonho foi pior ainda: foi confiar que era possível transformar o Brasil a partir do Estado; foi não compreender que o Estado já perdeu o dinamismo e que o dinamismo agora se encontra na sociedade. Se o Brasil vai se transformar, vai se transformar através da sociedade. A sociedade é que vai impor os caminhos e o Estado virá - que bom que venha - talvez cansado, talvez lento, mas virá acompanhando nosso caminho."

Muito bom, né? E pensar que o cara já pegou em armas para tentar tirar do poder quem ele achou que não devia estar lá. As pessoas mudam.



domingo, outubro 26, 2003
 
Veja só, 5 horas da manhã de um domingo e eu aqui. Hoje eu fiquei feliz, fui bem em um simulado e me achei o máximo. Não foi só isso que fez meu dia. Passei boa parte dele em boa companhia (ei, internauta, lembra quando eu disse que você sentiria a diferença?).

Estou cansado de fazer deste blog meu diarinho de uma adolescente. Eu quero falar das segundas e sextas-feiras.

Pense bem, amigo: por qual maldição você julga normal os deputados e senadores, que têm seus salários pagos por nossos impostos, detentores do direito de trabalhar apenas de terça a quinta-feira? Não, por favor, pare para pensar nisso: os parlamentares brasileiros ficam em Brasília de terça a quinta-feira e só. Não estou falando mal deles, estou registrando uma verdade, isso é uma realidade pura e simples; os nossos impostos pagam uma jornada semanal de cinco dias e os nossos representantes congressistas trabalham apenas três. Como nós aceitamos isso bovinamente? Responda!!!

Juro que não compreeendo. Deveríamos ir às ruas exigir o óbvio: que nossos representantes nas Casas do Povo não nos fizessem de palhaços, que trabalhassem o tanto que todo brasileiro trabalha: de segunda a sexta, caralho!

Os deputados e senadores trabalham apenas de terça a quinta e nós não estamos nem aí. É culpa deles? Sim, mas tanto quanto nossa. Ou você acredita em quê? Que nossos políticos são uma raça inferior de gente? Que eles são especialmente piores que o resto da sociedade brasileira? Ora, e por que seriam? Dê-me uma resposta racional convicente!

Não existe uma resposta positiva racional convicente. Abra o olho e faça a auto-crítica: temos defeitos. Pára, pelo amor de Deus, de criticar os políticos, os cartolas, o raio que o parta, e inclua-se nos criticáveis. Você não é diferente do resto dos brasileiros. Você é brasileiro, porra! Você se encaixa perfeitamente no esteriótipo que você critica.


quinta-feira, outubro 23, 2003
 
- Estudei relativamente bastante ontem, foi bom, mas nem tanto. Por que diabos eu tenho tanta dificuldade com física e matemática? Quero crer que sou capaz de compreender mecanismos e sistemas mais complexos do que um bloquinho de massa M ligado por um fio não elástico de massa desprezível, que passa por uma polia, a outro bloquinho de massa P. Despreze o atrito.

Só há uma fórmula: F = y.m; como posso não entender essa coisa, meu Deus? Não vou desistir, mas hoje já não vou estudar, acho, porque vou sair. Eu desrespeito minha próprias regras constantemente. Ok, sei que não sou o único, mas irrita. E vai irritar mais ainda quando e se meu nome não aparecer na lista dos aprovados.


- Não sei se você ouviu falar ou leu a respeito, mas o sociólogo Luis Eduardo Soares pediu demissão do cargo de secretário nacional de Segurança Pública (subordinado ao ministério da Justiça) na última terça-feira. Se você é carioca deve saber que o governo perdeu um grande profissional. E o país ficou mais distante de construir um sitema integrado de segurança justo e eficiente.



quarta-feira, outubro 22, 2003
 
Não existe um motivo consistente para eu ter ficado tanto tempo sem postar. Talvez a preguiça, falta de inspiração, de vontade de escrever do trabalho (daqui) e aversão ao computador quando chego em casa. E outros fatores mais. Não sei se devo te pedir desculpas por ter ficado todo esse tempo fora sem sequer ter me dado ao trabalho de escrever um simples aviso, "não vou postar por uns dias".

Eu poderia falar da Oktober, mas já faz muito tempo. Saiba que eu não morri. E nem voltei de lá com alguma seqüela, cicatriz ou perna a menos. De resto, foi como uma festa desse tipo pode ser.

Tenho estudado quase nada para o vestibular. Acho que não vou passar. Agora estou com a idéia de estudar nos começos de madrugada, quando volto do trabalho. Vamos ver como vai ser hoje.


quinta-feira, outubro 09, 2003
 
Vou viajar daqui a pouco, volto no domingo. Pelo menos quatro pessoas que eu gosto e gostam de mim me recomendaram juízo e cuidado. Quando meus pais me dizem isso, acho normal, mas quando amigos da sua idade ou mais novos insistem em recomendações apreensivas é algo com que se preocupar.

Se eu estiver vivo na segunda-feira vou escrever um pouco sobre Blumenau (SC), onde estarei dentro de algumas horas.


quarta-feira, outubro 08, 2003
 
Porra, caralho, bosta de restituição do imposto de renda que não sai nunca!!!!


 
Para mudar o clima, de Chico Buarque e Edu Lobo, "Ciranda da Bailarina":


Procurando bem
Todo mundo tem pereba
Marca de bexiga ou vacina
E tem piriri, tem lombriga, tem ameba
Só a bailarina que não tem
E não tem coceira
Berruga nem frieira
Nem falta de maneira
Ela não tem

Futucando bem
Todo mundo tem piolho
Ou tem cheiro de creolina
Todo mundo tem um irmão meio zarolho
Só a bailarina que não tem
Nem unha encardida
Nem dente com comida
Nem casca de ferida
Ela não tem

Não livra ninguém
Todo mundo tem remela
Quando acorda às seis da matina
Teve escarlatina
Ou tem febre amarela
Só a bailarina que não tem
Medo de subir, gente
Medo de cair, gente
Medo de vertigem
Quem não tem

Confessando bem
Todo mundo faz pecado
Logo assim que a missa termina
Todo mundo tem um primeiro namorado
Só a bailarina que não tem
Sujo atrás da orelha
Bigode de groselha
Calcinha um pouco velha
Ela não tem

O padre também
Pode até ficar vermelho
Se o vento levanta a batina
Reparando bem, todo mundo tem pentelho*
Só a bailarina que não tem
Sala sem mobília
Goteira na vasilha
Problema na família
Quem não tem

Procurando bem
Todo mundo tem...


* termo vetado pela censura


terça-feira, outubro 07, 2003
 
Não estava muito frio hoje e minha mãe mandou eu trazer um agasalho. Cheguei a colocar, estava muito calor e eu dispensei a blusa, julgando que ela seria nada mais que um estorvo. Agora está frio, eu vou andar e pegar ônibus passando frio.

Muitos minutos, uma hora e pouco, talvez, no frio, braços estendidos, buscando abraçar qualquer coisa, qualquer coisa que não se encontra, um esforço vão.

Todo problema é um só, e eu não tenho a solução. Manuel Bandeira:

Pneumotórax

Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e não foi.
Tosse, tosse, tosse.

Mandou chamar o médico:
- Diga trinta e três.
- Trinta e três... trinta e três... trinta e três...
- Respire.
.......................................................................
- O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito está infiltrado.
- Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
- Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.


Boa noite.





segunda-feira, outubro 06, 2003
 
Adoro essa música, do Secos e Molhados, chama Sangue latino

Jurei mentiras e sigo sozinho
Assumo os pecados
E os ventos do norte não movem moinhos
E o que me resta é só um gemido
Minha vida, meus mortos, meus caminhos tortos
Meu sangue latino
Minha alma cativa

Rompi tratados, traí os ritos
Quebrei a lança, lancei no espaço
Um grito, um desabafo
E o que me importa é não estar vencido
Minha vida, meus mortos, meus caminhos tortos


Que merda, lendo assim não parece legal.


sábado, outubro 04, 2003
 
E O PRESIDENTE ENCHE A CARA!



Sensacional o nosso presidente, fala sério, de mangas de camisa, chapeuzinho típico, posando para fotógrafos com cara de peão pinguço. Em um discurso em Blumenau (SC), eis algumas de suas palavras, a respeito de ocupações de prédios abandonados em centros urbanos: "Vamos ter de encontrar um jeito de transformar esses prédios desocupados em habitações para pessoas pobres".
Em outras palavras, nas palavras do Estadão, "Lula quer ceder prédios desocupados a pobres".

Excelente. É esse tipo de vontade política, de perspectiva, de ângulo de visão que eu esperava de um governo do Lula e do PT. Cada dia estou mais contente com o Planalto. É muito bom ser governista, achei que isso nunca aconteceria comigo no Brasil.

E dentro de alguns dias estarei eu também no sul do país, fazendo o que o presidente fez. Prozit!



sexta-feira, outubro 03, 2003
 
- Amanhã vou trabalhar, mais um fim de semana online. Péssimo.

- Ahan, ahan, desculpa aí se meu blog está ficando importante, recebendo visitas internacionais. Kim, sweet girl, as long as I remember, the last email was mine. But it doesn´t matter, I´ll write again.



quinta-feira, outubro 02, 2003
 
- Muito bom, finalmente meu computador de casa voltou a ter acesso à net. Creio que você, internauta sagaz, vai começar a sentir algumas diferenças nos posts, além do horário de postagem. Voltarei a escrever de madrugada, voltando da rua negra, com a cabeça cheia de idéias e tudo mais.

- E o Alexandre Pires chorando na Casa Branca heim? Alguém tem algo a dizer sobre isso? Eu não.


sexta-feira, setembro 26, 2003
 
Tem muita gente deslumbrada com os discursos do nosso presidente na OMC e na ONU, em Cancún e Nova York, respectivamente. Tem gente acreditando que o Brasil está ganhando uma força geopolítica que nunca teve, tem gente morrendo de vontade de acreditar nisso.

Passei os olhos em quatro grandes jornais dos EUA e Europa um dia após o discurso do Lula na ONU. Nenhuma menção. Nenhuma, nem na capa, nem em páginas internas. Fodam-se os jornais, que eu nem cito o nome, sim, mas observe o que o fenômeno demonstra, e não o fenômeno em si.

De nada adianta ficar se iludindo.


quinta-feira, setembro 25, 2003
 
Estou com uma dor de cabeça e uma indisposição estomacal dessas que não permitem que você pense em qualquer coisa a não ser na dor que está sentindo. Ninguém merece.


quarta-feira, setembro 24, 2003
 
Provérbios e frases que eu respeito e acredito:

- De perto ninguém é normal

- Achaste mel, come o que te basta (provérbio árabe)

- O tempo não é como o trem, não apita na curva, não espera ninguém

- As oportunidades sempre parecem maiores quando vão do que quando vêm

- Morrer é quase nada, horrível é não viver (Vitor Hugo)


terça-feira, setembro 23, 2003
 
Eu não conheço nenhuma droga (e olha que já provei algumas) que cause prazer tão intenso quanto o orgasmo. Meu deus, o que é aquilo? Durante os cinco segundos de ápice vertiginoso nada mais no universo existe a não ser a mente e o corpo em êxtase. Acho que se o orgasmo durasse um minuto eu deixaria não só as drogas de lado, mas todo o resto - trabalho, família, filosofia - e passaria a vida transando ou batendo punheta.

...

Acho que esse é um dos posts mais profundos que eu já escrevi.


 
- Ainda sobre o furto do rádio: cheguei em casa no domingo e todos, meu pai, minha mãe e minha irmã, lançaram-me olhares reprovadores e proferiram palavras ásperas e esbravejantes. Mal tentei justificar-me por não ter colocado o carro no estacionamento às 15h30 no tranquilo bairro da Vila Gumercindo. Aceitei resignado as reprimendas.

No dia seguinte, ontem, minha mãe era só sorrisos e abraços ao me ver acordar e meu pai ligou no meu trabalho no meio da tarde para me dizer que já havia consertado a porta e que eu não me preocupasse. Ao chegar em casa, à noite, encontro no meu quarto um bilhete da minha irmã pedindo para que eu não ficasse triste, pois ninguém tinha culpa pelo episódio. O bilhete acompanhava uma garrafa de vinho branco argentino (minha irmã trabalha numa importadora de bebidas), regalada a mim.

Imagino as reviravoltas que se deram nas mentes desses meus três familiares enquanto estavam em companhia exclusiva do travesseiro.


- Hoje dei início à minha rotina de estudos. Agora já sei (de novo) o que são volts, amperes e coulombs, bem como as relações existentes entre essas unidades. Ah, será um longo e enfadonho caminho até o vestibular.


segunda-feira, setembro 22, 2003
 
- Nada como um bom choque de realidade para nos lembrar quem somos, aonde vivemos e qual sociedade construímos.

Minha irmã tinha colocado um rádio em seu carro na quinta-feira passada. Ela comprou uma espécie de "tampão" que causa a impressão de que não há rádio no painel do veículo.

Ontem eu saí com o carro dela e deixei-o estacionado na rua por não mais que duas horas e meia. Quando voltei, a porta estava retorcida e aberta. No lugar em que estavam o tampão e o rádio, fios vermelhos e amarelos com pontas de cobre saíam de um buraco escuro.

- Daqui a pouco terei a oportunidade de conhecer a Mel Lisboa. Geralmente não me encanto por profissionais da televisão, mas essa eu não vou perder!


sábado, setembro 20, 2003
 
Antes de qualquer coisa, olha que engraçado isso aqui: http://www.infonegocio.com/xeron/mamut.html

Agora, meu computador voltou, mas ainda não estou acessando a net de casa. Dentro em breve, dentro em breve.

Amanhã é ó último dia para a inscrição na Fuvest. Eu eu "já" decidi o que eu vou prestar: Direito! É, isso mesmo, nada de economia, ciências sociais ou história. Quero estar no largo São Franscisco no ano que vem. Não será tão fácil, todavia. Fiz a Fuvest do ano passado ontem na minha casa e acertei 66 questões, de 100. A nota de corte para Direito foi 64. Ou seja, tá muito apertado, vou precisar estudar! Minha idéia é estudar todos os dias (exceto fim de semana) daqui até o vestibular. Vamos ver.


quarta-feira, setembro 17, 2003
 
Tá difícil de escrever do trabalho. São mais de 23h e eu ainda estou aqui... Nunca posso dedicar 15 minutos ininterruptos a este blog. Por sorte, a partir de amanhã meu computador volta para casa, tinindo como novo. Daí vou escrever o quanto eu quero neste espaço.


sexta-feira, setembro 12, 2003
 
Nada de post hoje. E nada de post amanhã ou domingo. Hoje só tem um poema do Ricardo Reis.


Ao longe os montes têm neve ao sol,
Mas é suave já o frio calmo
Que alisa e agudece
Os dardos do sol alto.

Hoje, Neera, não nos escondamos,
Nada nos falta, porque nada somos.
Não esperamos nada
E temos frio ao sol.

Mas tal como é, gozemos o momento,
Solenes na alegria levemente,
E aguardando a morte
Como quem a conhece.





quinta-feira, setembro 11, 2003
 
RECORDAR É VIVER










domingo, setembro 07, 2003
 
Quando eu estava na pré-escola, gostava de uma menina chamada Maia. É a primeira recordação que tenho de sentimento ligado à sexualidade, à relação homem-mulher.
Na primeira série, não gostei de ninguém. Na segunda série, gostei de uma menina chamada Priscila. Ela era uma garotinha loira muito bonita, e eu passava os recreios contemplando-a de longe, fantasiando situações com nós dois juntos. Estudávamos na mesma classe, mas minha timidez só permitiu que eu lhe dirigisse a palavra três ou quatro vezes, se muito. Acho que ela nunca desconfiou do meu sentimento infantil.

Na terceira série conheci outra Priscila, a Priscilinha. E aí a história já era diferente. Conversávamos com certa frequência, e eu não disfarçava meus olhares, ao contrário, os fazia notar, na esperança de ser correspondido. E eu era correspondido! Um dia, na saída, ela me deu uma bolinha de borracha de presente. Eu balbuciei um "obrigado" apressado e sai pensando que tinha tocado suas mãos, e elas estavam frias e suadas (impressionante como essas memórias estão claras em mim).

Fomos a duas ou três festas de aniversário, dessas com baile da vassoura. Dançamos juntos umas 7 vezes, ao todo. Eu vivia nas nuvens. As amigas dela, Luciana e Célia, segredaram-me que ela gostava de mim. Ela gostava de mim! Eu ligava na casa dela e desligava em seguida, apenas para ouvir seu alô, tinha vergonha demais para ir além disso. Assim foi até o meio do ano, quando, auxiliados pelas amigas dela, Célia e Luciana, começamos a namorar oficialmente.

Nosso novo estado, o de namorados, só tornou as coisas mais difícies. Ambos passaram a ter vergonha até de olhar um na cara do outro. Até que chegou a época do meu aniversário, em outubro, quase fim do ano letivo. Entreguei os convites para todos na classe, o dela o único em que o envelope branco eu havia pintado de laranja em cima do nome, escrito com caneta marca-texto amarelo-limão. Ficou horrível, mas eu achei bonito.

Ela foi na minha festa e dançamos muito, de rosto colado, fortemente abraçados. Aos 9 anos de idade, eu conhecia o amor.

Depois acabou. O fim da história não é interessante, a coisa acabou aos poucos, e pronto. Na quinta série estudamos juntos novamente, já pré-adolescentes, e fomos colegas ordinários, e nunca mais tocamos no assunto. E depois desse ano nunca mais nos vimos.

Independente deste final, o caso é que cultivo com muito carinho a figura desta garotinha na história da minha vida. Guardo até hoje o telefone dela da época, 571-0766, minha irmã, minha prima, minha mãe (mulheres guardam mais essas coisas) certamente se lembram da Priscilinha, ela faz parte da minha história, definitivamente.

Eis então que em uma noite da semana passada, exatos 15 anos depois, ouço uma mulher dizer "Pri" e a reencontro na saída de um shopping center. Ela estava com o cabelo vermelho, e essa foi a única diferença que notei. Naturalmente a abordei, sorridente, "Pri, tudo bem? Lembra de mim? O Vinícius?!" (O Vinícius, seu namorado da terceira série, o cara a quem você apresentou o amor, o cara que lembra até hoje que você estava com as mãos frias úmidas quando me deu uma bolinha de borracha, em uma das melhores sextas-feiras da minha vida!).

- Sai fora. Vamos, meninas (andando mais rápido em direção ao estacionamento).

- Priscila, você tem que lembrar, estudamos juntos no Arqui, na terceira e na quinta série, eu só queria que você lembrasse.

A amiga responde por ela:

- Cara, dá licença, a gente tem que ir embora.

- Priscila, você era baixinha...

- Não diga, e agora não sou mais?

- Você está com o cabelo vermelho...

- Sério? Não, estou com o cabelo azul! Olha, o carro chegou, tchau.


Eu só queria que ela se lembrasse, que nos recordássemos um pouco daquela época, déssemos um abraço e nos despedíssemos, talvez trocando telefones, talvez não, certamente mais felizes, com as felizes recordações.

Nada disso aconteceu. E o pior é que eu acho que ela acabou lembrando de mim, e fez que não lembrou.


sábado, setembro 06, 2003
 
O Régis tem toda a razão. Não posso decepcionar os leitores.



sexta-feira, setembro 05, 2003
 
O que o Chiclete tem?

Pessoas que me conhecem não conseguem entender por que eu gosto tanto de Chiclete com Banana. Nem eu entendo direito. Só sei que eu adoro.
Ontem eu saí com dois amigos meus. O lugar não estava muito cheio e estávamos os três meio desanimados. De repente, um dos vocalistas da banda que se apresentava soltou um grito:

- Chiii-cleee-tê! Oba! Oba!

Na hora meu ânimo mudou. Comecei a pular ao sabor da música, veio em minha mente aquela alegria concentrada que toma conta dos shows de axé e micaretas, e muita gente em minha volta entrou na mesma sintonia. Uma verdadeira pílula de felicidade. Salve a Bahia.

Agora, 23h40 de sexta-feira, estou ainda no trabalho e não tem quase ninguém aqui na redação. Acabo de voltar de um jantar levemente decepcionante e tenho razoável quantidade de serviço pela frente. Mas foi só eu ligar o som alto do meu computador que nem parece que estou trabalhando. Beleza! É festa! Chiclete com Banana! Chiclete com Banana!


quinta-feira, setembro 04, 2003
 
Ah, amanhã eu escrevo aqui....


segunda-feira, setembro 01, 2003
 
Uma vez eu postei aqui um trecho de "Morte e Vida Severina", do João Cabral de Melo Neto. Era uma passagem em que o Severino, o retirante, passava por um cortejo fúnebre e indagava os participantes sobre as causas da morte do falecido.
Aqui vai a continuação, agora a descrição do enterro do sertanejo. É difícil encontrar poemas simultaneamente tão preciosos em forma e conteúdo.


ASSISTE AO ENTERRO DE UM TRABALHADOR DE EITO E OUVE O QUE DIZEM DO MORTO OS AMIGOS QUE O LEVARAM AO CEMITÉRIO

— Essa cova em que estás,
com palmos medida,
é a cota menor
que tiraste em vida.
— É de bom tamanho,
nem largo nem fundo,
é a parte que te cabe
deste latifúndio.
— Não é cova grande,
é cova medida,
é a terra que querias
ver dividida.
— É uma cova grande
para teu pouco defunto,
mas estarás mais ancho
que estavas no mundo.
— É uma cova grande
para teu defunto parco,
porém mais que no mundo
te sentirás largo.
— É uma cova grande
para tua carne pouca,
mas a terra dada
não se abre a boca.

— Viverás, e para sempre,
na terra que aqui aforas:
e terás enfim tua roça.
— Aí ficarás para sempre,
livre do sol e da chuva,
criando tuas saúvas.
— Agora trabalharás
só para ti, não a meias,
como antes em terra alheia.
— Trabalharás uma terra
da qual, além de senhor,
serás homem de eito e trator.
— Trabalhando nessa terra,
tu sozinho tudo empreitas:
serás semente, adubo, colheita.
— Trabalharás numa terra
que também te abriga e te veste:
embora com o brim do Nordeste.
— Será de terra tua derradeira camisa:
te veste, como nunca em vida.
— Será de terra e tua melhor camisa:
te veste e ninguém cobiça.
— Terás de terra
completo agora o teu fato:
e pela primeira vez, sapato.
— Como és homem,
a terra te dará chapéu:
fosses mulher, xale ou véu.
— Tua roupa melhor
será de terra e não de fazenda:
não se rasga nem se remenda.
— Tua roupa melhor
e te ficará bem cingida:
como roupa feita à medida.

— Esse chão te é bem conhecido
(bebeu teu suor vendido).
— Esse chão te é bem conhecido
(bebeu o moço antigo).
— Esse chão te é bem conhecido
(bebeu tua força de marido).
— Desse chão és bem conhecido
(através de parentes e amigos).
— Desse chão és bem conhecido
(vive com tua mulher, teus filhos).
— Desse chão és bem conhecido
(te espera de recém-nascido).

— Não tens mais força contigo:
deixa-te semear ao comprido.
— Já não levas semente viva:
teu corpo é a própria maniva.
— Não levas rebolo de cana:
és o rebolo, e não de caiana.
— Não levas semente na mão:
és agora o próprio grão.
— Já não tens força na perna:
deixa-te semear na coveta.
— Já não tens força na mão:
deixa-te semear no leirão.

— Dentro da rede não vinha nada,
só tua espiga debulhada.
— Dentro da rede vinha tudo,
só tua espiga no sabugo.
— Dentro da rede coisa vasqueira,
só a maçaroca banguela.
— Dentro da rede coisa pouca,
tua vida que deu sem soca.

— Na mão direita um rosário,
milho negro e ressecado.
— Na mão direita somente
o rosário, seca semente.
— Na mão direita, de cinza,
o rosário, semente maninha.
— Na mão direita o rosário,
semente inerte e sem salto.

— Despido vieste no caixão,
despido também se enterra o grão.
— De tanto te despiu a privação
que escapou de teu peito a viração.
— Tanta coisa despiste em vida
que fugiu de teu peito a brisa.
— E agora, se abre o chão e te abriga,
lençol que não tiveste em vida.
— Se abre o chão e te fecha,
dando-te agora cama e coberta.
— Se abre o chão e te envolve,
como mulher com quem se dorme.


domingo, agosto 31, 2003
 
O Enem estava muito fácil. Ou pelo menos estava muito fácil para alguém que já tem curso superior completo. Acertei 60 de 63.


sábado, agosto 30, 2003
 
Estar bêbado(a) serve como desculpa?

Se você é mulher, já deve ter ouvido a fatídica justificativa: "Mas eu estava bêbado!". E provavelmente não se convenceu: "Isso não é desculpa!". Normalmente, as mulheres pouco se lixam para o fato do rapaz ter bebido umas a mais antes de fazer alguma besteira.

Eu, particularmente, nunca ouvi de uma moça que estivesse envolvida comigo que ela cometeu este ou aquele deslize por estar alcolizada, mas sempre achei que levaria o argumento em consideração.

Um dia desses, um amigo meu deu uma puta mancada comigo. E o que ele alegou em sua defesa? Que estava bêbado! Achei curioso. Não soube muito como lidar com a situação. Eu já usei este argumento com mulheres, mas nunca o tinha ouvido de um amigo. Mas o interessante foi a reação dos nossos outros amigos quando ouviam sobre a história. Todos, invariavelmente, disseram em defesa do amigo faltoso: "Ah, mas ele estava bêbado."

Estão vendo, mulheres? Quando os homens dizem que estavam bêbados, isso não é uma desculpa esfarrapada, eles realmente acreditam que estar bêbado serve como justificativa ou atenuante.


 
Eu quero dizer que sexta à tarde foi muito bom. Apesar de tudo, foi muito bom. E só foi bom porque era você quem estava lá comigo.


sexta-feira, agosto 29, 2003
 
Fiquei até meio mal pelo post aí de baixo. Se alguém pensava em assistir o "Amarelo Manga" pode não ter gostado muito de ter lido sobre as cenas do filme, quebrando o suspense. Lamento. E o filme não é tão ruim. Até vale assistir.

Amanhã vou trabalhar, e domingo também, o que significa que passarei boa parte do fim de semana online. Domingo também vou fazer o Enem, Exame Nacional do Ensino Médio, porque conta pontos para a Fuvest. Falando nisso, tenho dado uma olhada em uma apostila do Etapa e a situação é bastante grave.
Não sei nada de matemática. Se eu prestar economia, mesmo se passar na primeira fase, vai ser difícil encarar a segunda. Ou eu presto ciências sociais ou história, ou eu estudo umas 3 horas por dia daqui até a hora do vestibular para poder tentar economia.
Alguma sugestão? Algum palpite sobre o que eu vou acabar prestando no final das contas?


quinta-feira, agosto 28, 2003
 
Ah, esqueci de citar a cena em que um sujeito troca maconha por um cadáver em decomposição para ficar atirando no corpo em um terreno baldio. Sem comentários.


 
Esses dias fui assistir "Amarelo Manga", do cineasta Cláudio Assis.
Não gostei muito. Algumas cenas que se pretendem fortes caem no ridículo por serem totalmente desprovidas de sentido. O roteiro é um mero suporte para passagens chocantes que pouco se relacionam. Estou falando de cenas como a de uma mulher muito gorda, suada e peluda se masturbando, ou o abate de um boi em um frigorífico filmado em close, ou uma dona de bar subindo em uma mesa e mostrando a vagina para um cliente.


terça-feira, agosto 26, 2003
 
Estou lendo um livro sobre o Carlos Marighella (“Carlos Marighella”, editora Sol e Chuva, 1997), escrito pelo jornalista baiano Emiliano José. O livro me faz pensar sobre este período histórico do Brasil. Ainda vou escrever outro post sobre o tema além deste.

Penso que o golpe de 1964, bem como o governo militar que se estabeleceu graças a ele, via de regra, são vistos hoje de maneira equivocada. Como aprendi na escola, como assisto eventualmente na TV, como ouço e leio nossos artistas e intelectuais dizerem, a ditadura militar que ficou mais de 20 anos no poder foi um monstro maligno que tomou a nação, instalou a censura e começou a torturar quem a ela se opusesse. Houve bravos homens que se levantaram contra seu domínio perverso, verdadeiros heróis da pátria, que deram seu sangue em nome do Brasil, em nome de um ideal.

Ora, não é bem assim. O movimento de 64 estava ancorado e foi saudado por amplos setores da classe média brasileira. Setores importantes da igreja saudaram o golpe. Associações de donas de casa aplaudiram o golpe. Boa parte dos estudantes concordaram com o golpe. Os empresários deram graças a deus pelo golpe. Os grandes produtores rurais respiraram aliviados com o golpe. Os veículos de comunicação jamais usaram a palavra golpe para designar a revolução.

Você reparou que todos os setores da sociedade que em 1998 apoiaram o FHC e não o Lula são exatamente esses setores citados acima? Ou seja, amigo internauta, se você já preferiu FHC a Lula, muito provavelmente você teria apoiado a ditadura se tivesse vivido naquela época.

Isso é só para colocar as coisas em perspectiva. A ditadura se instalou porque parte da sociedade quis que ela se instalasse. E a ditadura não foi nenhum monstro, tudo o que ela fez foi com a anuência da sociedade, pois tinha representatividade social. Que não atire pedras na ditadura quem não tem o direito de fazê-lo. Eu tenho.


segunda-feira, agosto 25, 2003
 
Nasci em São Paulo e nesses quase 25 anos de vida não passei mais do que dois meses ininterruptos longe desta cidade.
Segue um poema do Pablo Neruda, e um vento que eu queria encontrar.


Vento é um cavalo:
ouve como ele corre
pelo mar, pelo céu.

Quer me levar: escuta
como ele corre o mundo
para levar-me longe.

Esconde-me em teus braços
por esta noite erma,
enquanto a chuva rompe
contra o mar e a terra
sua boca inumerável.

Escuta como o vento
me chama galopando
para levar-me longe.

Como tua fronte na minha,
tua boca em minha boca,
atados nossos corpos
ao amor que nos queima,
deixa que o vento passe
sem que possa levar-me.

Deixa que o vento corra
coroado de espuma,
que me chame e me busque
galopando na sombra,
enquanto eu, protegido
sob teus grandes olhos,
por esta noite só
descansarei, meu amor.




sexta-feira, agosto 22, 2003
 
Bem que eu gostaria de estar escrevendo mais, e visitando mais blogs, mas tá difícil.
Primeiro, meu cpu deu um pau gigantesco, e o suporte técnico do UOL me disse que o único jeito é reinstalar o windows. Ou seja, nada de acessar de casa.

Segundo, estou desempregado, na rua da amargura, com uma mão na frente e outra atrás. Ou seja, tirando o melodrama, nada de acessar do trabalho.
Hoje estou aqui, numa tal de "Yes Net", "o seu escritório virtual". Lugar simpático.



segunda-feira, agosto 18, 2003
 
Sempre tive muita raiva da polícia. Quando eu tinha uns 13 anos e comecei a frequentar estádios de futebol foi que nasceu este ódio (sim, chegou a ser um verdadeiro ódio). Eu os via não só como animais truculentos despreparados para o trato com o público, mas também como inimigos, outra turma uniformizada diferente da minha.

A percepção foi amadurencendo com o tempo, mas o ódio continuou o mesmo, mudando apenas as razões: a discriminação social, a selvageria nas periferias, as torturas em bandidos e presidiários, os assassinatos puros e simples.

Outro dia andava pela rua e vi um PM conversando com um taxista sentado em seu ponto. Ouvi, de passagem, um pedaço do diálogo. O PM contava sobre uma mulher, sua mulher, que havia pedido não-sei-o-quê do supermercado. O taxista retrucou com algum comentário sobre sua própria esposa.

Foi uma das poucas vezes em que foquei meu olhar além da farda de um PM e vi o homem por trás. Constatei o óbvio, que julgo tão óbvio a ponto de me irritar com pessoas que não o constatam em outros exemplos, como os políticos: o PM, a Polícia Militar truculenta, injusta, assassina, somos nós. O Congresso, os políticos corruptos, somos nós. Os cartolas do futebol, e os nossos campeonatos bagunçados, somos nós. Os presidentes das comissões de formatura somos nós.


quarta-feira, agosto 13, 2003
 
Momento político (haha, essa é uma seção do meu blog)

De onde foi que esses governadores tiraram a idéia de dividir a CPMF entre deus e todo mundo? Que eu saiba, o projeto da reforma tributária nao previa nada nem perto disso. Os caras tiraram da cartola! Assim não pode, assim não dá.


segunda-feira, agosto 11, 2003
 
Espírito Santo

Não sei nem como começar. Pensei em escrever um monte de coisas sobre essa viagem, esses quatro dias que eu passei em Vila Velha, na Grande Vitória. Mas não sei como começar. Quero escrever bastante pare servir de registro para mim, por isso essa longa leitura não será muito interessante para você. Leia por sua conta e risco.
Amigo Régis, adianto o seguinte: o Vital nos espera!!


- A casa e as pessoas

Fiquei na casa de uma amiga dos tempos de colegial de uma grande amiga minha. Eu não a conhecia. Minha amiga disse-me na quarta que estava indo para Vitória ficar na casa de uma amiga e na quinta eu entrava em um ônibus com o mesmo destino. Ambiente familiar, com mães, filhas, filho, neto... O pai mora na França, a trabalho, mas estava presente todos os dias através da uma webcam, uma caixa de som e um microfone. Até eu o conheci, enviei-lhe um aceno encabulado, de jeca-tatu, sem saber ao certo como me portar diante daquela câmera apontando para mim enquanto um senhor, de óculos e bigode, do outro lado do monitor, olhava para a minha cara de tonto, para sua casa e sua esposa no mesmo quadro virtual.
Mas o fato é que eram todas grandes pessoas e me fizeram sentir à vontade.


- Andando com mulheres

Andávamos por lá eu, minha amiga, a amiga da minha amiga e a irmã da amiga da minha amiga. Às vezes aparecia outra amiga com o namorado, só às vezes.
É estranho andar só com mulheres. Não tem nada a ver com uma viagem com homens, amigos. Nesses períodos de convívio intenso é que me impressiono com as diferenças entre os genêros. Não é à toa que os homens julgam o universo feminino misterioso e indecifrável, ele é completamente distinto do nosso e tudo o que podemos fazer para compreendê-lo é observar exaustivamente. Considerando que as pessoas a todos os momentos, e a cada momento, usam máscaras, ou padrões de comportamento social adequados a cada situação que anuviam o que elas pensam ou sentem de fato, tudo o que podemos fazer para explorar o universo feminino é tatear às cegas objetos de natureza desconhecida. Assim não é fácil conhecer nada a fundo.
Na prática, enquanto as moças se demoravam escolhendo a melhor blusinha para aquela ocasião, ou decidiam quem levaria a bolsa que todas dividiriam na noite, eu ficava fumando na janela, de calça e camiseta, ruminando o jeito como elas haviam falado sobre homens na praia havia quatro horas. A maneira como uma delas falava do ex-namorado, as coisas que ela fez por ele e com ele, o modo como ela via o que ele fez com ela. Faltam-me anos de observação até que eu entenda as mulheres.


- Mas que diabo eu penso que sou?

Não sei se você já percebeu, se você me conhece pessoalmente você sabe, eu sou meio louco. E acho que está piorando. Parece uma leve esquizofrenia. Cada vez mais enxergo o mundo como um simples e enorme objeto de análise. Sento o Universo em meu divã e o interrogo, a todo tempo, com a grandeza que não tenho (e daí a esquizofrenia), como um analista frio e maluco, que se julga possuidor da capacidade de entender, decifrar e reduzir a regras e números todos e tudo. Quanto a mim, sou nada, não faço parte do mundo, apenas o observo.
Em Vitória, exercitei essa minha loucura megalomaníaca como nunca, querendo encontrar conhecimento passível de generalização no menor ato de qualquer pessoa. Creio que fui influenciado por Humbert Humbert, erudito e doente europeu que é o autor-personagem de "Lolita".


- Lolita
Você já leu "Lolita", de Vladimir Nabokov? O livro caiu na minha mão semana passada e foi comigo para Vitória. E é muito bom. O autor escreve de um jeito tão empolado que à primeira vista parece deboche, ou escárnio barato, ou arrogância patética. Mas não é que em pouco menos que vinte páginas eu já estava absolutamente encantado pelo estilo, pela personalidade, pela patologia e até pela arrogância do autor-personagem (Nabokov escreve o livro em primeira pessoa, mas o narrador é uma personagem que relata suas memórias). Ele se escancara ao máximo para o leitor e sua demência é singular e pitoresca, portanto muito interessante.
Leia o livro, é legal, saiu agora na coleção Biblioteca Folha, sabe?
Voltando à viagem, eu estava a todo momento com esse livro nas mãos, na praia, em frente à TV, no quarto onde eu dormia. As reflexões que ele me trouxe fizeram parte da viagem.


- Obviedades sobre Vitória e urbanística (leitura não recomendada)

Vitória não é, ao contrário do que eu imaginava, uma versão menor do Rio de Janeiro. Analogamente, os capixabas não são uma versão abrandada dos cariocas. Não me olhe estranho, eu tinha que imaginar algo sobre o lugar e as pessoas.
A Grande Vitória é composta por cidades de porte semelhante, como Vitória, Via Velha, Cariacica, Serra... Não é como a Grande São Paulo, onde o núcleo é indiscutivelmente a capital e os outros munícipios se aglutinam em volta. A Grande Vitória se estende pela orla, sem um núcleo definido. Vila Velha não fica próxima à periferia de Vitória, como acontece com Guarulhos e São Paulo, por exemplo.
Vitória, cidade portuária, abriga o centro econômico e político do Estado; Vila Velha, onde eu estava, é um balneário, espécie de Guarujá ampliado, para quem possui referências de SP.
Isso me fez pensar em questões urbanísticas: cidades litorâneas formam-se não raras vezes em duplas: Santos-Guarujá, Vitória-Vila Velha, Rio-Niterói, Recife-Olinda, Florianópolis-São José. Creio que os recortes costeiros, com baías, ilhas, enseadas e afins, influem para que isso aconteça. Em áreas onde o mar não demarca fronteiras, é mais comum que a conurbação aconteça de forma nuclear, as cidades vão se expandindo para todos os lados, e novas faixas de ocupação vão se criando em volta do centro, formando zonas como a Grande São Paulo, a Grande Belo Horizonte e a Grande Curitiba.
Ei, eu avisei que eram obviedades, você leu porque quis.


- As praias e as baladas

Conheci poucas praias, a maioria urbanas. São bonitas, mas nada muito maravilhoso, talvez por serem urbanas. A cor da água é linda, esverdeada, e bem limpa.
Balada lá é "rock", até saiu uma foto nossa no site www.ondetemrock.com.br, hehe. São legais.


sexta-feira, agosto 08, 2003
 
O Roberto Marinho morreu.
Já foi tarde.


quarta-feira, agosto 06, 2003
 
Este blog anda meio abandonado. Não será agora que retomarei um ritmo satisfatório. Estou indo para Vitória (ES)! Talvez escreva de lá. Se não, até segunda!


segunda-feira, agosto 04, 2003
 
Eu vi de novo a jóia reluzente. Quanta diferença da última vez! "Not a big deal", sentenciou meu amigo que gosta de falar em inglês.



quinta-feira, julho 31, 2003
 
Um poema de Cruz e Souza, poeta brasileiro do começo do século 20.


Acrobata da dor

Gargalha, ri, num riso de tormenta,
como um palhaço, que desengonçado,
nervoso, ri, num riso absurdo, inflado
de uma ironia e de uma dor violenta.

Da gargalhada atroz, sanguinolenta,
agita os guizos, e convulsionado
Salta, gavroche, salta clown, varado
pelo estertor dessa agonia lenta...

Pedem-te bis e um bis não se despreza!
Vamos! retesa os músculos, retesa
nessas macabras piruetas d'aço...

E embora caias sobre o chão, fremente,
afogado em teu sangue estuoso e quente,
Ri! Coração, tristíssimo palhaço.


terça-feira, julho 29, 2003
 
É pesado o fardo do homem.


sexta-feira, julho 25, 2003
 
"E então fui pegar um ônibus. Sábado à tarde, um puta e causticante sol e a promessa de um um bom chopp e de boas risadas com os amigos, no grande e aprazível Genésio.
Cheguei no ponto e vi a garota com os olhos azuis mais bonitos do mundo. Não conseguia parar de olhar, ela olhou, eu continuei olhando, ela também, até que ambos rimos, você tem olhos lindos, obrigada, meu nome é Cris, o meu é Caio.
Pegamos o mesmo ônibus e ela vem e senta do meu lado e fala que trabalha num estúdio de tatoo e me mostra uma fada linda em seu ombro, eu mostro o yng-yang estilizado no meu ombro.
Vital Brasil, hora dela descer, dou meu número de telefone, ela se vai.
E quando ela não liga nos dias seguintes, fica tudo tão chato."

Gostou? Tem mais aqui


 
Nada contra os cariocas, mas PIZZA COM CATCHUP, NÃO!!!


 
OS EUA estão enviando tropas e navios para a Libéria. Nessas horas eu agradeço por existir uma superpotência. Seria tão bom se eles fossem mais bonzinhos...


quarta-feira, julho 23, 2003
 
Quem não liga pro assunto não vai dar a mínima, e acho que quem se interessa também não, mas eu quero escrever aqui que eu acertei os resultados das três últimas reuniões do Copom para redefinir a taxa básica de juros.

Ontem eu até ia escrever aqui que eu achava que iriam baixar em 1,5%, mas saí meio correndo para um jogo de futebol e não deu tempo. Hehe, você tá pouco se fodendo para isso, mas esse blog é meu e eu escrevo o que quero.


terça-feira, julho 22, 2003
 
Um fim de semana em Botucatu

A cidade é bonita. Quer dizer, eu também me contento com pouco. Sei que era possível andar pela cidade e ver o final dela. Aqui em São Paulo você nunca vê o fim da selva de pedra, a cidade te engole e seu horizonte se estreita com tantos prédios. Lá, não. Em uma rua mais alta, é possível ver onde a cidade acaba e começa o verde, o espaço vazio e natural. Gostei bastante. Mas de tranquila e pacata a cidade e a viagem não tiveram nada.

Fui para um casamento, de uma tia de um amigo de um amigo meu. Não prestigiei a cerimônia, apenas o churrasco que teve depois. Chegando lá, fui apresentado para a noiva, que não estava de branco e tem 31 anos. Disse eu, logo de cara: "ah, a senhora é a mãe da noiva? Meus parabéns". Nossa, foi uma das maiores gafes da minha vida. "Ele está brincando", tentou consertar uma sobrinha da moça. Eu não sabia onde enfiar a cara.

Minutos depois conheci a senhora mãe da noiva. Uma mulher de uns 65 anos, loira, bêbada e de olhos azuis. Mãe de 11 filhos, 10 com homens diferentes. Exagerou um pouco nas gentilezas de praxe e momentos depois estava dançando com a gente, um bando de caras entre 18 e 25 anos. Começo a notar que a senhora dança com o corpo próximo demais do meu. E começa a me olhar com uma cara estranha, de loba.

- Ei, cara, sua vó tá meio estranha

- Fica esperto, cara; ela tá querendo te catar.

Meu deus, que pique tem a senhora. Claro que tirei meu time de campo, nunca vi situação mais pitoresca.

À noite, fomos para uma danceteria da cidade, o Café Iguana. Lugar agradável, música aceitável, a noite transcorre bem. Na saída, um amigo fica retido pelos seguranças do lugar em virtude de um problema na comanda. Consideravelmente alcoolizado, não entendo bem o que está se passando e deixo o local, a caminho do nosso carro. 5h20 da manhã. Um amigo, o dono do carro, vem atrás de mim dizendo que não sabe o que fazer, pois não querem liberar nosso amigo a não ser que ele pague por algo que supostamente não consumiu. Sugiro pegarmos o carro e irmos para a frente da danceteria, e então tentarmos falar com o dono ou gerente, ou algo assim.

Quando estamos entrando no carro surge um homem exibindo uma pistola na cintura:

- Ei, não entra no carro não, espera aí.

Obedecemos, naturalmente. Já estava levantado os braços, ensaiando um "calma, não atire, pode levar tudo" quando o rapaz se apresenta como policial e diz estar atrás dos filhos da puta que roubaram duas rodas do nosso carro. Uma viatura já seguia para o local. Só então nos demos conta da falta das duas rodas. O que fazer? Chamar o seguro? Fazer B.O.? Decidimos ir, primeiro, resgatar nosso amigo preso na danceteria.

Chegando lá, bato na porta e o segurança abre. Meu amigo com uma cara de pavor, pedindo peloamordedeus pagaessamerda, o quantoelespedirem, porfavor!! Bêbado e indignado, tento discutir com o segurança, que fecha a porta na minha cara. Eu abro a porta de novo. Ele diz que não tem conversa, ou paga ou o cara não sai, e fecha a porta de novo. Eu abro a porta de novo e digo que isso é contra a lei. Ele tira um spray de pimenta do bolso e atira nos meus olhos. Na hora não ardeu:

- Você pensa que pode me parar com essa merda?

- Ah, não posso?

Com o sol a brilhar o dia, saio correndo com o segurança atrás, me dando socos e pontapés. Meu amigo apanha junto.

Então meus olhos começam a arder e eu já não enxergo mais nada. Chega a viatura de polícia, a nossa salvação. Eu volto à porta da danceteria, com duas cachoeiras, uma nascente em cada olho, e abro a porta de novo. O segurança aparece e eu corro para a viatura. O segurança me esbofeteia na frente do PM:

- Você não vai fazer nada?

- Olha, esse cara é polical civil, ele tá fazendo bico aí no Café Iguana. A gente não se dá muito bem com a Civil, não posso fazer nada.

Meu amigo, frio e ponderado, argumenta que pelo menos o PM poderia resgatar o outro que está preso lá dentro, já que isso se constitui em cárcere privado, o que é contra a lei.

- Rapaz, esfria a cabeça e paga o que eles estão pedindo, é o melhor que você pode fazer.

Se o problema não tem solução, solucionado está. Ele paga o que pediram e chamamos o guincho. Quase 7h da manhã, desistimos do B.O.

À espera do guincho, meu amigo dono do carro arcando com um enorme prejuízo, meu amigo que ficou preso com a mão na cabeça, massagenado o lugar em que tomou as maiores pancadas lá dentro, e eu com o rosto cor de sangue e os olhos numa piscina ardida, riamos todos da própria desgraça. De toda essa merda que aconteceu, o que mais me marcou foram esses momentos na rua ensolarada, em que ríamos da própria desgraça. Nada nem ninguém conseguiu tirar nossa alegria. Fiquei muito contente de poder rir num momento como esse. E muito feliz de ter amigos que puderam rir também.


sexta-feira, julho 18, 2003
 
1 - Alguma coisa está fora de ordem

Notícia 1 - Lucro dos bancos cresce 20% no terceiro trimestre de 2002

Notícia 2 - Renda na indústria despenca 6,5% em um ano, diz IBGE

As duas notícias não são referentes exatamente aos mesmos meses, mas o quadro permanece inalterado. Se o lucro dos bancos não pára de crescer e o setor produtivo não pára de se retrair, claramente há um desequilíbrio na conjuntura econômica. Em outras palavras, os bancos estão enchendo o cu de dinheiro enquanto o resto do país luta para tirar o pé da lama.

2 - Estou indo para a bela e pacata Botucatu (SP). Depois de trabalhar por dois fim de semanas seguidos, vai ser muito bom usufruir da paz e tranquilidade interiorana.


quinta-feira, julho 17, 2003
 
Você chegou a ver isso?




A notícia está aqui. Trata-se de uma casa no complexo da Maré, Rio de Janeiro, que ficou no meio de um tiroteio entre traficantes por seis horas e foi alvejada com 113 projéteis. A polícia militar, que por sinal mantém um posto a 200 metros do local, chegou 13 horas depois. Uma pessoa morreu. Um trechinho da repotagem:

"Os seis policiais do Posto de Policiamento Comunitário, que fica a 200 m do local do tiroteio, não interferiram nem pediram reforço aos 250 homens que estavam no batalhão de madrugada.
O tenente que se identificou como Souza, responsável pelo posto ontem à tarde, disse que o barulho dos tiros não deve ter sido ouvido pela equipe de plantão durante a madrugada. Ele minimizou o acontecimento: "Não foi assim como o pessoal está falando. Deram uns tirinhos, que sempre tem, aqueles rotineiros".

A reportagem não cita e nem ouviu o dono da casa metralhada. Enquanto, meu amigo, esse tipo de coisa acontecer e não nos significar nada, não temos o direito moral de ficarmos indignados com a morte de uma menina na universidade Estácio de Sá. NÃO TEMOS O DIREITO, ENTENDEU?


 


E o pior é que, se a Erundina não se candidatar, é para essa perua aí que vai o meu voto. E espero que o seu também!


 
Por que não enfiou no cu?

Vai chegando o fim do mês e eu vou ficando sem dinheiro. Neste julho, em específico, a situação está mais preocupante que o normal. Ontem, voltando do trabalho para casa, portando nos bolsos 30 reais que não me pertenciam, decidi parar em um bingo na rua Augusta. Eu não entrava em um há mais de um mês e, não é conversa de jogador, eu de fato costumava ganhar com razoável frequência em um determinado tipo de máquina caça-níquel.

Em menos de 20 minutos perdi a grana.

P.S. - os comentários dos últimos posts têm sido uma atração à parte. Valeu!


terça-feira, julho 15, 2003
 
Confissões de adultescente:

- preciso sair menos

- preciso fumar menos

- preciso beber menos

- preciso começar a estudar pro vestibular se realmente quero entrar em economia


 
Coisas que eu gosto que causam certa surpresa em certas pessoas:

- Música e shows de axé

- Pegar ônibus

- Andar a pé de madrugada


domingo, julho 13, 2003
 
Avenida Paulista, ontem, por volta das 22h. Frio cortante. Na calçada, em uma esquina, meio sem rumo, um mendigo segurando um cão pela coleira me aborda, apontando para o céu e para dois colegas seus:

- Sangue bom, por favor, um minuto da sua atenção.
- Opa, fala aí.
- Olha como tá frio, nóis tudo aqui tá com muito frio. Eu não queria mentir pra você...
- Você quer dinheiro pra comprar uma pinga?
- É, eu não queria mentir para você, nóis aqui tamo fazendo uma vaquinha pra comprar umas dosinhas. Você pode contribuir? Se eu falar pra você que é pra comprar pão é mentira.

Tirei do bolso o troco do cigarro que eu acabara de comprar, 75 centavos, e dei ao homem. A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte.


sábado, julho 12, 2003
 
Não vejo motivos para não publicar belas fotos de belas mulheres aqui. É bom e eu gosto.




 
Você sabia?

A cidade de São Paulo recebeu 80,6% (R$ 919,2 milhões) do total emprestado pelo BNDES à prefeituras de janeiro do ano passado a junho deste ano.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u78320.shtml


sexta-feira, julho 11, 2003
 
Li esse poema do Shakespeare e pensei em meus avós. É útil imaginar que um dia poderei sentir assim.


Quando vejo que tudo quanto cresce
Só é perfeito por um breve instante
E que o palco dos homens se oferece
Aos desígnios dos astros mais distantes;

Quando o céu que ora aplaude ora reprova
Homem e planta em pleno crescimento
Vêem findar-se a seiva e a ainda nova
Glória que tinham cai no esquecimento;

À luz de tão instável permanência
Aos meus olhos mais moço te anuncia,
Embora juntos, Tempo e Decadência

Queiram mudar-te em noite o claro dia:
- Então, por teu amor, o tempo enfrento
- E quanto ele te rouba, te acrescento.


segunda-feira, julho 07, 2003
 
Confesso que fiquei triste com a derrota de São Paulo para o Rio de Janeiro na disputa pela vaga de concorrente do Brasil na disputa para ser sede da Olimpíada de 2012. Vou torcer pela cidade maravilhosa agora, mas com uma pontinha de inveja indescupável no fundo da alma.


 
Finalmente tomei vergonha na cara e coragem para ler "O Capital", ainda que seja uma versão reduzida.

Acho que todo mundo que se interessa por ciências humanas deveria ler este livro. É muito interessante, depois de ler tantos textos que beberam desta fonte, ter contato com o original, ver como dali foram surgindo interpretações, análises, que se somaram a outros estudos, outras teorias.

Não vou querer comentar o conteúdo. Tanta gente capacitada já o fez, o que eu poderia acrescentar? Mas digo que fiquei agradavelmente surpreso com a qualidade da retórica, com a riqueza e complexidade da linguagem. Parece um literato escrevendo, esse Karl Marx. Segue um pedaço:

"Os socialistas acolheriam com entusiamo a limitação das horas de trabalho. As horas extenuantes empregadas em enriquecer os capitalistas poderiam ser utilizadas então em benefício da ação política e da propaganda socialista, a que é fisicamente refratário o operário que passa doze ou quinze horas nos presídios industriais. A desdita, a penúria, a grande miséria, o padecimento constante, longe de excitar os ânimos e reanimar os espíritos, deprimem as inteligências e abatem o valor, criam a prostração e não a fogosidade."


domingo, julho 06, 2003
 
Noite de domingo e eu trabalhando. A melancolia desse dia ultimamente tem até contaminado minha noite de sábado.


sexta-feira, julho 04, 2003
 
Navegando por aí, encontrei algo interessante:

“Um feirante relata que sempre que voltava da feira satisfeito por ter vendido toda sua mercadoria, dizia a seus vizinhos que o dia tinha sido um fracasso. Assim dormia feliz... e seus vizinhos também.

Quando não vendia nada e voltava acabrunhado, dizia a seus vizinhos que o dia fora um sucesso, vendera tudo e estava cheio de dinheiro. Assim ia dormir com muita raiva .... e seus vizinhos também.”


 
Hehe, não sei se você viu a mensagem de um cara chamado "Caioto" no post ali de baixo. Entre outras coisas, ele pergunta se eu nao vou linkar o blog dele, conforme eu havia dito que iria. Bom, o blog dele é o Andróide Paranóide e vale uma calma leitura na primeira vez que se entra e um acompanhamento regular a partir de então. Vou linkar daqui a pouco.


quinta-feira, julho 03, 2003
 
Ontem fui ao cinema sozinho. Assisti a "O que fazer em caso de incêndio", um filme alemão aí, legalzinho. Vale ser assistido porque é rodado em Berlim, cidade pouco conhecida por nós, brasileiros, então pode-se aprender coisas novas.

Sempre que termino um namoro passo a frequentar bem mais o cinema, a maioria das vezes sozinho, mas também acompanhado. Eu gosto muito de ir sozinho. O que mais me delicia é andar na região da avenida Paulista de cinema em cinema, analisando quais filmes estão à disposição e em quais horários. Daí, escolho o que melhor me convir, sem ter que ceder nem em um milímetro a vontades outras que não a minha. Eu sou tarado por liberdade.

Outra coisa legal de ir ao cinema sozinho é que eu sempre me envolvo mais com o filme. Afinal, fica-se duas horas lá dialogando unicamente com aquela história, toda a atenção voltada para ela, dá para pensar, sentir e absorver muito mais do que com uma companhia ao lado.


 
Pensamentos pré-almoço

- Sensacional o Lula colocando o boné do MST. Sensacional o MST.

- Chupa Santos.

- Ontem eu saí. Foi bem interessante. Fomos apenas eu e mais um amigo. Às 3h da manhã éramos só nós dois em uma rua que só leva este nome porque eu sou bonzinho.


quarta-feira, julho 02, 2003
 
Desconforto

Muita gente que eu conheço pessoalmente tem lido este blog de vez em quando. São todos bem-vindos. Inevitavelmente, porém, isso tira um pouco da minha liberdade ao escrever. Acho que todo blogueiro deve sentir isso em algum momento.

No começo ninguém lê ou escreve no seu blog e você espera que ele tenha mais visitas. Daí, com o tempo, você começa a ouvir comentários e perguntas do tipo, "ô, aquilo que vc escreveu é sobre fulano?", ou "vi o que você escreveu. Não é por causa daquilo, é?". Então fica difícil. Quando comecei com este blog, imaginava escrever tudo o que quisesse, e hoje em dia já me vejo pensando duas vezes se o que eu vou escrever não vai me causar problemas.


 
Alarme falso, os descontos no meu salário continuam em 200 reais, ufa!


terça-feira, julho 01, 2003
 
44,4% dos negros de São Paulo e Rio de Janeiro são indigentes

Boa notícia né?

Você já reparou na letra dessa música, dos Racionais? Seguem alguns trechos. Ela é gritada, reclamante, incendiária.


Capitulo 4 Versículo 3

60% dos jovens de periferia sem antecedentes
criminais já sofreram violência policial;
a cada 4 pessoas mortas pela polícia, 3 são negras;
nas universidades brasileiras, apenas 2% dos alunos são negros;
a cada 4 horas um jovem negro morre violentamente em São Paulo;
aqui quem fala é Primo Preto, mais um sobrevivente.

Minha intenção é ruim, esvazia o lugar!
Eu tô em cima, eu tô a fim, um dois pra atirar!
Eu sou bem pior do que você tá vendo
O preto aqui não tem dó, é cem por cento veneno!
A primeira faz "bum!", a segunda faz "tá!"
Eu tenho uma missão e não vou parar!
Meu estilo é pesado e faz tremer o chão!
Minha palavra vale um tiro, eu tenho muita munição!
Pra detonar minha ascenção, minha atitude vai além!
E tem disposição pro mal e pro bem!
Talvez eu seja um sádico ou um anjo
Um mágico ou juiz, ou réu
Um bandido do céu!
Malandro ou otário, padre sanguinário!
Franco atirador se for necessário!
Revolucionário ou insano. Ou marginal!
Antigo e moderno, imortal!
Fronteira do céu com o inferno!
Astral imprevisível, como um ataque cardíaco do verso!
Violentemente pacífico!
Verídico!
Vim pra sabotar seu raciocínio!
Vim pra abalar o seu sistema nervoso e sanguíneo!

Rolou dois manos,
um acenou pra mim,
de "jaco" de cetim
de tênis, calça jeans.
"Hey Brown, sai fora, nem vai, nem "cola"!
Não vale a pena "dar idéia" nesse tipo aí.
Ontem à noite eu vi, na beira do asfalto
tragando a morte, soprando a vida pro alto!
Ó os caras só pó pele e osso, no fundo do poço,
E mais flagrante no bolso!"
Veja bem, ninguém é mais que ninguém, veja bem,
veja bem e eles são nossos irmãos também.
"Mas de cocaína e crack, whisky e conhaque,
os manos morrem rapidinho sem lugar de destaque!"
Mas quem sou eu pra falar de quem cheira ou quem fuma
nem dá...
Nunca te dei pôrra nenhuma!
Você fuma o que vem, entope o nariz!
Bebe tudo que vê!
Faça o diabo feliz!
Você vai terminar tipo o outro mano lá, que era preto tipo A
Ninguém "entrava numa", mó estilo!
De calça "Calvin Klein", tênis "Puma"
É... o jeito humilde de ser, no trampo e no rolê.
Curtia um funk, jogava uma bola,
buscava a preta dele no portão da escola.
Exemplo pra nós, maior moral, "mó" IBOPE!
Mas começou "colar" com os branquinhos no shopping,
"Ai já era"...

Tem uns 15 dias atrás eu vi o mano...
Cê tem que ver, pedindo cigarro pro "tiozinho" no ponto
Dente todo "zoado", bolso sem nem um conto!
O cara cheira mal, cê ia sentir medo!
Muito louco de sei lá o quê, logo cedo!
Agora não oferece mais perigo:
viciado, doente e fudido, inofensivo!

Quatro minutos se passaram e ninguém viu,
O monstro que nasceu em algum lugar no Brasil!
Talvez um mano que trampa debaixo do carro sujo de óleo,
que enquadra um carro forte na febre, com sangue nos olhos!
O mano que entrega envelope o dia inteiro no sol
ou o que vende chocolate de farol em farol!
Talvez o cara que defende o pobre no tribunal,
ou que procura vida nova na condicional.
Alguém no quarto de madeira, lendo à luz de vela,
ouvindo o rádio velho, no fundo de uma cela!
Ou da família real de negro como eu sou,
um príncipe guerreiro que defende o gol!

E eu não mudo, mas eu eu não me iludo:
os mano "cu de burro", tem, eu sei de tudo!
Em troca de dinheiro e um carro bom
tem mano que rebola e usa até batom!
Vários patrícios falam merda, pra todo mundo rir!
haha! pra ver branquinho aplaudir!
É... na sua área tem fulano até pior!
Cada um, cada um,
você se sente só!
Tem mano que te aponta uma pistola e fala sério,
ou explode sua cara por um toca fita velho!
click! plau! plau! plau! e acabou!
Sem dó e sem dor
Foda-se sua cor!
Limpa o sangue com a camisa e manda se fuder!
Você sabe porque, pra onde vai, pra quê.
Vai, de bar em bar, de esquina em esquina,
pegar 50 contos, trocar por cocaína.

Foda é assistir a propaganda e ver,
não dá pra ter aquilo pra você,
playboy "forgado" de brinco, um trouxa,
Roubado dentro do carro na Avenida Rebouças!
Correntinha das moças,
Madame de bolsa
Dinheiro: Não tive pai, não sou herdeiro.

Se eu fosse aquele cara que se humilha no sinal, por menos de um real,
minha chance era pouca,
Mas se eu fosse aquele moleque de touca,
Que engatilha e enfia o cano dentro da sua boca,
"de quebrada", sem roupa,
você e sua mina, Um, dois! Nem me viu! Já sumi na neblina!

Mas não...
Permaneço vivo, luzindo a mística!
27 anos contrariando a estatística!
O seu comercial de TV não me engana,
HÃ! Eu não preciso de status nem fama.
Seu carro e sua grana já não me seduz,
E nem a sua puta de olhos azuis!
Eu sou apenas um rapaz latino americano
apoiado por mais de 50 mil manos!
Efeito colateral que seu sistema fez,
Racionais, capítulo 4 versículo 3!




segunda-feira, junho 30, 2003
 
Meus acentos voltaram, com uma ajuda da minha amiga Ceres.

Podem me chamar de machista (quem me conhece bem sabe que eu sou o exato oposto disso), mas eu acho que mulheres possuem a cirrosa mania de dizer coisas que não têm o direito de dizer, principalmente quando tomadas pelo ciúmes. Claro, claro, não são todas.