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Quinta-feira, Dezembro 07, 2006
Julio Julio, 23, passou seis meses na Inglaterra. Lá conheceu uma norueguesa, Ellen, menina do mundo, curiosa, estava em Londres, tinha estado em Tóquio, em Sidney, em Moscou, em Lima. Os dois cultivaram uma amizade forte, talvez até mais do que isso, e Julio voltou para casa. Seis meses depois, a amiga veio a São Paulo matar as saudades e olhar o Brasil. Ele era só alegria, queria mostrar tudo. Foram ao litoral, aos bares, aos shows, às feiras. Em uma noite, voltavam para casa de ônibus, em conversa animada pela bebida e pela alegria sincera que compartilhavam por estarem ali. Entraram quatro garotos no coletivo. Negros, com roupas velhas, sujas, de chinelos, naquele frio. Destoavam demais do resto dos passageiros, a Ellen pareceram recém-desembarcados da África. Entraram pela porta de trás, correndo, sem querer pagar a passagem. O cobrador ficou bem bravo, "Pode descer todo mundo! Que negócio é esse? Vocês sabem como é o esquema, sempre pegam o ônibus. Entra pela frente e no final pode passar por baixo. Vocês sabem como funciona, não precisa zuar o ônibus!". Os garotos, o mais novo com uns sete, o mais velho por volta dos 11, tiveram que sair, mas dois se esconderam atrás dos bancos, no chão, que nem dois marginalzinhos. Ficaram lá, encolhidos, até o cobrador sair de sua cadeira e obriga-los a descer e entrar pela frente. Eles continuaram agindo como aliens, gritando, fazendo uma confusão para passar por baixo da catraca, atrapalhando o resto dos passageiros. Julio olhou o relógio, viu o adiantado da hora e lembrou-se de quando tinha seus onze anos e queria porque queria voltar de ônibus sozinho do colégio, em Cerqueira César, para casa, em Perdizes. Foi um custo para a mãe deixar. Ellen, perguntadeira, falou, apontando os garotos: - So, what do you say about all this? E ele respondeu: - How can I say anything? I was born rich. Quinta-feira, Novembro 23, 2006
Estive na av. Paulista no dia em que o Lula venceu a eleição. Quanta diferença em relação a 2002. De 100 mil pessoas, passamos para 5 mil. Ao meu lado, no meio da avenida, no asfalto, estava Delúbio Soares, recebendo abraços e apoios comedidos. Agora chega de falar de política. Sexta-feira, Setembro 15, 2006
Eleições 2006 Digitando "ctrl f" nesta página e buscando as palavras "Lula" e "PT" é fácil descobrir quais são minhas tendências políticas e também o quanto eu gosto e me envolvo com o assunto. Se, até agora, eu não escrevi nada sobre a atual eleição, é porque fui, como muitos, abatido por desesperança e desgosto. Meu votos irão para Heloisa Helena, Plínio de Arruda Sampaio e Eduardo Suplicy. Os deputados ainda não decidi. Desconsiderando as decepções materiais, porém, sigo firmemente acreditando que a reeleição de Lula é a melhor opção possível que temos. É ainda a corrente de peso mais à esquerda que temos. E em nada deixei de acreditar nesta parte do espectro. Se me vejo obrigado a seguir apoiando quem já não correspondeu devidamente às minhas esperanças depositadas, não podem ser eles os únicos culpados deste triste quadro. Somos nós. Todos nós. Não são diferentes os políticos dos dentistas. Não haveria como serem. Segunda-feira, Setembro 04, 2006
Os Novos Baianos Fui apresentado à música dos Novos Baianos há cerca de quatro anos. Fui cada vez mais me apaixonando pelo lirismo tão hippie, brasileiro, baiano, sorridente e canábico. Como foi rico o que se produziu em termos culturais nos anos 70. Como me identifico com as idéias da época. Claro que não com todas as idéias da época, as dominantes, as das donas de casa. De qualquer forma, a (letra da) música que segue abaixo, "Mistério do Planeta", traduz o que sou e desejo ser de uma maneira tão clara quanto jamais fui capaz. E olha que eu já tentei bastante. Dá uma olhada e, se se interessar, conheça o disco (tem na Rádio UOL, por ex) em que ela se encontra, "Acabou Chorare". É lindo, é brilhante. Se a mensagem que ele passa fosse seguida por 30% da humanidade, não sei se seria possível a filmagem de "Cidade de Deus". Mistério do Planeta Vou mostrando como sou E vou sendo como posso Jogando meu corpo no mundo Andando por todos os cantos E pela lei natural dos encontros Eu deixo e recebo um tanto E passo aos olhos nus Ou vestidos de lunetas Passado, presente Participo sendo O mistério do planeta O tríplice mistério do stop Que eu passo como sendo ele No que fica em cada um No que sigo o meu caminho E no ar que fez, que assistiu, Abra um parêntese, Não se esqueça Que independente disso Eu não passo de um malandro De um moleque do Brasil Que peço e dou esmolas Mas ando e penso sempre Com mais de um Por isso ninguém vê minha sacola Domingo, Agosto 13, 2006
Uma mensagem clara, ponderada, aparentemente escrita por advogados, em defesa do estado de direito. Um chamamento para a legalidade, para a observância dos preceitos constitucionais. A sociedade paulista amargou nesta madrugada de sábado para domingo um puxão de orelha de um bando de criminosos, na maior televisão do Brasil. 3min38s no ar, de graça, no espaço mais caro da mídia do país. É para se pensar. Eu, particularmente, morri de vergonha. Sábado, Agosto 12, 2006
Sobre as cenas do próximo capítulo de um post lá embaixo, a situação acabou bem, só as partes boas aconteceram, os ônus mandaram lembranças.
Quando fui deixando de escrever neste blog, tinha uma sensação de que já havia dito tudo o que havia se acumulado até então. Tinha coisas a dizer, as disse, e fui naturalmente deixando o blog para trás. Agora que retomei o hábito, sinto de novo voltarem os temas à minha cabeça, a vontade de colocar as idéias aqui. É verdade que a grande maioria delas vêm e vão sem que eu as registre. Mas há a vontade de escrever, e eu sei que elas voltam, cedo ou tarde, mesmo que mudadas. Por ora, acabo de assistir ao documentário Vinícius. Muito bom, não uma grande obra cinematográfica, mas um filme sobre um personagem muito interessante e muito bonito, e que consegue retrata-lo satisfatoriamente. Queria deixar um poema dele aqui, chamado "Balada do Mangue", mas não consegui copiar sem perder a formatação. Se você tem vontade de conhecer, o link tá aqui. É um poema lindo, do início da carreira dele, quando ainda era afeito a eruditismos, mas já desbravava o mundo que o diplomata ordinário não conhece. http://osoutrosdenos.blogspot.com/2004/08/balada-do-mangue-vinicius-de-moraes.html Sábado, Agosto 05, 2006
Um livro de mil páginas Estou lendo "Memórias da II Guerra", de Wiston Churchill. Trata-se de um calhamaço de 1.100 páginas que é meramente uma edição condensada da obra original, editada em quatro volumes e maior do que a Bíblia. Este homem, figura histórica do mais alto grau, além de ter sido chefe da marinha britânica durante a I Guerra, quando ainda não tinha cabelos brancos, e primeiro-ministro da mesma nação durante a II Guerra, quando não abandonou Londres nem nas noites de mais intenso bombardeio nazista, ainda encontrou tempo e talento para escrever esta obra que foi agraciada com o Prêmio Nobel de Literatura. Eu, por minha vez, ser condenado ao esquecimento eterno alguns anos após minha morte, me vejo feliz nestes dias porque finalmente encontrei um desfecho para a ficção que tenho em minha cabeça. Apesar de já ter desistido do sonho de ser alguém neste mundo, não deixo escapar o desejo de escrever um romance. E este objetivo tornou-se mais próximo nesses dias. Para quem conhece um pouco da história (hehe), vai ser assim: o livro será em primeira pessoa, com o Paulo como personagem-narrador. No (anti) clímax, ele vai discorrer sua última ladainha filosófica, anterior à última viagem que fará, de 80 purs. Ele promete que se sobreviver a esta, pára por aí. Mas quem vai parar por aí é o livro. Sexta-feira, Julho 21, 2006
Classe média, eu? Sempre reclamo da minha condição profissional: trabalho excessivo, expediente em feriados e fins de semana, estabilidade zero e nenhum benefício trabalhista. Eis, então, que bate em minha porta uma possibilidade de emprego de segunda a sexta, das 9h às 18h, salário decente, com carteira assinada e em uma sossegada revista mensal. O que parece tudo o que eu pedi a Deus anuvia-se em minha cabeça como um pesadelo do qual não poderei escapar. Como negar uma proposta desta para permanecer na instabilidade empobrecida em que me encontro, trabalhando que nem louco em uma redação de jornal diário, fazendo matérias free-lancer para complementar a renda? Por outro lado, como largar as deliciosas cervejas no meio da semana, com direito a saideiras que se estendem madrugada a dentro, o dinamismo de um novo trabalho a cada mês, a satisfação profissional de estar em um veículo da grande imprensa, o impagável prazer de dormir até depois das 10h?? Virarei um exemplar cidadão de classe média? Tributável, endividado na prestação do tão sonhado carro, batendo cartão das 9h às 18h todos os dias da semana? Credo... Às vezes, a vida nos coloca entre escolhas e renúncias que nos desnorteiam. Estou aberto a sugestões. Aguardemos cenas dos próximos capítulos. Quarta-feira, Julho 19, 2006
Este blog me parece de alguém muito pedante. Eu não sei, tento registrar nele a minha essência, tento fazer dele o rascunho do que eu penso e sou. Mas ele acaba parecendo um blog pedante. Pois eu não sou pedante. E eu não falo como escrevo aqui. Mesmo assim, quando eu escrevo, acredito estar sendo o mais próximo possível do que eu sou de verdade. Claro que são diferentes as formas da expressão falada e da escrita. ... Bom, sei lá, eu só quero dizer que eu não sou pedante, ok? Não me leve a mal pelo jeito que eu escrevo. Segunda-feira, Julho 17, 2006
A despeito da minha inquestionável falta de talento para a poesia, nesse período que fiquei sem escrever neste blog andei riscando alguns "poemas". Vou te mostrar este aqui, e você promete não dar risada, ok? ... Ah, que bobagem, ria o quanto quiser. Versinhos Em meio ao carvão busca o diamante no ruído, o som no fécio, o fragrante Agente passivo do próprio viver Crime e Castigo não vai resolver Literatura? Ingenuidade! A Náusea perdura, não muda a verdade E a vida se esvai conforme o costume Do lixo se extrai Nada mais que chorume ... P.S. - o que posso dizer neste PS? Acho que não tem mesmo nada mais a dizer, né? Quinta-feira, Julho 13, 2006
Ataques do PCC Pelo que venho observando, funciona de modo capilar. Bandidos de cacife anunciam que ataques a autoridades, intalações públicas ou financeiras serão remunerados. A partir daí, adolescentes que devem dinheiro na boca em uma cidadezinha do interior pegam paus e galões de gasolina e cometem atentados (assim, no caso mais extremo). Defícil de controlar, não? Eu, pelo menos, não enxergo qualquer solução que não passe por "mudanças estruturais em x ou y". Eu começaria tentando retomar o controle e a dignidade do sistema carcerário. ... Pensamento preso Mas não tem nada a ver com as prisões de SP Segunda-feira, Julho 10, 2006
A energia de ativação Dizia um dia desses a uma amiga que visitava este blog que pretendia voltar a escrever, que só faltava a "energia de ativação" necessária para mudar o quadro inercial. O Shakespeare prova que ela chegou. Uma Itaipu de energia. Bem na minha cabeça. O difícil é retomar as coisas. As fotos, por exemplo, estão todas quebradas. O Fernando Pessoa, que tão bem ornamentava esta página, já não passa de um xis vermelho. O mesmo para o nome e sobrenome do blog. Quem entrar aqui sem nunca ter estado antes nem vai saber que este é um blog igual a muitos que você já viu. Paciência, com o tempo vou arrumar tudo. Na sexta à noite tinha conseguido fazer o Pessoa voltar. Se você conseguir enxerga-lo por aqui, deixe-me saber, ok? De resto, para atualizar um improvável visitante de outrora, eu continuo jornalista, continuo trabalhando demais e continuo odiando esta realidade. Agora eu estudo direito, estou no terceiro ano e muito interessado nas ciências jurídicas. Não que me interesse pelo trabalho na área, até porque pouco me interesso por qualquer trabalho, a bem da verdade. Mas que é bom ler e entender direito, disso não tenho dúvidas. Bom, por enquanto é isso. A gente vai se falando. Sexta-feira, Julho 07, 2006
O que é ter um bom dia? "Oh, Romeu, Romeu, por que és tu, Romeu?! Renega teu pai e recusa teu nome ou, se não puderes, jura somente pelo meu amor que eu não mais serei uma Capuletto... Somente teu nome é meu inimigo. Tu não és mais do que ti mesmo, não um Montecchio. O que é um Montecchio? Não é nem mão, nem pé, nem braço, nem rosto, nem qualquer outra parte que pertença a um homem. Oh, sê outro nome! O que há em um nome? O que chamamos de rosa teria o mesmo cheiro doce se tivesse qualquer outro nome. Então, Romeu, não fosse ele chamado Romeu, reteria essa cara perfeição que possui sem tal título. Romeu, joga fora teu nome e, com esse nome que não é parte de ti, possua-me por inteira..." Certamente eu tive um bom dia. Domingo, Junho 05, 2005
Opa! resolvi escrever de novo. Se vc vinha aqui quando eu escrevia com alguma frequencia, deixe um comentário, por favor, vou gostar de saber. Domingo, Outubro 10, 2004
Opa. Acho que agora vou voltar a escrever mais neste blog. Não posso afirmar, não sei se vai dar tempo, ou se terei mesmo vontade. De qualquer forma, se vier a escrever mais como estou planejando, os posts serão mais modestos e singelos. Creio que serão basicamente relatos de pequenas experiências e observações.
Quarta-feira, Julho 28, 2004
Escrevi um negócio. Tenho raiva de não conseguir escrever poemas decentes. De qualquer forma, já que ´muito pouca gente entra aqui hoje em dia mesmo, vou postar. Leia por sua conta e risco.
ONTEM E se eu dissesse que não quero esquecer? Se eu dissesse que simples presenças têm me bastado, se não para a felicidade, para me abalar de um lado a outro da cidade, Cedo, à noite ou mais tarde. E se eu dissesse que nem penso em esquecer? Você diria, esqueça, por favor desapareça? Ou não diria nada, em nada abalada, Já é tarde, é madrugada. Se eu jurasse só a você minha mente, meu sonho mais indecente, minha fé de ateu? Você diria, bobagem, não quero o que é seu, A noite acabou, já amanheceu. Só se eu esquecesse a palavra, não leia esta carta, mal escrita e ingrata. Mas você diria eu nem li! E se li já esqueci, Num canto, aqui ou ali. Quinta-feira, Junho 10, 2004
Opa.
Ontem eu fui numa danceteria aqui em SP de um tipo que há tempos eu não vou enão gosto mais. Foi depois de trabalhar muitas (mesmo) horas, cheguei lá umas 2h da manhã. Estou muito sem dinheiro até o dia 20 de junho, quando eu recebo o salário, e o lugar era bem caro (no final, dei sorte e acabei pagando mais barato). Ainda assim, gostei muito de ter ido. Tava lotado, quente e o público não era composto pelo tipo de pessoas que eu mais gosto de me relacionar. Mas valeu a pena pelas pessoas que eu já conhecia que eu vi lá. Adorei ter visto essas pessoas. E esse plural só pode ser piada. Terça-feira, Abril 27, 2004
Quando eu fico muito tempo sem escrever me perco no monte de assuntos que eu gostaria de abordar.
Enfim... Eu assisti Dogville, um filme muito bom que está para sair de cartaz aqui em SP. O final é ótimo, um diálogo excelente que precede um desfecho um tanto cru demais. o filme vale por esse diálogo. Tanto tempo sem aparecer para escrever isso.. tsc tsc tsc Quarta-feira, Fevereiro 25, 2004
Vitor e Vitor (sob pseudônimo indicial)
Vitor2 - Como define sua vida? Vitor1 - Ando e vivo por aí como quem visita um zoológico. Com o olhar da Ciência, arrogante e instrutivo. Vitor2 - Julga ter toda a Ciência do mundo em seus olhos? Vitor1 - Não, obviamente. Se assim julgasse, não encontraria razão para observar, estar constantemente a busca de saber aquilo que não sei. O que creio possuir é a vontade e o método, o método científico, Pai de todos, rogai por nós (risos). Vitor2 - Prefere o método científico à religião, faz notar... Vitor1 - Tenho minha própria religião e creio mais nela que na Ciência, embora não seja próprio esse tipo de comparação. Perceba ainda que o que chamo de religião em muito pouco se parece com os significados mais comuns desta palavra. Vitor2 - Mas acredita em Deus? Vitor1 - Se tivesse que apostar, diria que não existe nada próximo às imagens que se tem de Deus. Vitor2 - É materialista? Vitor1 - Materialista histórico. Vitor2 - Marxista? Vitor1 - Não-praticante. Vitor2 - Pode explicar melhor? Vitor1 - Não posso acreditar em determinismos imutáveis, fatalidades históricas esperando para acontecer. Parece-me claro que a história se faz sem roteiros exatos a serem descobertos. Por outro lado, conceitos como os de burguesia e proletariado, luta de classes, mais-valia e relações entre capital e trabalho são ferramentas magníficas a serviço de todas as ciências humanas. Some a isso o caráter de justiça social que norteia o marxismo e entenderá por que ainda me considero um marxista, ainda que não-praticante. Vitor2 - Justiça social. É um idealista? Vitor1 - Sou um humanista, o que se relaciona com a minha religiosidade, e por isso digo que não é apropriado contrapor a ciência à religião, tenho uma ancorada à outra. Vitor2 - Ainda não sei como é essa sua religiosidade. Vitor1 - Melhor seria falar em metafísica, conceito mais leve e amplo. Para todo o mundo racional há a Ciência, a Física. Se há algo que não se pode explicar com as leis físicas, então esta coisa se encontra no campo da metafísica. Vitor2 - Diga então qual a sua metafísica. Vitor1 - É o que não consigo explicar dentro de mim. O mundo, como eu disse, me parece um zoológico, nele ainda não vi nada que não tivesse razão lógica para acontecer ou ser, mesmo que eu ou ninguém a conheça. Já em mim, vejo e sinto algo que não consigo explicar, noto que existe um código, uma tábua de leis, que sinto que devo cumprir, embora nem sempre o faça, pois sou também um pecador. De qualquer forma, sinto que devo cumprir tais leis, sem saber por quê. Acho que é isso que chamam de fé; acreditar em algo sem ter uma razão lógica para isso. Imagino, naturalmente, que estas leis não estejam apenas dentro de mim, e sim dentro de todos. Vitor2 - Que leis são essas? Vitor1 - Fazer bem ao próximo, isso resume tudo. Vitor2 - Então não sabe por que deve fazer bem ao próximo e chama isso de religião? Vitor1 - Sim. Não sei por que sinto desejo de fazer os outros felizes. Ajusto minha conduta para isso a todo momento. Se sinto que algo que disse ou fiz deixou alguém feliz me sinto satisfeito, feliz também. Se sinto que poderia ter feito algo para tornar alguém mais feliz ou diminuir seu sofrimento e vacilei, então me lamento e guardo como lição. Se sinto que algo que fiz causou dor em uma pessoa me sinto culpado e triste. Não encontro um motivo para que isso seja assim. Vitor2 - Fala como se fosse o mais santo dos homens. Vitor1 - Lembre-se que eu disse ser um pecador. É apenas esta minha religião, mas nem o mais fervoroso evangélico segue os mandos da Bíblia e de seu pastor integralmente. .... (fim) Cansei. Queria continuar e continuar, talvez escreva mais desse jeito. Não sei se você gostou de ler, mas eu gostei de ter escrito. Sexta-feira, Fevereiro 20, 2004
Todo mundo sabe que todo ano a zona Leste alaga. E gente perde casa, e gente perde tudo. Por que a nossa prefeita achou que antes de concluir o piscinão do Aricanduva a prefeitura deveria construir um túnel sob a Rebouças? Sexta-feira, Fevereiro 13, 2004
Quarta-feira, Fevereiro 11, 2004
Tchau, Fantástica
Tem um lugar aqui em São Paulo, no Itaim, que tem um nome que ninguém sabe qual é. Muitos o conhecem como "A Fantástica Fábrica de Salgados". Ela só abre de madrugada e funciona em uma cozinha industrial. Você entra e vai pegando os salgados saindo dos fornos e frigideiras. Come, come, come e depois vai ao caixa dizer quanto gastou. Ninguém confere. Só indo lá para entender o charme (por que não dizer, a mística?) do lugar. Isso agora vai acabar. A proprietária vai mudar o sistema, porque está sistematicamente sendo roubada. Alguns vão lá e comem três, quatro salgados (cada um custa R$ 1,00) e pagam dois, três. Segundo ela, 80% pagam corretamente; 20% ficam com o lucro. Fui lá ontem e me deparei com um galpão sendo construído. Será clientes de um lado e produtos e comerciantes do outro. Eis uma situação em que tenho que me juntar à maioria e considerar os defeitos dos brasileiros não qualidades, mas defeitos mesmo. Terça-feira, Fevereiro 03, 2004
Passei na Fuvest. Legal. Espero gostar do curso (Direito), tenho quase certeza que gostarei. Seria uma boa trabalhar no Ministério Público um dia.... Sexta-feira, Janeiro 30, 2004
"Grande Sertão: Veredas"
Escolhi esse. Já devia ter lido esse livro faz tempo, mas vai ser agora. Bela escolha, não? A chance de ser "um dos melhores livros que eu já li" não é pequena. - Se você não está entendendo, leia o post abaixo.
Novo começo
Estou prestes a acabar de ler um livro e esses dias são prazeirosos. Fico namorando os livros da minha estante (os muitos que ainda não li), ouço com mais atenção os relatos de leituras, demoro mais os olhos nas livrarias. É o novo começo. O livro velho está acabando e é hora de escolher a nova aventura. Antes de ser definida, ela pode ser qualquer coisa, ela pode ser a melhor coisa do mundo. Enquanto eu não escolho, o próximo livro que eu for ler pode ser um livro que me leve a dizer "nossa, é o melhor livro que eu já li até hoje", ou "nossa, esse livro mudou minha vida". Percebe o quão especial é esse momento? Um livro, uma leitura pode não ser o melhor exemplo, mas estou certo que você pode entender a idéia do novo começo em outras circunstâncias: um novo emprego, um novo amor, um novo... ainda por definir, extremamente promissor para o otimista. Sexta-feira, Janeiro 23, 2004
Opa. Tudo bem? Vou escrever um negócio:
Vida de cachorro Esta cidade. Outras cidades. Estas roupas, esse cabelo. Outras roupas, outra cara. Estas escolhas. Todas as renúncias. Estes valores, estas dores. Sem valores, coração de pedra. Este rumo. Completamente sem rumo. Estas palavras. Um vazio de palavras. Vazio. Se eu já era ruim escrevendo umas prosinhas, tentando ser poeta sou lamentável. Por sorte, você é uma das únicas pessoas que ainda entra nesse blog. PS - Cocaine, eu continuo vindo aqui, sim. Vou avisar quando não for escrever mais. Valeu pelo que vc disse : )) Segunda-feira, Janeiro 12, 2004
Estou trabalhando até umas 2h da manhã ultimamente, tem sido bem legal. O local é mais silencioso, eu posso ligar a TV alto, ouvir um som, fumar na baia... (ops, que niguém que trabalha comigo leia essa última oração).
Falando em noite, lembrei deste poema, da portuguesa Florbela Espanca Silêncio No fadário que é meu, neste penar, Noite alta, noite escura, noite morta, Sou o vento que geme e quer entrar, Sou o vento que vai bater-te à porta... Vivo longe de ti, mas que me importa? Se eu já não vivo em mim! Ando a vaguear Em roda à tua casa, a procurar Beber-te a voz, apaixonada, absorta! Estou junto de ti, e não me vês... Quantas vezes no livro que tu lês Meu olhar se pousou e se perdeu! Trago-te como um filho nos meus braços! E na tua casa... Escuta!... Uns leves passos... Silêncio, meu Amor!... Abre! Sou eu!... Sábado, Janeiro 03, 2004
De volta a SP. Acabei não passando a virada do ano no lugar que disse que passaria. Fiquei lá por dois dias, é muito bonito, mas acabei indo para o Rio de Janeiro, capital. Assisti à queima de fogos de Copacabana, visitei belas praias, fui a uma rave lotada de paulistas, conheci pessoas interessantes. O que guarda lugar em mim até agora não é nada disso, todavia.
As dezenas de placas dando a direção da Barra, as placas para Taquara e Recreio, o bairro do Recreio (eu fiquei em Jacarepaguá uma noite, ali perto). No caminho para lá, passei por Mangaratiba. Mudando de assunto, este blog completou um ano um dia desses. E eu nem para fazer uma comemoração. Sexta-feira, Dezembro 26, 2003
Olha só onde eu vou passar o Ano Novo ![]() Chama-se Pouso da Cajaíba, um local que fica a uma hora e meia de barco da cidade de Paraty (RJ). Feliz Ano Novo para você. Terça-feira, Dezembro 23, 2003
Ah, ia me esquecendo do choro do presidente. Você viu o presidente chorando hoje?
Ele visitou a baixada do Glicério, lugar sujo na região central de SP, onde moram muitos catadores de lixo. É claro que foi o primeiro presidente a visitar o local. Veja um trecho de uma reportagem a respeito: Antes de prometer uma política de empregos, Lula chorou ao relatar que viu na televisão uma reportagem sobre um lixão onde uma pessoa comia uma melancia que pegou no local. Lula explicou esse contexto e repetiu o que o catador disse para as câmeras: "Talvez seja este o último pedaço de melancia que eu vá comer do lixo porque o presidente Lula vai resolver este problema". E, depois, prometeu, "Nós queremos dizer que juntos vamos encontrar uma solução para tornar a vida de vocês digna". Quem viu a cena viu que o choro veio da alma, viu que o choro é de alguém que sente o peso nas costas, mas que não quer fugir do peso. Um choro autêntico. Eu adoro esse cara.
Não escreverei aqui amanhã. Então desejo um feliz Natal para você que me visita sempre e também para você que caiu de paraquedas. Desnecessário dizer que você, internauta que me lê, é a razão da existência dessa página. Ainda escreverei de novo antes do Ano Novo. Sexta-feira, Dezembro 19, 2003
Nunca é possível agradar a todos. Eu escrevi isso num dia desses. A idéia é dar um tom engraçado à notícia pitoresca, simplesmente humor.
E não é que um leitor ficou puto e perdeu seu tempo escrevendo um e-mail de reclamação? Bom, ele mandou eu colocar no meu blog, que ele nem sabia que eu tinha, já que ele nem sabe quem sou eu, apesar de não ter se incomodado com esse detalhe na hora de me agredir, então tá aqui. Olha o e-mail dele, muito mal escrito, aliás: ----- Original Message ----- From: To: Sent: Friday, December 19, 2003 4:03 AM Subject: reportagem do tabloide A Folha On Line, na seção " tablóide ", de ontem noticiou a prisão do sujeito que chamou a polícia, por causa de um assalto na casa dele. Só que essa vítima do roubo acabou sendo presa porque quando os policias chegaram viram dois pés de maconha na casa, plantadas pelo dono. O editor do tablóide quis fazer ironia e deu os parabéns à polícia por terem preso " esse perigoso meliante ". Mas esse editorzinho, se achando moderno ou sei lá o que, consegue apenas ser leviano porque em dois pés de mac.onha existe quantidade muito maior que a mínima que serve para prender um traficante. Ele que escreva isso no blog dele. PS - eu estava meio sumido, você notou? Espero escrever mais daqui pra frente. Segunda-feira, Dezembro 01, 2003
Assisti ao filme dos humoristas do Casseta e Planeta neste domingo, após a Fuvest. Os caras são bem engraçados. É comédia pura, no melhor estilo pastelão. O tema que serve como pano de fundo é um pouco batido, a ditadura militar e a relação entre o regime político e a conquista do tricampeonato mundial de futebol, em 1970. Mas os caras conseguiram uma nova abordagem. Ah, a abordagem não é nova, pensando bem, é só mais exaltada. Eles satirizam quase ao nível da agressão os tipos e o regime da época. Hilariante.
Quanto à Fuvest, obrigado para quem torceu por mim, sua torcida fez efeito! Em janeiro tem segunda fase. Sábado, Novembro 29, 2003
Aqui estou, há umas 35 horas da fuvest me arrependendo por não ter estudado mais. Agora entendo o provérbio "a gente só se arrepende do que a gente não faz".
Que infame. Mas, agora sério, é triste notar que ainda sou capaz disso, de ter cristalino em mente o que devo e desejo fazer, não realizar tal coisa e arrepender-se no exato minuto posterior ao ponto em que já não adianta mais se arrepender. Isso não quer dizer que não vou passar, no entanto. Calculo minhas chances em uns 40%. Sábado, Novembro 22, 2003
Os dias passam e os momentos que eu gostaria de descrever aqui vão se acumulando. Fui para Vitória, aconteceram muitas coisas, foi excelente, mais do que deveria. A semana foi também carregada de assuntos pertinentes para este blog. Uma pena. Agora quero falar de outra questão, bem mais importante que a minha vidinha de adultescente. É essa aí de baixo.
Os "pitis" da classe média Uma passeata com cerca de 4 mil pessoas marchou hoje pela região da Paulista e do Ibirapuera, bem perto da minha casa. A manifestação foi contra a violência, a impunidade e em prol de mudanças no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), especialmente exigindo a redução da maioridade penal, de 18 para 16 anos (quem sabe 14?). Quem organizou o protesto foram os parentes e amigos de Liana Friedenbach, 16, e Felipe Caffé, 19, pessoas que você deve estar careca de saber quem são. Ou eram. É de causar espanto esse tipo de espetáculo patético com que parte da classe média brinda o restante da sociedade toda vez que um de seus intocáveis membros é atingido pela violência, essa mesma violência que tão presente se faz no dia a dia das grandes cidades quanto a poluição. Para citar apenas casos ocorridos em São Paulo, entre o assassinato de um casal de classe média dentro do respeitoso bairro de Moema, há uns três anos, que gerou grandes protestos e o movimento "Reage São Paulo", e a morte desse jovem casal do colégio São Luís, quantos assassinatos aconteceram em São Paulo? Centenas? Milhares? Dezenas de milhares?? A maioria das pessoas não sabe nem a ordem de grandeza desse número. Quantos jovens não foram assassinados a sangue frio longe das ruas arborizadas de Moema, mas em Capão Redondo, Jardim Ângela, Guaianazes, Perus, São Matheus? E onde estavam as madames histéricas e os boyzinhos indignados que há pouco ocupavam quatro pistas da Paulista quando essas milhares de mortes aconteceram? Há três anos ouvi as mesmas posições que ouço agora: "Está demais! Chegamos ao limite! É preciso tomar medidas radicais!". Ah, é mesmo? E durante esses três anos em que a violência não respingou nos Jardins, mas continuou encardindo de sangue as ruas já imundas da periferia, não "estava demais"? Que hipocrisia deslavada é essa? E se os pobres resolvessem fazer uma passeata atrapalhando o sábado toda vez que um de seus jovens fosse assassinado? Mas, até aí, tudo bem. Histeria, chilique, irrita um pouco, mas basta ignorar, fingir que não existe e pronto. O problema fica mais sério quando essa gente se julga no direito de exigir que o resto da sociedade dê ouvidos a seus pitis. Querem agora diminuição da maioridade penal. E já vão enfiando o dedo em riste no focinho de quem diz que é contra. Era o que faltava. A toda hora morre gente no país; quando morre um que tem um pouco mais de dinheiro, a classe média fricoteira já acha que é hora de mexer nas leis nacionais! Algo deveria ficar bem claro para essa gente: a sociedade brasileira não é refém de nenhuma classe. Se e quando o país julgar que deve alterar suas leis em relação ao menor e ao código penal, se baseará em debates amplos com todos os setores da sociedade, estudos de especialistas e formalidades legislativas, não será simplesmente para acalmar o faniquito de um tipo de gente que tem a si mesmos como cidadãos que estão acima dos demais. Sábado, Novembro 15, 2003
Eu nem escrevi aqui, mas eu vim pra Vitória (ES). Peguei uma folga na sexta e estou aqui.
Estou na casa dos tios de um amigo meu. E eles não estão aqui. Estamos eu e meu amigo, com comida e cerveja na geladeira, hidromassagem no banheiro, ar condicionado no quarto e internet rápida no escritório. O que eu fiz para merecer isso, meu Deus? Domingo, Novembro 09, 2003
Hoje eu estou de plantão aqui no trabalho. Tive que acordar às 8h15, algo muito raro no meu cotidiano dos últimos anos. Assim, estava com sono. Assim, diante da total falta de notícias, cochilei em frente ao computador. E imagine você que três colegas me viram dormir e não me acordaram.
Quando reclamei com um deles, ouvi um singelo "ah, eu não quis incomodar". Pode? Terça-feira, Novembro 04, 2003
Mudei de área aqui no trabalho. Algo burocrático que guarda pouca ou nenhuma relação com as funções que aprendi a desempenhar na faculdade.
Podia ser pior. Eu podia morar em Tikrit, já pensou? Sexta-feira, Outubro 31, 2003
Marina e Felipe
Marina para Luciano: Eu te amo; para mim, você é o melhor homem do mundo; adoro viver ao seu lado, amo o fato de você ser o meu companheiro e de eu ser a sua companheira; amo a nossa vida, a nossa vida a dois. E sobretudo: eu amo te amar. E Felipe escuta e pensa: Uau (valeu, kelly!), que grande cara que deve ser esse Luciano. E que grande sorte ele tem. Marina e Luciano desmancham. Ela não se acostuma bem à nova vida. Que falta que lhe faz um bem, que falta lhe faz um xodó. Enamora-se por Daniel. Marina para Daniel: Eu te amo; adoro viver ao seu lado, amo o fato de você ser o meu companheiro e de eu ser a sua companheira; amo a nossa vida, a nossa vida a dois. E sobretudo: eu amo esse amor. Claro que não fala com essas mesmas palavras, passara-se mais de um ano. Mas é assim que Felipe escuta. E pensa: veja só, esse Daniel também é um grande cara, passível de ser amado, tudo bem que não é o primeiro a quem ela dedica este sentimento, mas também é elegível a ele. Que feliz que ele deve ser, e certamente possui qualidades. Marina e Daniel desmancham. Depois de 22 anos, desmancham. Ela não se acostuma bem à nova vida. Que falta que lhe faz um bem, que falta lhe faz um xodó. Marina enamora-se por Flávio, nem tão belo mas apaixonado por ela. Marina para Flávio: Eu te amo; amo o fato de você ser o meu companheiro e de eu ser a sua companheira; amo a nossa vida, a nossa vida a dois. E sobretudo: eu amo esse amor. Assim Felipe escuta, e pensa, sob os cabelos brancos: Tive beatrizes, samantas, fernandas, fabrícias e carolinas. Diziam-se apaixonadas, mas não passavam de marinas. E eu, de Flávio, Luciano e Daniel. Quarta-feira, Outubro 29, 2003
Força Sindical rompe com CUT e abandona Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social de Lula
Nossa, finalmente a Força Sindical deixou de ser pelega!! Bom, caso você não tenha entendido, isso foi uma piada. Eu até pensei em falar a sério sobre o assunto, mas essa central sindical e esse Paulinho não merecem ser levados a sério. Uma pena para os trabalhadores cujo os sindicatos são ligados a eles. Segunda-feira, Outubro 27, 2003
Parte do discurso de despedida do PT de Gabeira na Câmara, tirado do blog http://palavrastortas.blogger.com.br/:
" Eu digo claramente que sonhei um sonho errado. O sonho errado foi confiar que nós podíamos fazer tudo aquilo que nós prometíamos rapidamente, confiar que poderíamos fazer tudo aquilo num período de 4 anos ou imediatamente. Não. O sonho foi pior ainda: foi confiar que era possível transformar o Brasil a partir do Estado; foi não compreender que o Estado já perdeu o dinamismo e que o dinamismo agora se encontra na sociedade. Se o Brasil vai se transformar, vai se transformar através da sociedade. A sociedade é que vai impor os caminhos e o Estado virá - que bom que venha - talvez cansado, talvez lento, mas virá acompanhando nosso caminho." Muito bom, né? E pensar que o cara já pegou em armas para tentar tirar do poder quem ele achou que não devia estar lá. As pessoas mudam. Domingo, Outubro 26, 2003
Veja só, 5 horas da manhã de um domingo e eu aqui. Hoje eu fiquei feliz, fui bem em um simulado e me achei o máximo. Não foi só isso que fez meu dia. Passei boa parte dele em boa companhia (ei, internauta, lembra quando eu disse que você sentiria a diferença?).
Estou cansado de fazer deste blog meu diarinho de uma adolescente. Eu quero falar das segundas e sextas-feiras. Pense bem, amigo: por qual maldição você julga normal os deputados e senadores, que têm seus salários pagos por nossos impostos, detentores do direito de trabalhar apenas de terça a quinta-feira? Não, por favor, pare para pensar nisso: os parlamentares brasileiros ficam em Brasília de terça a quinta-feira e só. Não estou falando mal deles, estou registrando uma verdade, isso é uma realidade pura e simples; os nossos impostos pagam uma jornada semanal de cinco dias e os nossos representantes congressistas trabalham apenas três. Como nós aceitamos isso bovinamente? Responda!!! Juro que não compreeendo. Deveríamos ir às ruas exigir o óbvio: que nossos representantes nas Casas do Povo não nos fizessem de palhaços, que trabalhassem o tanto que todo brasileiro trabalha: de segunda a sexta, caralho! Os deputados e senadores trabalham apenas de terça a quinta e nós não estamos nem aí. É culpa deles? Sim, mas tanto quanto nossa. Ou você acredita em quê? Que nossos políticos são uma raça inferior de gente? Que eles são especialmente piores que o resto da sociedade brasileira? Ora, e por que seriam? Dê-me uma resposta racional convicente! Não existe uma resposta positiva racional convicente. Abra o olho e faça a auto-crítica: temos defeitos. Pára, pelo amor de Deus, de criticar os políticos, os cartolas, o raio que o parta, e inclua-se nos criticáveis. Você não é diferente do resto dos brasileiros. Você é brasileiro, porra! Você se encaixa perfeitamente no esteriótipo que você critica. Quinta-feira, Outubro 23, 2003
- Estudei relativamente bastante ontem, foi bom, mas nem tanto. Por que diabos eu tenho tanta dificuldade com física e matemática? Quero crer que sou capaz de compreender mecanismos e sistemas mais complexos do que um bloquinho de massa M ligado por um fio não elástico de massa desprezível, que passa por uma polia, a outro bloquinho de massa P. Despreze o atrito.
Só há uma fórmula: F = y.m; como posso não entender essa coisa, meu Deus? Não vou desistir, mas hoje já não vou estudar, acho, porque vou sair. Eu desrespeito minha próprias regras constantemente. Ok, sei que não sou o único, mas irrita. E vai irritar mais ainda quando e se meu nome não aparecer na lista dos aprovados. - Não sei se você ouviu falar ou leu a respeito, mas o sociólogo Luis Eduardo Soares pediu demissão do cargo de secretário nacional de Segurança Pública (subordinado ao ministério da Justiça) na última terça-feira. Se você é carioca deve saber que o governo perdeu um grande profissional. E o país ficou mais distante de construir um sitema integrado de segurança justo e eficiente. Quarta-feira, Outubro 22, 2003
Não existe um motivo consistente para eu ter ficado tanto tempo sem postar. Talvez a preguiça, falta de inspiração, de vontade de escrever do trabalho (daqui) e aversão ao computador quando chego em casa. E outros fatores mais. Não sei se devo te pedir desculpas por ter ficado todo esse tempo fora sem sequer ter me dado ao trabalho de escrever um simples aviso, "não vou postar por uns dias".
Eu poderia falar da Oktober, mas já faz muito tempo. Saiba que eu não morri. E nem voltei de lá com alguma seqüela, cicatriz ou perna a menos. De resto, foi como uma festa desse tipo pode ser. Tenho estudado quase nada para o vestibular. Acho que não vou passar. Agora estou com a idéia de estudar nos começos de madrugada, quando volto do trabalho. Vamos ver como vai ser hoje. Quinta-feira, Outubro 09, 2003
Vou viajar daqui a pouco, volto no domingo. Pelo menos quatro pessoas que eu gosto e gostam de mim me recomendaram juízo e cuidado. Quando meus pais me dizem isso, acho normal, mas quando amigos da sua idade ou mais novos insistem em recomendações apreensivas é algo com que se preocupar.
Se eu estiver vivo na segunda-feira vou escrever um pouco sobre Blumenau (SC), onde estarei dentro de algumas horas. Quarta-feira, Outubro 08, 2003
Para mudar o clima, de Chico Buarque e Edu Lobo, "Ciranda da Bailarina":
Procurando bem Todo mundo tem pereba Marca de bexiga ou vacina E tem piriri, tem lombriga, tem ameba Só a bailarina que não tem E não tem coceira Berruga nem frieira Nem falta de maneira Ela não tem Futucando bem Todo mundo tem piolho Ou tem cheiro de creolina Todo mundo tem um irmão meio zarolho Só a bailarina que não tem Nem unha encardida Nem dente com comida Nem casca de ferida Ela não tem Não livra ninguém Todo mundo tem remela Quando acorda às seis da matina Teve escarlatina Ou tem febre amarela Só a bailarina que não tem Medo de subir, gente Medo de cair, gente Medo de vertigem Quem não tem Confessando bem Todo mundo faz pecado Logo assim que a missa termina Todo mundo tem um primeiro namorado Só a bailarina que não tem Sujo atrás da orelha Bigode de groselha Calcinha um pouco velha Ela não tem O padre também Pode até ficar vermelho Se o vento levanta a batina Reparando bem, todo mundo tem pentelho* Só a bailarina que não tem Sala sem mobília Goteira na vasilha Problema na família Quem não tem Procurando bem Todo mundo tem... * termo vetado pela censura Terça-feira, Outubro 07, 2003
Não estava muito frio hoje e minha mãe mandou eu trazer um agasalho. Cheguei a colocar, estava muito calor e eu dispensei a blusa, julgando que ela seria nada mais que um estorvo. Agora está frio, eu vou andar e pegar ônibus passando frio.
Muitos minutos, uma hora e pouco, talvez, no frio, braços estendidos, buscando abraçar qualquer coisa, qualquer coisa que não se encontra, um esforço vão. Todo problema é um só, e eu não tenho a solução. Manuel Bandeira: Pneumotórax Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos. A vida inteira que podia ter sido e não foi. Tosse, tosse, tosse. Mandou chamar o médico: - Diga trinta e três. - Trinta e três... trinta e três... trinta e três... - Respire. ....................................................................... - O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito está infiltrado. - Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax? - Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino. Boa noite. Segunda-feira, Outubro 06, 2003
Adoro essa música, do Secos e Molhados, chama Sangue latino
Jurei mentiras e sigo sozinho Assumo os pecados E os ventos do norte não movem moinhos E o que me resta é só um gemido Minha vida, meus mortos, meus caminhos tortos Meu sangue latino Minha alma cativa Rompi tratados, traí os ritos Quebrei a lança, lancei no espaço Um grito, um desabafo E o que me importa é não estar vencido Minha vida, meus mortos, meus caminhos tortos Que merda, lendo assim não parece legal. Sábado, Outubro 04, 2003
E O PRESIDENTE ENCHE A CARA!
Sensacional o nosso presidente, fala sério, de mangas de camisa, chapeuzinho típico, posando para fotógrafos com cara de peão pinguço. Em um discurso em Blumenau (SC), eis algumas de suas palavras, a respeito de ocupações de prédios abandonados em centros urbanos: "Vamos ter de encontrar um jeito de transformar esses prédios desocupados em habitações para pessoas pobres". Em outras palavras, nas palavras do Estadão, "Lula quer ceder prédios desocupados a pobres". Excelente. É esse tipo de vontade política, de perspectiva, de ângulo de visão que eu esperava de um governo do Lula e do PT. Cada dia estou mais contente com o Planalto. É muito bom ser governista, achei que isso nunca aconteceria comigo no Brasil. E dentro de alguns dias estarei eu também no sul do país, fazendo o que o presidente fez. Prozit! Sexta-feira, Outubro 03, 2003
- Amanhã vou trabalhar, mais um fim de semana online. Péssimo.
- Ahan, ahan, desculpa aí se meu blog está ficando importante, recebendo visitas internacionais. Kim, sweet girl, as long as I remember, the last email was mine. But it doesn´t matter, I´ll write again. Quinta-feira, Outubro 02, 2003
- Muito bom, finalmente meu computador de casa voltou a ter acesso à net. Creio que você, internauta sagaz, vai começar a sentir algumas diferenças nos posts, além do horário de postagem. Voltarei a escrever de madrugada, voltando da rua negra, com a cabeça cheia de idéias e tudo mais.
- E o Alexandre Pires chorando na Casa Branca heim? Alguém tem algo a dizer sobre isso? Eu não. Sexta-feira, Setembro 26, 2003
Tem muita gente deslumbrada com os discursos do nosso presidente na OMC e na ONU, em Cancún e Nova York, respectivamente. Tem gente acreditando que o Brasil está ganhando uma força geopolítica que nunca teve, tem gente morrendo de vontade de acreditar nisso.
Passei os olhos em quatro grandes jornais dos EUA e Europa um dia após o discurso do Lula na ONU. Nenhuma menção. Nenhuma, nem na capa, nem em páginas internas. Fodam-se os jornais, que eu nem cito o nome, sim, mas observe o que o fenômeno demonstra, e não o fenômeno em si. De nada adianta ficar se iludindo. Quinta-feira, Setembro 25, 2003
Estou com uma dor de cabeça e uma indisposição estomacal dessas que não permitem que você pense em qualquer coisa a não ser na dor que está sentindo. Ninguém merece. Quarta-feira, Setembro 24, 2003
Provérbios e frases que eu respeito e acredito:
- De perto ninguém é normal - Achaste mel, come o que te basta (provérbio árabe) - O tempo não é como o trem, não apita na curva, não espera ninguém - As oportunidades sempre parecem maiores quando vão do que quando vêm - Morrer é quase nada, horrível é não viver (Vitor Hugo) Terça-feira, Setembro 23, 2003
Eu não conheço nenhuma droga (e olha que já provei algumas) que cause prazer tão intenso quanto o orgasmo. Meu deus, o que é aquilo? Durante os cinco segundos de ápice vertiginoso nada mais no universo existe a não ser a mente e o corpo em êxtase. Acho que se o orgasmo durasse um minuto eu deixaria não só as drogas de lado, mas todo o resto - trabalho, família, filosofia - e passaria a vida transando ou batendo punheta.
... Acho que esse é um dos posts mais profundos que eu já escrevi.
- Ainda sobre o furto do rádio: cheguei em casa no domingo e todos, meu pai, minha mãe e minha irmã, lançaram-me olhares reprovadores e proferiram palavras ásperas e esbravejantes. Mal tentei justificar-me por não ter colocado o carro no estacionamento às 15h30 no tranquilo bairro da Vila Gumercindo. Aceitei resignado as reprimendas.
No dia seguinte, ontem, minha mãe era só sorrisos e abraços ao me ver acordar e meu pai ligou no meu trabalho no meio da tarde para me dizer que já havia consertado a porta e que eu não me preocupasse. Ao chegar em casa, à noite, encontro no meu quarto um bilhete da minha irmã pedindo para que eu não ficasse triste, pois ninguém tinha culpa pelo episódio. O bilhete acompanhava uma garrafa de vinho branco argentino (minha irmã trabalha numa importadora de bebidas), regalada a mim. Imagino as reviravoltas que se deram nas mentes desses meus três familiares enquanto estavam em companhia exclusiva do travesseiro. - Hoje dei início à minha rotina de estudos. Agora já sei (de novo) o que são volts, amperes e coulombs, bem como as relações existentes entre essas unidades. Ah, será um longo e enfadonho caminho até o vestibular. Segunda-feira, Setembro 22, 2003
- Nada como um bom choque de realidade para nos lembrar quem somos, aonde vivemos e qual sociedade construímos.
Minha irmã tinha colocado um rádio em seu carro na quinta-feira passada. Ela comprou uma espécie de "tampão" que causa a impressão de que não há rádio no painel do veículo. Ontem eu saí com o carro dela e deixei-o estacionado na rua por não mais que duas horas e meia. Quando voltei, a porta estava retorcida e aberta. No lugar em que estavam o tampão e o rádio, fios vermelhos e amarelos com pontas de cobre saíam de um buraco escuro. - Daqui a pouco terei a oportunidade de conhecer a Mel Lisboa. Geralmente não me encanto por profissionais da televisão, mas essa eu não vou perder! Sábado, Setembro 20, 2003
Antes de qualquer coisa, olha que engraçado isso aqui: http://www.infonegocio.com/xeron/mamut.html
Agora, meu computador voltou, mas ainda não estou acessando a net de casa. Dentro em breve, dentro em breve. Amanhã é ó último dia para a inscrição na Fuvest. Eu eu "já" decidi o que eu vou prestar: Direito! É, isso mesmo, nada de economia, ciências sociais ou história. Quero estar no largo São Franscisco no ano que vem. Não será tão fácil, todavia. Fiz a Fuvest do ano passado ontem na minha casa e acertei 66 questões, de 100. A nota de corte para Direito foi 64. Ou seja, tá muito apertado, vou precisar estudar! Minha idéia é estudar todos os dias (exceto fim de semana) daqui até o vestibular. Vamos ver. Quarta-feira, Setembro 17, 2003
Tá difícil de escrever do trabalho. São mais de 23h e eu ainda estou aqui... Nunca posso dedicar 15 minutos ininterruptos a este blog. Por sorte, a partir de amanhã meu computador volta para casa, tinindo como novo. Daí vou escrever o quanto eu quero neste espaço. Sexta-feira, Setembro 12, 2003
Nada de post hoje. E nada de post amanhã ou domingo. Hoje só tem um poema do Ricardo Reis.
Ao longe os montes têm neve ao sol, Mas é suave já o frio calmo Que alisa e agudece Os dardos do sol alto. Hoje, Neera, não nos escondamos, Nada nos falta, porque nada somos. Não esperamos nada E temos frio ao sol. Mas tal como é, gozemos o momento, Solenes na alegria levemente, E aguardando a morte Como quem a conhece. Quinta-feira, Setembro 11, 2003
Domingo, Setembro 07, 2003
Quando eu estava na pré-escola, gostava de uma menina chamada Maia. É a primeira recordação que tenho de sentimento ligado à sexualidade, à relação homem-mulher.
Na primeira série, não gostei de ninguém. Na segunda série, gostei de uma menina chamada Priscila. Ela era uma garotinha loira muito bonita, e eu passava os recreios contemplando-a de longe, fantasiando situações com nós dois juntos. Estudávamos na mesma classe, mas minha timidez só permitiu que eu lhe dirigisse a palavra três ou quatro vezes, se muito. Acho que ela nunca desconfiou do meu sentimento infantil. Na terceira série conheci outra Priscila, a Priscilinha. E aí a história já era diferente. Conversávamos com certa frequência, e eu não disfarçava meus olhares, ao contrário, os fazia notar, na esperança de ser correspondido. E eu era correspondido! Um dia, na saída, ela me deu uma bolinha de borracha de presente. Eu balbuciei um "obrigado" apressado e sai pensando que tinha tocado suas mãos, e elas estavam frias e suadas (impressionante como essas memórias estão claras em mim). Fomos a duas ou três festas de aniversário, dessas com baile da vassoura. Dançamos juntos umas 7 vezes, ao todo. Eu vivia nas nuvens. As amigas dela, Luciana e Célia, segredaram-me que ela gostava de mim. Ela gostava de mim! Eu ligava na casa dela e desligava em seguida, apenas para ouvir seu alô, tinha vergonha demais para ir além disso. Assim foi até o meio do ano, quando, auxiliados pelas amigas dela, Célia e Luciana, começamos a namorar oficialmente. Nosso novo estado, o de namorados, só tornou as coisas mais difícies. Ambos passaram a ter vergonha até de olhar um na cara do outro. Até que chegou a época do meu aniversário, em outubro, quase fim do ano letivo. Entreguei os convites para todos na classe, o dela o único em que o envelope branco eu havia pintado de laranja em cima do nome, escrito com caneta marca-texto amarelo-limão. Ficou horrível, mas eu achei bonito. Ela foi na minha festa e dançamos muito, de rosto colado, fortemente abraçados. Aos 9 anos de idade, eu conhecia o amor. Depois acabou. O fim da história não é interessante, a coisa acabou aos poucos, e pronto. Na quinta série estudamos juntos novamente, já pré-adolescentes, e fomos colegas ordinários, e nunca mais tocamos no assunto. E depois desse ano nunca mais nos vimos. Independente deste final, o caso é que cultivo com muito carinho a figura desta garotinha na história da minha vida. Guardo até hoje o telefone dela da época, 571-0766, minha irmã, minha prima, minha mãe (mulheres guardam mais essas coisas) certamente se lembram da Priscilinha, ela faz parte da minha história, definitivamente. Eis então que em uma noite da semana passada, exatos 15 anos depois, ouço uma mulher dizer "Pri" e a reencontro na saída de um shopping center. Ela estava com o cabelo vermelho, e essa foi a única diferença que notei. Naturalmente a abordei, sorridente, "Pri, tudo bem? Lembra de mim? O Vinícius?!" (O Vinícius, seu namorado da terceira série, o cara a quem você apresentou o amor, o cara que lembra até hoje que você estava com as mãos frias úmidas quando me deu uma bolinha de borracha, em uma das melhores sextas-feiras da minha vida!). - Sai fora. Vamos, meninas (andando mais rápido em direção ao estacionamento). - Priscila, você tem que lembrar, estudamos juntos no Arqui, na terceira e na quinta série, eu só queria que você lembrasse. A amiga responde por ela: - Cara, dá licença, a gente tem que ir embora. - Priscila, você era baixinha... - Não diga, e agora não sou mais? - Você está com o cabelo vermelho... - Sério? Não, estou com o cabelo azul! Olha, o carro chegou, tchau. Eu só queria que ela se lembrasse, que nos recordássemos um pouco daquela época, déssemos um abraço e nos despedíssemos, talvez trocando telefones, talvez não, certamente mais felizes, com as felizes recordações. Nada disso aconteceu. E o pior é que eu acho que ela acabou lembrando de mim, e fez que não lembrou. Sábado, Setembro 06, 2003
Sexta-feira, Setembro 05, 2003
O que o Chiclete tem?
Pessoas que me conhecem não conseguem entender por que eu gosto tanto de Chiclete com Banana. Nem eu entendo direito. Só sei que eu adoro. Ontem eu saí com dois amigos meus. O lugar não estava muito cheio e estávamos os três meio desanimados. De repente, um dos vocalistas da banda que se apresentava soltou um grito: - Chiii-cleee-tê! Oba! Oba! Na hora meu ânimo mudou. Comecei a pular ao sabor da música, veio em minha mente aquela alegria concentrada que toma conta dos shows de axé e micaretas, e muita gente em minha volta entrou na mesma sintonia. Uma verdadeira pílula de felicidade. Salve a Bahia. Agora, 23h40 de sexta-feira, estou ainda no trabalho e não tem quase ninguém aqui na redação. Acabo de voltar de um jantar levemente decepcionante e tenho razoável quantidade de serviço pela frente. Mas foi só eu ligar o som alto do meu computador que nem parece que estou trabalhando. Beleza! É festa! Chiclete com Banana! Chiclete com Banana! Quinta-feira, Setembro 04, 2003
Segunda-feira, Setembro 01, 2003
Uma vez eu postei aqui um trecho de "Morte e Vida Severina", do João Cabral de Melo Neto. Era uma passagem em que o Severino, o retirante, passava por um cortejo fúnebre e indagava os participantes sobre as causas da morte do falecido.
Aqui vai a continuação, agora a descrição do enterro do sertanejo. É difícil encontrar poemas simultaneamente tão preciosos em forma e conteúdo. ASSISTE AO ENTERRO DE UM TRABALHADOR DE EITO E OUVE O QUE DIZEM DO MORTO OS AMIGOS QUE O LEVARAM AO CEMITÉRIO — Essa cova em que estás, com palmos medida, é a cota menor que tiraste em vida. — É de bom tamanho, nem largo nem fundo, é a parte que te cabe deste latifúndio. — Não é cova grande, é cova medida, é a terra que querias ver dividida. — É uma cova grande para teu pouco defunto, mas estarás mais ancho que estavas no mundo. — É uma cova grande para teu defunto parco, porém mais que no mundo te sentirás largo. — É uma cova grande para tua carne pouca, mas a terra dada não se abre a boca. — Viverás, e para sempre, na terra que aqui aforas: e terás enfim tua roça. — Aí ficarás para sempre, livre do sol e da chuva, criando tuas saúvas. — Agora trabalharás só para ti, não a meias, como antes em terra alheia. — Trabalharás uma terra da qual, além de senhor, serás homem de eito e trator. — Trabalhando nessa terra, tu sozinho tudo empreitas: serás semente, adubo, colheita. — Trabalharás numa terra que também te abriga e te veste: embora com o brim do Nordeste. — Será de terra tua derradeira camisa: te veste, como nunca em vida. — Será de terra e tua melhor camisa: te veste e ninguém cobiça. — Terás de terra completo agora o teu fato: e pela primeira vez, sapato. — Como és homem, a terra te dará chapéu: fosses mulher, xale ou véu. — Tua roupa melhor será de terra e não de fazenda: não se rasga nem se remenda. — Tua roupa melhor e te ficará bem cingida: como roupa feita à medida. — Esse chão te é bem conhecido (bebeu teu suor vendido). — Esse chão te é bem conhecido (bebeu o moço antigo). — Esse chão te é bem conhecido (bebeu tua força de marido). — Desse chão és bem conhecido (através de parentes e amigos). — Desse chão és bem conhecido (vive com tua mulher, teus filhos). — Desse chão és bem conhecido (te espera de recém-nascido). — Não tens mais força contigo: deixa-te semear ao comprido. — Já não levas semente viva: teu corpo é a própria maniva. — Não levas rebolo de cana: és o rebolo, e não de caiana. — Não levas semente na mão: és agora o próprio grão. — Já não tens força na perna: deixa-te semear na coveta. — Já não tens força na mão: deixa-te semear no leirão. — Dentro da rede não vinha nada, só tua espiga debulhada. — Dentro da rede vinha tudo, só tua espiga no sabugo. — Dentro da rede coisa vasqueira, só a maçaroca banguela. — Dentro da rede coisa pouca, tua vida que deu sem soca. — Na mão direita um rosário, milho negro e ressecado. — Na mão direita somente o rosário, seca semente. — Na mão direita, de cinza, o rosário, semente maninha. — Na mão direita o rosário, semente inerte e sem salto. — Despido vieste no caixão, despido também se enterra o grão. — De tanto te despiu a privação que escapou de teu peito a viração. — Tanta coisa despiste em vida que fugiu de teu peito a brisa. — E agora, se abre o chão e te abriga, lençol que não tiveste em vida. — Se abre o chão e te fecha, dando-te agora cama e coberta. — Se abre o chão e te envolve, como mulher com quem se dorme. Domingo, Agosto 31, 2003
O Enem estava muito fácil. Ou pelo menos estava muito fácil para alguém que já tem curso superior completo. Acertei 60 de 63. Sábado, Agosto 30, 2003
Estar bêbado(a) serve como desculpa?
Se você é mulher, já deve ter ouvido a fatídica justificativa: "Mas eu estava bêbado!". E provavelmente não se convenceu: "Isso não é desculpa!". Normalmente, as mulheres pouco se lixam para o fato do rapaz ter bebido umas a mais antes de fazer alguma besteira. Eu, particularmente, nunca ouvi de uma moça que estivesse envolvida comigo que ela cometeu este ou aquele deslize por estar alcolizada, mas sempre achei que levaria o argumento em consideração. Um dia desses, um amigo meu deu uma puta mancada comigo. E o que ele alegou em sua defesa? Que estava bêbado! Achei curioso. Não soube muito como lidar com a situação. Eu já usei este argumento com mulheres, mas nunca o tinha ouvido de um amigo. Mas o interessante foi a reação dos nossos outros amigos quando ouviam sobre a história. Todos, invariavelmente, disseram em defesa do amigo faltoso: "Ah, mas ele estava bêbado." Estão vendo, mulheres? Quando os homens dizem que estavam bêbados, isso não é uma desculpa esfarrapada, eles realmente acreditam que estar bêbado serve como justificativa ou atenuante.
Eu quero dizer que sexta à tarde foi muito bom. Apesar de tudo, foi muito bom. E só foi bom porque era você quem estava lá comigo. Sexta-feira, Agosto 29, 2003
Fiquei até meio mal pelo post aí de baixo. Se alguém pensava em assistir o "Amarelo Manga" pode não ter gostado muito de ter lido sobre as cenas do filme, quebrando o suspense. Lamento. E o filme não é tão ruim. Até vale assistir.
Amanhã vou trabalhar, e domingo também, o que significa que passarei boa parte do fim de semana online. Domingo também vou fazer o Enem, Exame Nacional do Ensino Médio, porque conta pontos para a Fuvest. Falando nisso, tenho dado uma olhada em uma apostila do Etapa e a situação é bastante grave. Não sei nada de matemática. Se eu prestar economia, mesmo se passar na primeira fase, vai ser difícil encarar a segunda. Ou eu presto ciências sociais ou história, ou eu estudo umas 3 horas por dia daqui até a hora do vestibular para poder tentar economia. Alguma sugestão? Algum palpite sobre o que eu vou acabar prestando no final das contas? Quinta-feira, Agosto 28, 2003
Ah, esqueci de citar a cena em que um sujeito troca maconha por um cadáver em decomposição para ficar atirando no corpo em um terreno baldio. Sem comentários.
Esses dias fui assistir "Amarelo Manga", do cineasta Cláudio Assis.
Não gostei muito. Algumas cenas que se pretendem fortes caem no ridículo por serem totalmente desprovidas de sentido. O roteiro é um mero suporte para passagens chocantes que pouco se relacionam. Estou falando de cenas como a de uma mulher muito gorda, suada e peluda se masturbando, ou o abate de um boi em um frigorífico filmado em close, ou uma dona de bar subindo em uma mesa e mostrando a vagina para um cliente. Terça-feira, Agosto 26, 2003
Estou lendo um livro sobre o Carlos Marighella (“Carlos Marighella”, editora Sol e Chuva, 1997), escrito pelo jornalista baiano Emiliano José. O livro me faz pensar sobre este período histórico do Brasil. Ainda vou escrever outro post sobre o tema além deste.
Penso que o golpe de 1964, bem como o governo militar que se estabeleceu graças a ele, via de regra, são vistos hoje de maneira equivocada. Como aprendi na escola, como assisto eventualmente na TV, como ouço e leio nossos artistas e intelectuais dizerem, a ditadura militar que ficou mais de 20 anos no poder foi um monstro maligno que tomou a nação, instalou a censura e começou a torturar quem a ela se opusesse. Houve bravos homens que se levantaram contra seu domínio perverso, verdadeiros heróis da pátria, que deram seu sangue em nome do Brasil, em nome de um ideal. Ora, não é bem assim. O movimento de 64 estava ancorado e foi saudado por amplos setores da classe média brasileira. Setores importantes da igreja saudaram o golpe. Associações de donas de casa aplaudiram o golpe. Boa parte dos estudantes concordaram com o golpe. Os empresários deram graças a deus pelo golpe. Os grandes produtores rurais respiraram aliviados com o golpe. Os veículos de comunicação jamais usaram a palavra golpe para designar a revolução. Você reparou que todos os setores da sociedade que em 1998 apoiaram o FHC e não o Lula são exatamente esses setores citados acima? Ou seja, amigo internauta, se você já preferiu FHC a Lula, muito provavelmente você teria apoiado a ditadura se tivesse vivido naquela época. Isso é só para colocar as coisas em perspectiva. A ditadura se instalou porque parte da sociedade quis que ela se instalasse. E a ditadura não foi nenhum monstro, tudo o que ela fez foi com a anuência da sociedade, pois tinha representatividade social. Que não atire pedras na ditadura quem não tem o direito de fazê-lo. Eu tenho. Segunda-feira, Agosto 25, 2003
Nasci em São Paulo e nesses quase 25 anos de vida não passei mais do que dois meses ininterruptos longe desta cidade.
Segue um poema do Pablo Neruda, e um vento que eu queria encontrar. Vento é um cavalo: ouve como ele corre pelo mar, pelo céu. Quer me levar: escuta como ele corre o mundo para levar-me longe. Esconde-me em teus braços por esta noite erma, enquanto a chuva rompe contra o mar e a terra sua boca inumerável. Escuta como o vento me chama galopando para levar-me longe. Como tua fronte na minha, tua boca em minha boca, atados nossos corpos ao amor que nos queima, deixa que o vento passe sem que possa levar-me. Deixa que o vento corra coroado de espuma, que me chame e me busque galopando na sombra, enquanto eu, protegido sob teus grandes olhos, por esta noite só descansarei, meu amor. Sexta-feira, Agosto 22, 2003
Bem que eu gostaria de estar escrevendo mais, e visitando mais blogs, mas tá difícil.
Primeiro, meu cpu deu um pau gigantesco, e o suporte técnico do UOL me disse que o único jeito é reinstalar o windows. Ou seja, nada de acessar de casa. Segundo, estou desempregado, na rua da amargura, com uma mão na frente e outra atrás. Ou seja, tirando o melodrama, nada de acessar do trabalho. Hoje estou aqui, numa tal de "Yes Net", "o seu escritório virtual". Lugar simpático. Segunda-feira, Agosto 18, 2003
Sempre tive muita raiva da polícia. Quando eu tinha uns 13 anos e comecei a frequentar estádios de futebol foi que nasceu este ódio (sim, chegou a ser um verdadeiro ódio). Eu os via não só como animais truculentos despreparados para o trato com o público, mas também como inimigos, outra turma uniformizada diferente da minha.
A percepção foi amadurencendo com o tempo, mas o ódio continuou o mesmo, mudando apenas as razões: a discriminação social, a selvageria nas periferias, as torturas em bandidos e presidiários, os assassinatos puros e simples. Outro dia andava pela rua e vi um PM conversando com um taxista sentado em seu ponto. Ouvi, de passagem, um pedaço do diálogo. O PM contava sobre uma mulher, sua mulher, que havia pedido não-sei-o-quê do supermercado. O taxista retrucou com algum comentário sobre sua própria esposa. Foi uma das poucas vezes em que foquei meu olhar além da farda de um PM e vi o homem por trás. Constatei o óbvio, que julgo tão óbvio a ponto de me irritar com pessoas que não o constatam em outros exemplos, como os políticos: o PM, a Polícia Militar truculenta, injusta, assassina, somos nós. O Congresso, os políticos corruptos, somos nós. Os cartolas do futebol, e os nossos campeonatos bagunçados, somos nós. Os presidentes das comissões de formatura somos nós. Quarta-feira, Agosto 13, 2003
Momento político (haha, essa é uma seção do meu blog)
De onde foi que esses governadores tiraram a idéia de dividir a CPMF entre deus e todo mundo? Que eu saiba, o projeto da reforma tributária nao previa nada nem perto disso. Os caras tiraram da cartola! Assim não pode, assim não dá. Segunda-feira, Agosto 11, 2003
Espírito Santo
Não sei nem como começar. Pensei em escrever um monte de coisas sobre essa viagem, esses quatro dias que eu passei em Vila Velha, na Grande Vitória. Mas não sei como começar. Quero escrever bastante pare servir de registro para mim, por isso essa longa leitura não será muito interessante para você. Leia por sua conta e risco. Amigo Régis, adianto o seguinte: o Vital nos espera!! - A casa e as pessoas Fiquei na casa de uma amiga dos tempos de colegial de uma grande amiga minha. Eu não a conhecia. Minha amiga disse-me na quarta que estava indo para Vitória ficar na casa de uma amiga e na quinta eu entrava em um ônibus com o mesmo destino. Ambiente familiar, com mães, filhas, filho, neto... O pai mora na França, a trabalho, mas estava presente todos os dias através da uma webcam, uma caixa de som e um microfone. Até eu o conheci, enviei-lhe um aceno encabulado, de jeca-tatu, sem saber ao certo como me portar diante daquela câmera apontando para mim enquanto um senhor, de óculos e bigode, do outro lado do monitor, olhava para a minha cara de tonto, para sua casa e sua esposa no mesmo quadro virtual. Mas o fato é que eram todas grandes pessoas e me fizeram sentir à vontade. - Andando com mulheres Andávamos por lá eu, minha amiga, a amiga da minha amiga e a irmã da amiga da minha amiga. Às vezes aparecia outra amiga com o namorado, só às vezes. É estranho andar só com mulheres. Não tem nada a ver com uma viagem com homens, amigos. Nesses períodos de convívio intenso é que me impressiono com as diferenças entre os genêros. Não é à toa que os homens julgam o universo feminino misterioso e indecifrável, ele é completamente distinto do nosso e tudo o que podemos fazer para compreendê-lo é observar exaustivamente. Considerando que as pessoas a todos os momentos, e a cada momento, usam máscaras, ou padrões de comportamento social adequados a cada situação que anuviam o que elas pensam ou sentem de fato, tudo o que podemos fazer para explorar o universo feminino é tatear às cegas objetos de natureza desconhecida. Assim não é fácil conhecer nada a fundo. Na prática, enquanto as moças se demoravam escolhendo a melhor blusinha para aquela ocasião, ou decidiam quem levaria a bolsa que todas dividiriam na noite, eu ficava fumando na janela, de calça e camiseta, ruminando o jeito como elas haviam falado sobre homens na praia havia quatro horas. A maneira como uma delas falava do ex-namorado, as coisas que ela fez por ele e com ele, o modo como ela via o que ele fez com ela. Faltam-me anos de observação até que eu entenda as mulheres. - Mas que diabo eu penso que sou? Não sei se você já percebeu, se você me conhece pessoalmente você sabe, eu sou meio louco. E acho que está piorando. Parece uma leve esquizofrenia. Cada vez mais enxergo o mundo como um simples e enorme objeto de análise. Sento o Universo em meu divã e o interrogo, a todo tempo, com a grandeza que não tenho (e daí a esquizofrenia), como um analista frio e maluco, que se julga possuidor da capacidade de entender, decifrar e reduzir a regras e números todos e tudo. Quanto a mim, sou nada, não faço parte do mundo, apenas o observo. Em Vitória, exercitei essa minha loucura megalomaníaca como nunca, querendo encontrar conhecimento passível de generalização no menor ato de qualquer pessoa. Creio que fui influenciado por Humbert Humbert, erudito e doente europeu que é o autor-personagem de "Lolita". - Lolita Você já leu "Lolita", de Vladimir Nabokov? O livro caiu na minha mão semana passada e foi comigo para Vitória. E é muito bom. O autor escreve de um jeito tão empolado que à primeira vista parece deboche, ou escárnio barato, ou arrogância patética. Mas não é que em pouco menos que vinte páginas eu já estava absolutamente encantado pelo estilo, pela personalidade, pela patologia e até pela arrogância do autor-personagem (Nabokov escreve o livro em primeira pessoa, mas o narrador é uma personagem que relata suas memórias). Ele se escancara ao máximo para o leitor e sua demência é singular e pitoresca, portanto muito interessante. Leia o livro, é legal, saiu agora na coleção Biblioteca Folha, sabe? Voltando à viagem, eu estava a todo momento com esse livro nas mãos, na praia, em frente à TV, no quarto onde eu dormia. As reflexões que ele me trouxe fizeram parte da viagem. - Obviedades sobre Vitória e urbanística (leitura não recomendada) Vitória não é, ao contrário do que eu imaginava, uma versão menor do Rio de Janeiro. Analogamente, os capixabas não são uma versão abrandada dos cariocas. Não me olhe estranho, eu tinha que imaginar algo sobre o lugar e as pessoas. A Grande Vitória é composta por cidades de porte semelhante, como Vitória, Via Velha, Cariacica, Serra... Não é como a Grande São Paulo, onde o núcleo é indiscutivelmente a capital e os outros munícipios se aglutinam em volta. A Grande Vitória se estende pela orla, sem um núcleo definido. Vila Velha não fica próxima à periferia de Vitória, como acontece com Guarulhos e São Paulo, por exemplo. Vitória, cidade portuária, abriga o centro econômico e político do Estado; Vila Velha, onde eu estava, é um balneário, espécie de Guarujá ampliado, para quem possui referências de SP. Isso me fez pensar em questões urbanísticas: cidades litorâneas formam-se não raras vezes em duplas: Santos-Guarujá, Vitória-Vila Velha, Rio-Niterói, Recife-Olinda, Florianópolis-São José. Creio que os recortes costeiros, com baías, ilhas, enseadas e afins, influem para que isso aconteça. Em áreas onde o mar não demarca fronteiras, é mais comum que a conurbação aconteça de forma nuclear, as cidades vão se expandindo para todos os lados, e novas faixas de ocupação vão se criando em volta do centro, formando zonas como a Grande São Paulo, a Grande Belo Horizonte e a Grande Curitiba. Ei, eu avisei que eram obviedades, você leu porque quis. - As praias e as baladas Conheci poucas praias, a maioria urbanas. São bonitas, mas nada muito maravilhoso, talvez por serem urbanas. A cor da água é linda, esverdeada, e bem limpa. Balada lá é "rock", até saiu uma foto nossa no site www.ondetemrock.com.br, hehe. São legais. Sexta-feira, Agosto 08, 2003
Quarta-feira, Agosto 06, 2003
Este blog anda meio abandonado. Não será agora que retomarei um ritmo satisfatório. Estou indo para Vitória (ES)! Talvez escreva de lá. Se não, até segunda! Segunda-feira, Agosto 04, 2003
Eu vi de novo a jóia reluzente. Quanta diferença da última vez! "Not a big deal", sentenciou meu amigo que gosta de falar em inglês.
Quinta-feira, Julho 31, 2003
Um poema de Cruz e Souza, poeta brasileiro do começo do século 20.
Acrobata da dor Gargalha, ri, num riso de tormenta, como um palhaço, que desengonçado, nervoso, ri, num riso absurdo, inflado de uma ironia e de uma dor violenta. Da gargalhada atroz, sanguinolenta, agita os guizos, e convulsionado Salta, gavroche, salta clown, varado pelo estertor dessa agonia lenta... Pedem-te bis e um bis não se despreza! Vamos! retesa os músculos, retesa nessas macabras piruetas d'aço... E embora caias sobre o chão, fremente, afogado em teu sangue estuoso e quente, Ri! Coração, tristíssimo palhaço. Terça-feira, Julho 29, 2003
Sexta-feira, Julho 25, 2003
"E então fui pegar um ônibus. Sábado à tarde, um puta e causticante sol e a promessa de um um bom chopp e de boas risadas com os amigos, no grande e aprazível Genésio.
Cheguei no ponto e vi a garota com os olhos azuis mais bonitos do mundo. Não conseguia parar de olhar, ela olhou, eu continuei olhando, ela também, até que ambos rimos, você tem olhos lindos, obrigada, meu nome é Cris, o meu é Caio. Pegamos o mesmo ônibus e ela vem e senta do meu lado e fala que trabalha num estúdio de tatoo e me mostra uma fada linda em seu ombro, eu mostro o yng-yang estilizado no meu ombro. Vital Brasil, hora dela descer, dou meu número de telefone, ela se vai. E quando ela não liga nos dias seguintes, fica tudo tão chato." Gostou? Tem mais aqui
OS EUA estão enviando tropas e navios para a Libéria. Nessas horas eu agradeço por existir uma superpotência. Seria tão bom se eles fossem mais bonzinhos... Quarta-feira, Julho 23, 2003
Quem não liga pro assunto não vai dar a mínima, e acho que quem se interessa também não, mas eu quero escrever aqui que eu acertei os resultados das três últimas reuniões do Copom para redefinir a taxa básica de juros.
Ontem eu até ia escrever aqui que eu achava que iriam baixar em 1,5%, mas saí meio correndo para um jogo de futebol e não deu tempo. Hehe, você tá pouco se fodendo para isso, mas esse blog é meu e eu escrevo o que quero. Terça-feira, Julho 22, 2003
Um fim de semana em Botucatu
A cidade é bonita. Quer dizer, eu também me contento com pouco. Sei que era possível andar pela cidade e ver o final dela. Aqui em São Paulo você nunca vê o fim da selva de pedra, a cidade te engole e seu horizonte se estreita com tantos prédios. Lá, não. Em uma rua mais alta, é possível ver onde a cidade acaba e começa o verde, o espaço vazio e natural. Gostei bastante. Mas de tranquila e pacata a cidade e a viagem não tiveram nada. Fui para um casamento, de uma tia de um amigo de um amigo meu. Não prestigiei a cerimônia, apenas o churrasco que teve depois. Chegando lá, fui apresentado para a noiva, que não estava de branco e tem 31 anos. Disse eu, logo de cara: "ah, a senhora é a mãe da noiva? Meus parabéns". Nossa, foi uma das maiores gafes da minha vida. "Ele está brincando", tentou consertar uma sobrinha da moça. Eu não sabia onde enfiar a cara. Minutos depois conheci a senhora mãe da noiva. Uma mulher de uns 65 anos, loira, bêbada e de olhos azuis. Mãe de 11 filhos, 10 com homens diferentes. Exagerou um pouco nas gentilezas de praxe e momentos depois estava dançando com a gente, um bando de caras entre 18 e 25 anos. Começo a notar que a senhora dança com o corpo próximo demais do meu. E começa a me olhar com uma cara estranha, de loba. - Ei, cara, sua vó tá meio estranha - Fica esperto, cara; ela tá querendo te catar. Meu deus, que pique tem a senhora. Claro que tirei meu time de campo, nunca vi situação mais pitoresca. À noite, fomos para uma danceteria da cidade, o Café Iguana. Lugar agradável, música aceitável, a noite transcorre bem. Na saída, um amigo fica retido pelos seguranças do lugar em virtude de um problema na comanda. Consideravelmente alcoolizado, não entendo bem o que está se passando e deixo o local, a caminho do nosso carro. 5h20 da manhã. Um amigo, o dono do carro, vem atrás de mim dizendo que não sabe o que fazer, pois não querem liberar nosso amigo a não ser que ele pague por algo que supostamente não consumiu. Sugiro pegarmos o carro e irmos para a frente da danceteria, e então tentarmos falar com o dono ou gerente, ou algo assim. Quando estamos entrando no carro surge um homem exibindo uma pistola na cintura: - Ei, não entra no carro não, espera aí. Obedecemos, naturalmente. Já estava levantado os braços, ensaiando um "calma, não atire, pode levar tudo" quando o rapaz se apresenta como policial e diz estar atrás dos filhos da puta que roubaram duas rodas do nosso carro. Uma viatura já seguia para o local. Só então nos demos conta da falta das duas rodas. O que fazer? Chamar o seguro? Fazer B.O.? Decidimos ir, primeiro, resgatar nosso amigo preso na danceteria. Chegando lá, bato na porta e o segurança abre. Meu amigo com uma cara de pavor, pedindo peloamordedeus pagaessamerda, o quantoelespedirem, porfavor!! Bêbado e indignado, tento discutir com o segurança, que fecha a porta na minha cara. Eu abro a porta de novo. Ele diz que não tem conversa, ou paga ou o cara não sai, e fecha a porta de novo. Eu abro a porta de novo e digo que isso é contra a lei. Ele tira um spray de pimenta do bolso e atira nos meus olhos. Na hora não ardeu: - Você pensa que pode me parar com essa merda? - Ah, não posso? Com o sol a brilhar o dia, saio correndo com o segurança atrás, me dando socos e pontapés. Meu amigo apanha junto. Então meus olhos começam a arder e eu já não enxergo mais nada. Chega a viatura de polícia, a nossa salvação. Eu volto à porta da danceteria, com duas cachoeiras, uma nascente em cada olho, e abro a porta de novo. O segurança aparece e eu corro para a viatura. O segurança me esbofeteia na frente do PM: - Você não vai fazer nada? - Olha, esse cara é polical civil, ele tá fazendo bico aí no Café Iguana. A gente não se dá muito bem com a Civil, não posso fazer nada. Meu amigo, frio e ponderado, argumenta que pelo menos o PM poderia resgatar o outro que está preso lá dentro, já que isso se constitui em cárcere privado, o que é contra a lei. - Rapaz, esfria a cabeça e paga o que eles estão pedindo, é o melhor que você pode fazer. Se o problema não tem solução, solucionado está. Ele paga o que pediram e chamamos o guincho. Quase 7h da manhã, desistimos do B.O. À espera do guincho, meu amigo dono do carro arcando com um enorme prejuízo, meu amigo que ficou preso com a mão na cabeça, massagenado o lugar em que tomou as maiores pancadas lá dentro, e eu com o rosto cor de sangue e os olhos numa piscina ardida, riamos todos da própria desgraça. De toda essa merda que aconteceu, o que mais me marcou foram esses momentos na rua ensolarada, em que ríamos da própria desgraça. Nada nem ninguém conseguiu tirar nossa alegria. Fiquei muito contente de poder rir num momento como esse. E muito feliz de ter amigos que puderam rir também. Sexta-feira, Julho 18, 2003
1 - Alguma coisa está fora de ordem
Notícia 1 - Lucro dos bancos cresce 20% no terceiro trimestre de 2002 Notícia 2 - Renda na indústria despenca 6,5% em um ano, diz IBGE As duas notícias não são referentes exatamente aos mesmos meses, mas o quadro permanece inalterado. Se o lucro dos bancos não pára de crescer e o setor produtivo não pára de se retrair, claramente há um desequilíbrio na conjuntura econômica. Em outras palavras, os bancos estão enchendo o cu de dinheiro enquanto o resto do país luta para tirar o pé da lama. 2 - Estou indo para a bela e pacata Botucatu (SP). Depois de trabalhar por dois fim de semanas seguidos, vai ser muito bom usufruir da paz e tranquilidade interiorana. Quinta-feira, Julho 17, 2003
Você chegou a ver isso?
A notícia está aqui. Trata-se de uma casa no complexo da Maré, Rio de Janeiro, que ficou no meio de um tiroteio entre traficantes por seis horas e foi alvejada com 113 projéteis. A polícia militar, que por sinal mantém um posto a 200 metros do local, chegou 13 horas depois. Uma pessoa morreu. Um trechinho da repotagem: "Os seis policiais do Posto de Policiamento Comunitário, que fica a 200 m do local do tiroteio, não interferiram nem pediram reforço aos 250 homens que estavam no batalhão de madrugada. O tenente que se identificou como Souza, responsável pelo posto ontem à tarde, disse que o barulho dos tiros não deve ter sido ouvido pela equipe de plantão durante a madrugada. Ele minimizou o acontecimento: "Não foi assim como o pessoal está falando. Deram uns tirinhos, que sempre tem, aqueles rotineiros". A reportagem não cita e nem ouviu o dono da casa metralhada. Enquanto, meu amigo, esse tipo de coisa acontecer e não nos significar nada, não temos o direito moral de ficarmos indignados com a morte de uma menina na universidade Estácio de Sá. NÃO TEMOS O DIREITO, ENTENDEU?
E o pior é que, se a Erundina não se candidatar, é para essa perua aí que vai o meu voto. E espero que o seu também!
Por que não enfiou no cu?
Vai chegando o fim do mês e eu vou ficando sem dinheiro. Neste julho, em específico, a situação está mais preocupante que o normal. Ontem, voltando do trabalho para casa, portando nos bolsos 30 reais que não me pertenciam, decidi parar em um bingo na rua Augusta. Eu não entrava em um há mais de um mês e, não é conversa de jogador, eu de fato costumava ganhar com razoável frequência em um determinado tipo de máquina caça-níquel. Em menos de 20 minutos perdi a grana. P.S. - os comentários dos últimos posts têm sido uma atração à parte. Valeu! Terça-feira, Julho 15, 2003
Confissões de adultescente:
- preciso sair menos - preciso fumar menos - preciso beber menos - preciso começar a estudar pro vestibular se realmente quero entrar em economia
Coisas que eu gosto que causam certa surpresa em certas pessoas:
- Música e shows de axé - Pegar ônibus - Andar a pé de madrugada Domingo, Julho 13, 2003
Avenida Paulista, ontem, por volta das 22h. Frio cortante. Na calçada, em uma esquina, meio sem rumo, um mendigo segurando um cão pela coleira me aborda, apontando para o céu e para dois colegas seus:
- Sangue bom, por favor, um minuto da sua atenção. - Opa, fala aí. - Olha como tá frio, nóis tudo aqui tá com muito frio. Eu não queria mentir pra você... - Você quer dinheiro pra comprar uma pinga? - É, eu não queria mentir para você, nóis aqui tamo fazendo uma vaquinha pra comprar umas dosinhas. Você pode contribuir? Se eu falar pra você que é pra comprar pão é mentira. Tirei do bolso o troco do cigarro que eu acabara de comprar, 75 centavos, e dei ao homem. A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte. Sábado, Julho 12, 2003
Você sabia?
A cidade de São Paulo recebeu 80,6% (R$ 919,2 milhões) do total emprestado pelo BNDES à prefeituras de janeiro do ano passado a junho deste ano. http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u78320.shtml Sexta-feira, Julho 11, 2003
Li esse poema do Shakespeare e pensei em meus avós. É útil imaginar que um dia poderei sentir assim.
Quando vejo que tudo quanto cresce Só é perfeito por um breve instante E que o palco dos homens se oferece Aos desígnios dos astros mais distantes; Quando o céu que ora aplaude ora reprova Homem e planta em pleno crescimento Vêem findar-se a seiva e a ainda nova Glória que tinham cai no esquecimento; À luz de tão instável permanência Aos meus olhos mais moço te anuncia, Embora juntos, Tempo e Decadência Queiram mudar-te em noite o claro dia: - Então, por teu amor, o tempo enfrento - E quanto ele te rouba, te acrescento. Segunda-feira, Julho 07, 2003
Confesso que fiquei triste com a derrota de São Paulo para o Rio de Janeiro na disputa pela vaga de concorrente do Brasil na disputa para ser sede da Olimpíada de 2012. Vou torcer pela cidade maravilhosa agora, mas com uma pontinha de inveja indescupável no fundo da alma.
Finalmente tomei vergonha na cara e coragem para ler "O Capital", ainda que seja uma versão reduzida.
Acho que todo mundo que se interessa por ciências humanas deveria ler este livro. É muito interessante, depois de ler tantos textos que beberam desta fonte, ter contato com o original, ver como dali foram surgindo interpretações, análises, que se somaram a outros estudos, outras teorias. Não vou querer comentar o conteúdo. Tanta gente capacitada já o fez, o que eu poderia acrescentar? Mas digo que fiquei agradavelmente surpreso com a qualidade da retórica, com a riqueza e complexidade da linguagem. Parece um literato escrevendo, esse Karl Marx. Segue um pedaço: "Os socialistas acolheriam com entusiamo a limitação das horas de trabalho. As horas extenuantes empregadas em enriquecer os capitalistas poderiam ser utilizadas então em benefício da ação política e da propaganda socialista, a que é fisicamente refratário o operário que passa doze ou quinze horas nos presídios industriais. A desdita, a penúria, a grande miséria, o padecimento constante, longe de excitar os ânimos e reanimar os espíritos, deprimem as inteligências e abatem o valor, criam a prostração e não a fogosidade." Domingo, Julho 06, 2003
Noite de domingo e eu trabalhando. A melancolia desse dia ultimamente tem até contaminado minha noite de sábado. Sexta-feira, Julho 04, 2003
Navegando por aí, encontrei algo interessante:
“Um feirante relata que sempre que voltava da feira satisfeito por ter vendido toda sua mercadoria, dizia a seus vizinhos que o dia tinha sido um fracasso. Assim dormia feliz... e seus vizinhos também. Quando não vendia nada e voltava acabrunhado, dizia a seus vizinhos que o dia fora um sucesso, vendera tudo e estava cheio de dinheiro. Assim ia dormir com muita raiva .... e seus vizinhos também.”
Hehe, não sei se você viu a mensagem de um cara chamado "Caioto" no post ali de baixo. Entre outras coisas, ele pergunta se eu nao vou linkar o blog dele, conforme eu havia dito que iria. Bom, o blog dele é o Andróide Paranóide e vale uma calma leitura na primeira vez que se entra e um acompanhamento regular a partir de então. Vou linkar daqui a pouco. Quinta-feira, Julho 03, 2003
Ontem fui ao cinema sozinho. Assisti a "O que fazer em caso de incêndio", um filme alemão aí, legalzinho. Vale ser assistido porque é rodado em Berlim, cidade pouco conhecida por nós, brasileiros, então pode-se aprender coisas novas.
Sempre que termino um namoro passo a frequentar bem mais o cinema, a maioria das vezes sozinho, mas também acompanhado. Eu gosto muito de ir sozinho. O que mais me delicia é andar na região da avenida Paulista de cinema em cinema, analisando quais filmes estão à disposição e em quais horários. Daí, escolho o que melhor me convir, sem ter que ceder nem em um milímetro a vontades outras que não a minha. Eu sou tarado por liberdade. Outra coisa legal de ir ao cinema sozinho é que eu sempre me envolvo mais com o filme. Afinal, fica-se duas horas lá dialogando unicamente com aquela história, toda a atenção voltada para ela, dá para pensar, sentir e absorver muito mais do que com uma companhia ao lado.
Pensamentos pré-almoço
- Sensacional o Lula colocando o boné do MST. Sensacional o MST. - Chupa Santos. - Ontem eu saí. Foi bem interessante. Fomos apenas eu e mais um amigo. Às 3h da manhã éramos só nós dois em uma rua que só leva este nome porque eu sou bonzinho. Quarta-feira, Julho 02, 2003
Desconforto
Muita gente que eu conheço pessoalmente tem lido este blog de vez em quando. São todos bem-vindos. Inevitavelmente, porém, isso tira um pouco da minha liberdade ao escrever. Acho que todo blogueiro deve sentir isso em algum momento. No começo ninguém lê ou escreve no seu blog e você espera que ele tenha mais visitas. Daí, com o tempo, você começa a ouvir comentários e perguntas do tipo, "ô, aquilo que vc escreveu é sobre fulano?", ou "vi o que você escreveu. Não é por causa daquilo, é?". Então fica difícil. Quando comecei com este blog, imaginava escrever tudo o que quisesse, e hoje em dia já me vejo pensando duas vezes se o que eu vou escrever não vai me causar problemas. Terça-feira, Julho 01, 2003
44,4% dos negros de São Paulo e Rio de Janeiro são indigentes
Boa notícia né? Você já reparou na letra dessa música, dos Racionais? Seguem alguns trechos. Ela é gritada, reclamante, incendiária. Capitulo 4 Versículo 3 60% dos jovens de periferia sem antecedentes criminais já sofreram violência policial; a cada 4 pessoas mortas pela polícia, 3 são negras; nas universidades brasileiras, apenas 2% dos alunos são negros; a cada 4 horas um jovem negro morre violentamente em São Paulo; aqui quem fala é Primo Preto, mais um sobrevivente. Minha intenção é ruim, esvazia o lugar! Eu tô em cima, eu tô a fim, um dois pra atirar! Eu sou bem pior do que você tá vendo O preto aqui não tem dó, é cem por cento veneno! A primeira faz "bum!", a segunda faz "tá!" Eu tenho uma missão e não vou parar! Meu estilo é pesado e faz tremer o chão! Minha palavra vale um tiro, eu tenho muita munição! Pra detonar minha ascenção, minha atitude vai além! E tem disposição pro mal e pro bem! Talvez eu seja um sádico ou um anjo Um mágico ou juiz, ou réu Um bandido do céu! Malandro ou otário, padre sanguinário! Franco atirador se for necessário! Revolucionário ou insano. Ou marginal! Antigo e moderno, imortal! Fronteira do céu com o inferno! Astral imprevisível, como um ataque cardíaco do verso! Violentemente pacífico! Verídico! Vim pra sabotar seu raciocínio! Vim pra abalar o seu sistema nervoso e sanguíneo! Rolou dois manos, um acenou pra mim, de "jaco" de cetim de tênis, calça jeans. "Hey Brown, sai fora, nem vai, nem "cola"! Não vale a pena "dar idéia" nesse tipo aí. Ontem à noite eu vi, na beira do asfalto tragando a morte, soprando a vida pro alto! Ó os caras só pó pele e osso, no fundo do poço, E mais flagrante no bolso!" Veja bem, ninguém é mais que ninguém, veja bem, veja bem e eles são nossos irmãos também. "Mas de cocaína e crack, whisky e conhaque, os manos morrem rapidinho sem lugar de destaque!" Mas quem sou eu pra falar de quem cheira ou quem fuma nem dá... Nunca te dei pôrra nenhuma! Você fuma o que vem, entope o nariz! Bebe tudo que vê! Faça o diabo feliz! Você vai terminar tipo o outro mano lá, que era preto tipo A Ninguém "entrava numa", mó estilo! De calça "Calvin Klein", tênis "Puma" É... o jeito humilde de ser, no trampo e no rolê. Curtia um funk, jogava uma bola, buscava a preta dele no portão da escola. Exemplo pra nós, maior moral, "mó" IBOPE! Mas começou "colar" com os branquinhos no shopping, "Ai já era"... Tem uns 15 dias atrás eu vi o mano... Cê tem que ver, pedindo cigarro pro "tiozinho" no ponto Dente todo "zoado", bolso sem nem um conto! O cara cheira mal, cê ia sentir medo! Muito louco de sei lá o quê, logo cedo! Agora não oferece mais perigo: viciado, doente e fudido, inofensivo! Quatro minutos se passaram e ninguém viu, O monstro que nasceu em algum lugar no Brasil! Talvez um mano que trampa debaixo do carro sujo de óleo, que enquadra um carro forte na febre, com sangue nos olhos! O mano que entrega envelope o dia inteiro no sol ou o que vende chocolate de farol em farol! Talvez o cara que defende o pobre no tribunal, ou que procura vida nova na condicional. Alguém no quarto de madeira, lendo à luz de vela, ouvindo o rádio velho, no fundo de uma cela! Ou da família real de negro como eu sou, um príncipe guerreiro que defende o gol! E eu não mudo, mas eu eu não me iludo: os mano "cu de burro", tem, eu sei de tudo! Em troca de dinheiro e um carro bom tem mano que rebola e usa até batom! Vários patrícios falam merda, pra todo mundo rir! haha! pra ver branquinho aplaudir! É... na sua área tem fulano até pior! Cada um, cada um, você se sente só! Tem mano que te aponta uma pistola e fala sério, ou explode sua cara por um toca fita velho! click! plau! plau! plau! e acabou! Sem dó e sem dor Foda-se sua cor! Limpa o sangue com a camisa e manda se fuder! Você sabe porque, pra onde vai, pra quê. Vai, de bar em bar, de esquina em esquina, pegar 50 contos, trocar por cocaína. Foda é assistir a propaganda e ver, não dá pra ter aquilo pra você, playboy "forgado" de brinco, um trouxa, Roubado dentro do carro na Avenida Rebouças! Correntinha das moças, Madame de bolsa Dinheiro: Não tive pai, não sou herdeiro. Se eu fosse aquele cara que se humilha no sinal, por menos de um real, minha chance era pouca, Mas se eu fosse aquele moleque de touca, Que engatilha e enfia o cano dentro da sua boca, "de quebrada", sem roupa, você e sua mina, Um, dois! Nem me viu! Já sumi na neblina! Mas não... Permaneço vivo, luzindo a mística! 27 anos contrariando a estatística! O seu comercial de TV não me engana, HÃ! Eu não preciso de status nem fama. Seu carro e sua grana já não me seduz, E nem a sua puta de olhos azuis! Eu sou apenas um rapaz latino americano apoiado por mais de 50 mil manos! Efeito colateral que seu sistema fez, Racionais, capítulo 4 versículo 3! Segunda-feira, Junho 30, 2003
Meus acentos voltaram, com uma ajuda da minha amiga Ceres.
Podem me chamar de machista (quem me conhece bem sabe que eu sou o exato oposto disso), mas eu acho que mulheres possuem a cirrosa mania de dizer coisas que não têm o direito de dizer, principalmente quando tomadas pelo ciúmes. Claro, claro, não são todas. Sexta-feira, Junho 27, 2003
Nossa, o blogger mudou a página de controle do blog. ficou boa
porra, tinha tanta coisa pra escrever aqui, mas nao deu tempo e agora eu to mto atrasado, com meu amigo esperando lá embaixo pra ir pra campos do jordão. que pena, meu. mas deixa aí uma mensagem de qualquer jeito vai... Quarta-feira, Junho 25, 2003
Pensamentos da manhã:
- Em boa hora o governo decidiu afrouxar as metas de inflação. Penso que o segundo ano de mandato do Lula vai ser bem melhor - O Guga está cada vez mais parecido com o Rubinho - Trabalhar de manhã é bom, ter a tarde livre e tal... o difícil é perder o hábito de sair à noite Terça-feira, Junho 24, 2003
Aconteceu uma coisa engraçada. Esse post aí de baixo que eu escrevi gerou alguma polêmica. Só que não aqui, e sim no blog de uma moça, chamado Blogshit, nos comentários de um post dela que não tem nada a ver com o assunto. Eu poderia tentar explicar melhor o que eu quis dizer e tal, mas não creio que valha a pena. Melhor é deixar pra lá, até porque a moça, veja você, é minha colega de empresa. Aqui vai a definição de doença do Aurélio:
Doença . [Do lat. dolentia.] S. f. 1. Med. Denominação genérica de qualquer desvio do estado normal. 2. Med. Conjunto de sinais e/ou sintomas que têm uma só causa; moléstia. 3. Fig. Mania, vício, defeito: Segunda-feira, Junho 23, 2003
Gays na Paulista
Ontem teve parada gay aqui na cidade horrorosa (tô brincando, tô brincando) e mais de 800 mil pessoas estiveram presentes. Aproveito para dizer o que penso sobre gays e homossexualidade. A homossexualidade é, por assim dizer, uma patologia. Uma anomalia, um desvio, um defeito, de fabricação ou não, na cabeça de alguns. E é incurável. É um defeito como é a miopia (eu sou míope), só que com algumas diferenças: - a miopia pode ser "consertada" pelo uso de lentes corretivas; a homossexualidade não possui nenhum tratamento terápico. - a miopia prejudica o portador da deficiência, fazendo-o enxergar menos ou pior; a homossexualidade não prejudica em nada o indivíduo portador, apenas inviabiliza a reprodução (a priori). Considerando que a espécie humana não está correndo risco de extinção, muito pelo contrário, não há mal nenhum no fato de alguns indivíduos não se reproduzirem. Assim sendo, a homossexualidade, a despeito de ser uma patologia (hormomal, comportamental, psicológica, não importa), não pode e não deve ser combatida. Cabe ao cidadão homossexual viver a vida normalmente. E ao heterossexual simplesmente ignorar esse defeito nos colegas gays. Como eu disse, sou míope e ninguém me aponta o dedo na rua, "olha, lá vai o míope! Aê seu míope sem-vergonha!". E que ninguém se choque com a denominação de patologia. É incontestável que a ordem natural é homens se relacionarem com mulheres e ponto. Qualquer coisa que fuja disso é desvio do que é natural. Agora, há quem coloque impedimentos morais nesse tipo desvio e até em desvios como um todo. Não eu. Viva o desvio, fora com a curva-padrão! Não, que siga a curva padrão quem nela vê o melhor caminho ou locus. Viva o desvio e viva a curva padrão! Tirando fazer mal para o próximo, não há pecados abaixo da linha do equador, certo?
A minha impaciência com o Haloscam está quase ultrapassando a minha preguiça de procurar e disponibilizar um outro sistema de comentários. Enquanto isso, você podia aproveitar pra assinar o livro de visitas, heim? Tá logo ali embaixo, ó. Sexta-feira, Junho 20, 2003
Meu salário deveria ter caído hoje, dia 20, mas não caiu. Já estava antevendo um fim de semana na pindaíba quando meu chefe entrou no icq para me passar umas orientações e ouviu (leu) minhas lamúrias. Não é que o cara transferiu uma grana da conta dele pra minha pra eu pagar na segunda? Tá vendo como chefe nem sempre é filho da puta?
Depois de assistir ao filme "Desmundo"; depois de ler o livro "Espere a Primavera, Bandini"; depois de presenciar a enésima discussão de minha irmã de 26 (!) anos com meu pai sobre viagens com o namorado, só posso dizer uma coisa:
AS MULHERES SE FUDERAM E SE FODEM MUITO NA HISTÓRIA DA HUMANIDADE Quinta-feira, Junho 19, 2003
"Tabacaria", de Álvaro de Campos, é um puta poema. Entrei aqui e lembrei dele. Vai um trecho:
(Come chocolates, pequena; Come chocolates! Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates. Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria. Come, pequena suja, come! Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes! Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho, Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
José e Maria musical
- Oi... Ainda podemos conversar? - Conversar para quê? Olha, pra ser sincera não espero de você mais do que educação, beijos sem paixão, crimes sem castigo e apertos de mãos. - Apenas bons amigos? - É. - Mas e os momentos felizes, não deixaram raízes? - Deixaram, mas o perdão também cansa de perdoar. Você jurou mentiras, agora siga sozinho, assuma os pecados. - Eu errei, sim, mas foi só um erro! Um erro, assim, tão vulgar, que nos persegue a noite inteira e quando acaba a bebedeira ele consegue nos achar. Num bar, como um vinho barato. - Pára! você não percebe que assim está só me machucando? Eu perco o sono e choro, sei que quase desespero, mas não sei porque. - Eu também estou sofrendo. Mas já não me importa. Basta poder te ajudar. - Obrigado, não! São tantas marcas que já fazem parte do que eu sou agora... mas ainda sei me virar! - Mas por que não podemos esquecer tudo? Olha, vai ter festa no candeal e batuque no canjerê. Eu vou levar meu timbau e tocar samba pra você, o que acha? - Você se aproxima de mim, com esses modos estranhos... E eu digo que sim. Mas seus olhos castanhos me metem mais medo que um raio de sol... - Esqueça o medo! Amanhã, outro dia; lua sai, ventania traça uma nuvem que passa no ar. Beija, brinca e deixa passar. - Por Deus, então vem, que eu conto os dias, conto as horas pra te ver. Vem que eu to morrendo de saudades. Vem que a saudade é o revés de um parto. A saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu. - E agora eu vou lhe mostrar: Eu te amo. Eu te amo.
Quando o Lula ganhou as eleições, eu fui para a avenida Paulista e assisti ao primeiro discurso do presidente depois de eleito. Tinha um monte de amigos meus lá, um monte de gente como eu, que esperou muito tempo por aquele momento. E foi mágico. Tirei fotos com dezenas de pessoas que nunca vi, e também com pessoas que nunca gostei, o sorriso de orelha a orelha no rosto de todo mundo, cantando sem parar as músicas da campanha. Eu não gosto de sair sorrindo em fotos, acho que fico estranho, não sei, mas nesse dia eu saí sorridente em todas. A alegria estava transbordando em mim. Já comemorei muitos títulos do Corinthians e até uma Copa do Mundo na avenida Paulista. Nada nunca chegou nem perto daquela noite, histórica para o país, mais que histórica na minha vida. Terça-feira, Junho 17, 2003
Estou lendo "Espere a Primavera, Bandini", de John Fante, alguém conhece? É um escritor norte-americano nascido em 1909 e morto em 1983, filho de imigrantes napolitanos. Eu nunca tinha ouvido falar e estou simplesmente devorando o livro, devo acabar hoje. Recomendo fortemente a leitura.
O mais legal é que não existe um só protagonista. De uma família de esposa, marido e três filhos, o casal e o primogênito recebem atenção praticamente igual do narrador, que invade suas consciências com desenvoltura. E daí, porque são todos atores de tragédias cotidianas, é fácil ao leitor se enternecer e condoer-se por um ou por outro. Eis, então, quando se está no auge da compaixão por um personagem, que ele aje de maneira extremamente egoísta, e imprime uma dor horrível a um de seus familiares, a quem você já se apegou também, em algum momento da história, e você fica absolutamente perdido. Em tempos de maniqueísmo, serve para nos mostrar que a alma do ser humano jamais pode ser reduzida à classificação de boa ou má. "Espere a Primavera, Bandini", de John Fante, editora Brasiliense, menos de 200 páginas. Um excelente livro. Falando em descobertas de coisas velhas (o livro é de 1938), assisti outro dia ao filme "Gritos do Silêncio", nao sei de que ano nem o diretor, que se passa no Cambodja durante a revolução do Kmher Vermelho. Se você ainda não assistiu, deveria alugar. O filme é sensacional.
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso criticou o atual governo por estar "exagerando na dose" na demora para baixar a taxa básica de juros. Criticou também a forma como o Planalto tem montado suas equipes, alertando para o excesso de clientelismo.
Vou colocar aqui uma foto do nosso ex-presidente em uma praia na República Dominicana. Shorts bonito, né? ![]() Se você não consegue ver esta foto, clique aqui.
Feriado Online
Trabalhar no feriado costuma ser bem chato, mas dessa vez não vai me incomodar. Pelo menos vou escrever aqui quinta e sexta. A net lá de casa tá muito ruim de ligar. Sexta-feira, Junho 13, 2003
Fazia tempo que eu não colocava uma poesia do Fernando Pessoa aqui. Já tava com saudades. Então escolhi essa, que é dele mesmo, e não de um heterônimo.
Se alguém bater um dia à tua porta, Dizendo que é um emissário meu, Não acredites, nem que seja eu; Que o meu vaidoso orgulho não comporta Bater sequer à porta irreal do céu. Mas se, naturalmente, e sem ouvir Alguém bater, fores a porta abrir E encontrares alguém como que à espera De ousar bater, medita um pouco. Esse era Meu emissário e eu e o que comporta O meu orgulho do que desespera. Abre a quem não bater à tua porta! Porra, eu acho esse cara demais. Quinta-feira, Junho 12, 2003
Luana Piovani atua no filme "O Homem que Copiava", que estréia esta semana aqui na Paulicéia. Meu, a Luana Piovani é linda.
Ele
Lugar escuro, esfumaçado, música alta, ricos e desgraçadas. Uísque, vodka, submundo e ele chega para profanar o ambiente libertino. Ele entra, se senta, pega no copo e... não! O brilho, reluzindo como ouro, delgada, gritante, a aliança traz náusea aos homens de bem.
O Delfim Netto falou aqui que o governo precisa "olhar mais para o chão de fábrica".
O Delfim Netto!! Terça-feira, Junho 10, 2003
Viva o Dia dos Namorados
Nunca ouvi falar tanto do Dia dos Namorados como neste ano: "tem cartões de Dia dos Namorados"; "a rádio fez um canal com músicas românticas"; "saúde tá dando lista de alimentos afrodisíacos para a noite de quinta". É o dia todo. Acho legal o Dia dos Namorados. Tá, tá, pode ser uma data comercial, feita para aquecer o comércio, etc, etc, etc. Ainda que fosse só este motivo, aquecer o comércio, já não seria de todo ruim. Mas não se resume a isso. Os casais ficam contentes, esperam ansiosos, escolhem presentes que exprimam da melhor maneira possível suas paíxões, seus carinhos. E os solteiros também gostam, se apenas solteiros forem, e não solitários. Tem sempre um baile de solteiro por aí e aquele pessoal não querendo passar a data sozinho. Vou até colocar um poema aqui, do Shakespeare, para homenagear a data. Não ando simpatizando muito com os ingleses e este não é dos textos mais românticos, mas arte é arte. Se a morte predomina na bravura Do bronze, pedra, terra e imenso mar, Pode sobreviver a formosura, Tendo da flor a força a devastar? Como pode o aroma do verão Deter o forte assédio destes dias, Se portas de aço e duras rochas não Podem vencer do Tempo a tirania? Onde ocultar - meditação atroz - O ouro que o Tempo quer em sua arca? Que mão pode deter seu pé veloz, Ou que beleza o Tempo não demarca? Nenhuma! A menos que este meu amor Em negra tinta guarde o seu fulgor.
Aí, pessoal que escreveu sobre Matrix no post da sexta-feira e também os que comentaram a respeito do nosso vice-presidente, obrigado pelas mensagens, muito pertinentes.
Decidi que vou não vou ver Reloaded no cinema. A safra está muito boa para perder tempo. Sexta-feira, Junho 06, 2003
1 - Perdoe o tema árido para o fim de semana, mas não consigo compreender o sentido político das declarações do nosso querido vice-presidente José -fala pelos cotovelos- Alencar. Ele fica nesse morde-e-assopra sobre os juros e acaba só constrangendo mais o núcleo do governo. Quer dizer, agora, se o Copom baixar os juros, vai ter gente dizendo que foi por pressão, que foi uma decisão política e não técnica. E se não baixar, vai ter gente falando que foi por birra.
À margem desta questão, chega a ser irônico que o representante da direita do governo Lula seja a voz mais audível a favor da queda dos juros na cúpula do Planalto. A verdade é que os termos "direita" e "esquerda" estão se tornando cada vez mais obsoletos dentro da política. 2 - Estou pensando seriamente em ignorar Matrix e esperar o DVD para assistir esse tal de "Reloaded". Já não gostei do primeiro, e as opiniões que tenho ouvido a respeito deste que está em cartaz não são das melhores: "história meio boba"; "é só um filme de luta"; "virou videogame" são algumas das declarações que tenho escutado. Alguém com paciência e bom coração pode comentar aqui o que achou do filme? Não quero ir ao cinema e me irritar. 3 - Estou voltando a visitar os blogs legais que costumava ler. São muitos, e estou indo aos poucos. Quarta-feira, Junho 04, 2003
Minha dor de cabeça passou. Vou contar uma história que eu queria escrever aqui faz tempo, da minha adolescência.
Quando eu tinha 14 anos fiz minha primeira viagem relativamente longa sem a minha família. Fui para uma cidade do interior de Minas Gerais passar o Carnaval com um amigo e a família dele. Meu pai era só preocupação, e entupiu meus ouvidos com os conselhos e recomendações de praxe. Cheio de mim, ponderei que era melhor eu comprar alguns preservativos, sabe como é. Não satisfeito em conversar apenas comigo, meu pai solicitou um encontro com o pai do meu amigo, pedido de mamãe. Após constatarem que eram todos responsáveis e de boa índole, os pais liberaram o filho para acompanhar aquela família. Chegando lá, deixamos as mulheres no hotel e fomos eu, meu amigo e seu pai direto para a farmácia. O pai comprou as camisinhas e eu esbocei uma vontade de pagar, imediatamente reprimida pelo meu amigo: - Não, seu pai pediu que o meu pai cuidasse disso. Quando é assim, ele paga. Então tá certo. Chegou a primeira noite. Passou a primeira noite e não chegamos nem perto de comer ninguém. Chegou a segunda noite. Passou a segunda noite e não tínhamos visto nem uns peitinhos. No terceiro dia, pela manhã, já um pouco preocupado, perguntei ao garçom do hotel se aquela cidade possuía alguma casa de tolerância. "Não tem. Já teve, mas fechou. Mas se você for atrás da igreja ali do bairro X (não recordo o nome) é capaz que você encontre umas putas velhas para te servir". Antes de saírmos para a terceira noite, transmiti a informação ao meu amigo. Ele estava tomando banho e eu gritando do lado de fora do banheiro. "Então, têm umas putas aí, acho que dá pra ir a pé. Se hoje a gente não conseguir nada....". E ele, também aos berros, "ah, beleza, então vamos combinar, de um jeito ou de outro, a gente não volta para São Paulo virgens". Combinado!! A terceira noite não foi diferente da primeira e da segunda. Um beijinho aqui e outro ali, mas nada de sexo. E não tivemos melhor sorte na quarta noite. Lá pelas 4h da manhã da quarta-feira de cinzas fomos ao encontro das profissionais. Procuramos até amanhecer e não as encontramos. Só fui perder a virgindade quase dois anos depois, aos 16, com uma namorada. As camisinhas, umas viraram bexigas, outras foram usadas em masturbação, mas ninguém na família dele soube desse destino das dita cujas. A mãe dele, desbocada, perguntou, "e aí, molharam o biscoito ou não molharam o biscoito?" Conforme tínhamos combinado, respondemos com evasivas, mas não poupamos uma risada matreira, de quem é discreto por modéstia. Terça-feira, Junho 03, 2003
Um conhecido meu (infelizmente não posso chama-lo de amigo) acabou de mudar para o Rio de Janeiro. Ele contou isso em um egroup de que faço parte e eu, na maior cara-de-pau, transcrevo aqui:
São 2 horas da madrugada, eu acabo de conhecer a moça Phaedra e seus colegas de trabalho, que fizeram um convescote num boteco na Chácara do Céu, aos pés do Dois Irmãos. A balada foi por ocasião de seu novo posto de trabalho e despedida do antigo ocupante do cargo que ela agora exerce. Depois de descermos o morro da Chácara do Céu até o Leblon, Phaedra coloca-me em um ônibus rumo ao Largo do Machado e segue até sua casa. Chego no Largo do Machado e não vejo a Kombi salvadora que me leva todos os dias até minha morada provisória em Santa Teresa. Resolvo encarar a ladeira acima. Vou subindo o morro de volta pra casa. O morro chama-se S. Judas Thadeu, ops, Tadeu, como o acaso costuma designar os lugares onde moro, mesmo que temporariamente (a morada, não a designação). É uma estradinha em zigue-zague, cheia de cotovelos para os carros e escadas para os pedestres que querem cortar caminhos. Logo no começo da subida, encontro uma balada bombando um hip-hop a 12 pila de entrada pra macho. Bebo umas duas cervejas na calçada mesmo e sigo subindo. Subo uma escada, escalo uma escadinha e deparo com uma escadinhazinha desconselhável para o horário. Mas as cervejas me ajudam a tomar a decisão de que seguir pela escadinhazinha encurtará meu caminho e me fará um andarilho mais feliz. Subo os degrauzinhos tortos, espantando ratos e baratas insones. No fim da escada, encontro um campo de futebol. Vazio. Com uma bela vista para Botafogo, o Pão de Açúcar, Niterói... Miro por um instante. Como se não visse sinal de que pudesse seguir por parte alguma das laterais do campinho, resolvo descer a escada de volta. E estou descendo, pensando no zigue-zague que vou ter que encarar. Vejo uma escadinha que segue à direita de quem desce e (viva a biodiversidade!) também seres humanos no topo dela. Dois rapazes descem a escada. Resolvo pedir informação e sigo por essa bifurcação até os rapazes, mas, enquanto foco os degraus, os perco de vista. Sigo subindo até ouvir "parado aí!" Eu paro e tento identificar de onde vem a voz. Parece ser da es curidão do topo da escada. "Levanta a camisa!" Eu levanto. "Vira de costas!" Eu viro. "Vira de costas!!!" Eu viro mais. "Pode vir." Bom, se eu posso... "Preto ou branco?", pergunta o rapaz, menor de idade, certamente, com uma pistolinha na mão. Profundamente surpreso, mas com naturalidade, respondo "Preto!" "Cinco ou dez?" "Cinco!" Eu estou com uma camisa vermelha escrito Canada e me sinto legitimamente num lugar que é um misto de vila com bunker com mirante com escadinhazinha e segurança particular uns cães me cheirando dois rapazes sentados no breu, encapuzados. Acho que trancar a porta aqui não resolve muito. Deve ser o próprio Canada. Um casal sai na janela com cara de sono pra observar a negociação. Tomo coragem e pergunto "se eu seguir reto aqui eu saio na rua X?" "Hein?! Seguir... Subindo... Aqui...?" "É, como é que eu chego na rua X?" O rapaz tá com o preto na mão e eu com os cincão correspondentes. Ofereço a ele os 5. Ele hesita, mas entrega o preto. "Olha só, tu segue aqui subindo que tu vai dá lá... no... Ô, Fulano, exprica pra ele." Um dos rapazes encapuzados diz "segue aí, irmão, tu tá ligado." "Muito obrigado. Boa noite. Passar bem, desculpe qualquer coisa", e vou seguindo, subindo a escadinhazinha que chega num ponto labiríntico com quatro opções, sendo uma delas uma trilha por uma matinha. Os cães começam a latir e eu resolvo voltar à boca pra pedir mais conselhos. "Não achei, acho que vou descer e ir por onde conheço." "Não tem erro, não, irmão. Segue reto." Reto?!?! Mas quem sou eu pra questionar as noções de geometria do rapaz? Sigo reto novamente. Subo cada escadinha e inclusive a trilha na mata, mas não sinto confiança em seguir. Sem contar que eu já estou atrasado demais para o... o... Bom, vou descer. Os cães estão desesperados, algumas luzes se acendem. Retorno à boca, agradeço a atenção a mim dispensada, mas reitero a intenção de retroceder e seguir pela rua ziguezagueante. "Faz isso, irmão, vai na paz", despede-se educadamente o Fulano de capuz. Estou quase no fim da escada, perto da rua em zigue-zague. No pé do morro pára um táxi. Desce um rapaz e começa a subir a escada. "A boca tá tranqüila?", ele me pergunta. "Tá tudo sob controle. Vai na paz." Os cincão são da melhor qualidade e quantidade. Acho que preciso de um contador e um correspondente no Paraguai. Alguém topa? Segunda-feira, Junho 02, 2003
Um continho bem idiota. Aos poucos vou retomando o ritmo....
Pedro e Solange Pedro é um católico fervoroso. Vai à missa aos domingos, reza todas as noites antes de dormir e distribui sopa aos poucos moradores de rua da pequena cidade de Santa Cruz de Minas no Natal. Solange gosta de ler Sartre e agora está começando com Nietchze, fez faculdade de arquitetura em Belo Horizonte, costumava dar dinheiro nos faróis e voltou a Santa Cruz por insistência da mãe, que não queria morar sozinha depois da morte do marido. Pedro e Solange namoram há 6 anos. Quer dizer, namoraram antes dela ir para BH e agora voltaram a ficar juntos. Gostam de dizer que nunca esqueceram um do outro. Pretendem se casar no ano que vem, daqui a dez meses. Não acredito que vai dar certo. Certa vez fui testemunha da seguinte conversa: - Ninguém é culpado, não há motivo oculto no ocorrido. Foi um acidente. Dessa vez aconteceu de ela ter saído atrasada cinco minutos, ter decidido pegar um táxi ao invés do ônibus, o pneu ter furado e o ladrão ter fugido da cadeia bem naquele momento. Outras milhões de vezes nada disso aconteceu, ela pegou seu ônibus e chegou sã e salva ao trabalho. Mas também aconteceram coincidências incríveis, mas inócuas. Por exemplo, um dia ela pode ter saído adiantada 10 minutos, ter decidido andar um pouco a pé e assim ter esbarrado em uma senhora que só fez aquele caminho naquele dia, justamente porque seu filho não conseguiu lhe dar carona, porque ficou preso no escritório porque bem naquele dia em que ele tinha algo urgente para entregar faltou luz por mais de uma hora. Ou seja, milhões de coisas aconteceram para ela esbarrar naquela velhinha, mas nada de mais aconteceu, entende onde eu quero chegar? - Não muito bem. Mas sei que ela não tinha Jesus no coração. E ainda assim eles insistem em ficar juntos. Imagine na hora de criar os filhos.
E aí, tudo bem?
A partir de hoje, volto a escrever aqui com frequência quase diária. Ia (re)começar falando do filme "Tiros em Columbine", que eu assisti na sexta-feira. Pessoas cuja opinião sobre cinema eu respeito disseram que o filme é sensacional. Fui assistir com uma alta expectativa, mas acabei achando o filme de médio para bom. Como eu disse, ia falar sobre ele, mas não vou. É um filme razoavelmente bom, isso tem que bastar. Os próximos posts serão de alguma forma interessantes, hoje foi só para voltar ao hábito. Quinta-feira, Maio 22, 2003
Não tenho escrito aqui, mas todo dia visito o meu blog. Fico muito contente cada vez que aparece um novo comentário. Essas pessoas que comentaram esse último post são muito legais de visitarem meu blog até hoje. Não posso prometer, mas acho que vou voltar a escrever e visitar os blogs amigos.
Valeu, moçada! Quinta-feira, Maio 08, 2003
Parece que esse candidato à presidência da Argentina, o Nestor Kirchner, é malandrão. Ele fala que vai priorizar o Mercosul, mas eu acho mesmo que ele está com um olho na Alca e outro no Mercosul. Dê uma olhada.
Sexta-feira, Maio 02, 2003
Ontem minha mãe completou 56 anos de vida e chamou algumas amigas aqui em casa para celebrar a data. Vieram, basicamente, minha avó, minha tia (irmã da minha mãe), um amigo do meu pai e três amigas da minha mãe, sem contar filhos, maridos, esposas, namorados, etc.
Dessas amigas, uma ela conheceu quando lecionava, há 30 anos. As outras duas são amigas de ginásio. Se eu chegar à idade que ela chegou conservando esse tipo de amiga(o), poucas e boas, vou ficar muito, muito satisfeito. Terça-feira, Abril 29, 2003
Hoje passei boa parte do dia assistindo televisão (só vou trabalhar a partir do dia 5 de maio). Assisti algumas coisas que merecem comentários:
- Karatê Kid 1 - "A Ciência do Sexo", documentário da GNT. - Partes do filme que passou na "Sessão da Tarde" da Globo, que eu não lembro o nome, mas que é sobre um menino que gostava de jogos de videogame sobre espionagem e tinha um amigo imaginário que era a cara do seu pai. O garoto se vê envolvido em uma trama internacional ao se apropriar acidentalmente de um cartucho de videogame que contém um chip com informações ultrasecretas do governo norte-americano. Karatê Kid - A Hora da verdade O filme Karatê Kid possui todas as características das narrativas mais simplórias, das que mais se esforçam para definir exatamente para o espectador (ou leitor) quem é o vilão, quem é o herói, quem é a donzela e qual mensagem (óbvia) se quer passar. Ainda assim, assisti o filme inteiro, pela enésima vez. Isso porque ele fez parte da minha infância. Lembrei da minha turma no prédio em que morava, a gente treinando o golpe que definiu a última luta do Daniel Sam, uma espécie de bicicleta na vertical. "Se bem aplicado, este golpe é indefensável", ensinou o senhor Miagui. Mas não foram apenas lembranças. Notei no filme, além de sua extrema simplicidade, outras características e detalhes que passaram sem alarde pela criança mais pura. Por exemplo, a cena em que o professor da Academia Cobrakain (os vilões) coloca dois de seus estudantes para lutar. O negro perde e fica no chão. O branco é implacável. Até aí, nada de mais, talvez você diga, mas permita que eu continue. No campeonato, que é o desfecho do filme, a academia Cobrakain leva cinco lutadores, quatro brancos (loiros) e um negro. O negro é o primeiro de quatro membros da academia que Daniel Sam enfrenta ao longo da competição. É também o mais facilmente derrotado. Se você continua acreditando que é mero acaso, por mim, ó. O que me irrita é saber que eu sequer cheguei perto de atinar para detalhes como esse quando era criança e adorava o filme. Ainda assim, aposto que meu cérebro captou essas nuances. A Ciência do Sexo Este documentário norte-americano exibido pela GNT apresenta os resultados de uma série de pesquisas psico-sócio-psiquiátricas sobre o comportamento sexual do ser humano, mais especificamente sobre as forças de atração entre os sexos e o assim chamado "mercado sexual", nada a ver com prostituição. A idéia é sempre enfatizar o caráter evolucionista do jogo da sedução e atração sexual. A conclusão a que ele (o documentário) chega é que, no mercado do sexo, os homens são vendedores esforçados e as mulheres são consumidoras exigentes. Modernoso, o programa mescla declarações de professores e cientistas com cenas que dramatizam situações cotidianas que tentam ilustrar as teorias apresentadas. Exemplo: em dado momento, a narradora explica que, com o passar dos anos, a mulher perdeu sua função meramente doméstica e reprodutiva na sociedade para tornar-se, também, economicamente ativa, e que tal fenômemo influenciou no comportamento dos casais. Enquanto ouve-se a voz da narradora, assiste-se a uma cena de um casal em um bar, com a mulher pagando a conta. A mulher, loira. O homem, negro. Outro: a narradora diz que, na medida em que a sociedade foi se tornando mais complexa, a beleza e a virilidade deixaram de ser os únicos fatores que atraem uma mulher em um homem; a inteligência passou a ter um papel fundamental. Enquanto ouvimos isso, exibe-se uma cena em uma piscina, em que um rapaz fortão aborda uma garota, que o recebe sorridente, mas logo o descarta por seu papo pouco denso. Ela, loira. Ele, um típico latino. Filme da "Sessão da Tarde" do menino com o amigo imaginário que eu não lembro o nome O filme é para crianças, digamos, de até 11 anos. A despeito disso, armas de fogo como sub-metralhadoras, fuzis e granadas são exibidas sendo manuseadas, montadas, utilizadas, contempladas, idealizadas. Em uma das cenas do clímax, o herói, de apenas 9 anos, é induzido por seu amigo imaginário a matar um homem. Ele o faz, o que o torna adulto, fazendo-o desistir do amigo imaginário, destruindo o brinquedo que o representava, um bonequinho plástico de um espião. Antes de desaparecer para sempre, porém, o amigo imaginário insiste em dizer que o garoto fez a coisa certa.
Sexta-feira, Abril 25, 2003
Às sínteses finais: - Há. Pois bem, existe bem e mal. Certas atitudes bom, certas atitudes ruim. Quem define o que é bom ou ruim? Isso. Ou Ele. Ou o que quer que seja. Está tudo explicado. Seres humanos, sociedade, vidro, sofá, filosofia, há ordem. - Acaso. Átomos, probabilidades, partículas subatômicas, química orgânica, estatística, darvinismo (como se lê), tempo, chances. Puta que o pariu. As duas hipóteses me parecem ingênuas.
Quinta-feira, Abril 24, 2003
Fazia tempo que um jogo de futebol não me deixava tão contente, acho que desde a conquista do Paulista de 2001 pelo Corinthians. Palmeiras 2 X 7 Vitória, em pleno Palestra Itália. Frases do goleiro que tomou 3 frangos, incluindo os dois primeiros gols da partida: "Saí no primeiro tempo dizendo que eu fui o culpado. Aí, com um minuto sai um gol. Depois, o cara cruza na pequena área e o cara faz gol sozinho. Não dá." "Eu não vou ficar explicando aqui. A pior coisa para um goleiro é quando ele já não liga mais para tomar sete ou dez gols." Quarta-feira, Abril 23, 2003
É muita coisa... será a vida sempre tão intensa, ou será a percepção, tão sugestionável?
Não sei, nem importa. As coisas que não importam, também não importa conhecer seus mecanismos? Qual seria a razão de conhecer os mecanismos de todas as coisas? Do que vale conhecer os mecanismos? Ora, os mecanismos. A física não vale um vintém a mais que a metafísica. Impressionante como não alcanço nada. Nado, nado, braçadas inúteis. Terça-feira, Abril 15, 2003
Fala aí que essa música do Vinícius de Morais e do Tom Jobim não é linda. Se você nunca ouviu, recomendo que ouça, clicando aqui, porque é muito melhor do que só ler a letra.
A FELICIDADE Tristeza não tem fim Felicidade sim. Tristeza não tem fim Felicidade sim. A felicidade é como a gota De orvalho numa pétala de flor Brilha tranquila Depois de leve oscila E cai como uma lágrima de amor. A felicidade do pobre parece A grande ilusão do Carnaval A gente trabalha o ano inteiro Por um momento de sonho Pra fazer a fantasia De rei ou de pirata ou jardineira Pra tudo se acabar na quarta-feira. Tristeza não tem fim Felicidade sim. Tristeza não tem fim Felicidade sim. A felicidade é como a pluma Que o vento vai levando pelo ar Voa tão leve Mas tem a vida breve Precisa que haja vento sem parar. A minha felicidade está sonhando nos olhos da minha namorada É como esta noite Passando Passando Em busca da madrugada Falem baixo por favor Para que ela acorde Alegre como o dia Oferecendo beijos de amor. Tristeza não tem fim Felicidade sim...
Tenho escrito pouco. Falta vontade. Suponho mal ou todo blog passa por uma crise existencial em algum momento de sua vida? Uma crise existencial das mais típicas, do tipo, "por que estou aqui?; qual a minha função no Universo?". O "Universo", em alguns casos, pode-se resumir a simplesmente a vida do blogueiro.
De todo modo, acho que este blog está passando por uma crise como essa. Terça-feira, Abril 08, 2003
A guerra vai chegando ao fim. Nenhuma arma de destruição em massa foi encontrada. A temida Guarda Republicana do Iraque mostrou-se um fragilizado grupelho de miliciantes porcamente armados e fardados. A maior potência militar do mundo mais uma vez cuspiu todo seu fogo em um um país miserável, multiplicando a miséria.
Pragmaticamente, há que se comemorar a deposição de Saddam Husseim (embora nada justifique essa invasão a um país soberano e nada compense as milhares de mortes). É possivel que o Iraque que vai emergir dessa guerra seja uma nação mais justa e menos pobre. Segunda-feira, Abril 07, 2003
Mais uma vez os comentários superaram o post que escrevi. Recomendo a leitura deles neste post aí debaixo.
Faz tempo que eu não coloco textos de grandes escritores/pensadores aqui. Este do Manuel Bandeira vem bem a calhar, já que falamos de amor e de sua secularidade: CHAMA E FUMO Amor - chama, e, depois, fumaça... Medita no que vais fazer: O fumo vem, a chama passa... Gozo cruel, ventura escassa, Dono do meu e do teu ser, Amor - chama, e, depois, fumaça... Tanto ele queima! e, por desgraça, Queimado o que melhor houver, O fumo vem, a chama passa... Paixão puríssima ou devassa, Triste ou feliz, pena ou prazer, Amor - chama, e, depois, fumaça... A cada par que a aurora enlaça, Como é pungente o entardecer! O fumo vem, a chama passa... Antes, todo ele é gosto e graça. Amor, fogueira linda a arder Amor - chama, e, depois, fumaça... Porquanto, mal se satisfaça, (Como te poderei dizer?...) O fumo vem, a chama passa... A chama queima... O fumo embaça. Tão triste que é! Mas... tem de ser... Amor?... - chama, e, depois, fumaça: O fumo vem, a chama passa... Sexta-feira, Abril 04, 2003
Ontem fui convidado para um jantar no Fasano, talvez o restaurante mais caro de São Paulo. Por lá apareceu José Genoino, presidente do Partido dos Trabalhadores, com sua esposa e filhos.
Não quero patrulhar a forma como cada um gasta seu dinheiro, mas me causou certo mal-estar ver aquele homem que já ralou a barriga no chão, de arma em punho, pela causa comunista, sentado ali naquele símbolo da opulência capitalista, mostrando a seus filhos as boas coisas que o dinheiro pode proporcionar. Quinta-feira, Abril 03, 2003
As pessoas que visitam este blog escreveram comentários muito legais no post aí de baixo. Vou transcrever um deles aqui, o da Bianca Antunes (Bia), que é ótimo. Antes disso, porém, quero esclarecer que os personagens desses textinhos que eu escrevo são apenas isso, personagens fictícios. Eles não expressam o que eu penso ou sinto. Não sou o Woody Allen, que só constrói personagens autobiográficos. Bom, também não posso ser comparado com o Woody Allen porque não tenho um terço do seu talento, claro. O comentário:
"Oi, Vi... Não sei se entendo muito de amores. Mas acredito (e acreditar nisso me faz bem) que eles não são substituíveis. E que cada amor que aterrissa em nossas vidas tem algo de especial e muito a nos ensinar. Se haverá algum que será eterno? Talvez. Para alguns, sim. Para outros, como diria o poeta, eterno enquanto dure – e eu acho (acho, nunca terei certeza disso) que essa é a razão de ser dos amores, a eternidade momentânea, por horas, dias, meses, anos, vidas. Se vai demorar para chegar o tal amor arrasador de que tantos falam? Não me preocupo muito com isso, nem acho que as pessoas devam se preocupar. Mas, como diria uma amiga (não poeta, mas bem que poderia ser), enquanto não chega a pessoa certa, nos divertimos com as erradas. Verdade que sim. - e eu, finalmente, participei do seu blog!" Quarta-feira, Abril 02, 2003
Ricardo
- Mas você sente falta dela, Ricardo? - Não sei, mas sinto falta do meu amor por ela. - Como assim? - Quero dizer, não sei se sinto falta do papo dela, do sexo com ela, da nossa rotina. Mas sei que sinto um vazio no peito, sinto saudades do que eu sentia por ela. Agora minha vida tem menos sentido porque eu não tenho a quem dedicar todo o amor em potencial que eu tenho, ou tinha, aqui dentro. - Mas você vai encontrar um novo amor. - Verdade que sim, e isso é o que mais machuca. A cada velho amor que eu abandono e a cada novo amor que encontro, menos místico e menos maravilhoso vai se tornando o amor. É como se cada amor não tivesse nada de especial, porque substituível por outro, não importa se a um alto preço. Temo não chegar vivo aos 25. - Puxa, boa sorte. - Obrigado. Sexta-feira, Março 28, 2003
Faça uma pesquisa de campo informal: vá a um bar e tente ouvir, sem ser percebido, a conversa de uma roda de homens. Assuntos prováveis: mulheres, futebol, política, guerra no Iraque, problemáticas envolvendo as empresas em que trabalham.
Faça o mesmo com uma mesa de mulheres. Assuntos prováveis: homens e relacionamentos afetivos, novelas e sitcoms, problemáticas e troca de informações sobre colegas de trabalho ou da escola. Tenho feito essa "pesquisa" ao longo dos últimos 6 ou 7 anos. Este foi o resultado. O que ele reflete, cada um conclui como pode. Quinta-feira, Março 27, 2003
Terça-feira, Março 25, 2003
Parece que qualquer reflexão que eu escreva que não tenha alguma relação com a guerra vai parecer alienada e fora de hora. Mas o que resta a dizer sobre este conflito? Tudo já foi dito e debatido. Não quero chover no molhado.
Ah, de novidade, tem gente que está boicotando o Mac Donald´s e que parou de beber coca-cola. Pode ser uma boa, heim? Segunda-feira, Março 24, 2003
Philip e Bisharap
Philip é um mariner norte-americano. Tem 22 anos e está no exército desde os 20. Encontra-se atualmente em sua primeira guerra, combatendo nos arredores de Basra, no sul do Iraque. Seu batalhão enfrenta forte resistência de milícias iraquianas. A cidade, de dois milhões de habitantes, está cercada, mas sua tomada parece ainda um sonho distante. Até agora, Philip não matou ninguém. Tem certeza que chegou a ferir um soldado, com uma granada, ou com os estilhaços gerados pela explosão, para ser mais exato. Mas foi possível perceber que ele não morreu. Não sabe bem como vai reagir quando matar seu primeiro homem. Por um lado lembra dos atentados do dia 11 de setembro, e das palavras de seu tenente, de como esta guerra é necessária, de como a morte de alguns pode salvar as vidas de muitos outros. Por outro lado, não consegue esquecer das aulas de seu curso dominical na igreja que frequentou desde os cinco anos de idade. Nem das palavras da mãe, que incutiu em sua cabeça que a bondade é a maior das virtudes, e que violência sempre gera violência. Seu desejo é de que, se tiver que matar alguém, que seja um soldado inimigo que lhe aponta um fuzil. Seria mais fácil conviver com a idéia de que "era ele ou eu". ... Bisharap é uma menina iraquiana de 10 anos. Mora na segunda maior cidade do país, Basra, e, sem que ela entenda bem o porquê, bombas estão caindo perto de sua casa. Sabe, pelo que vê na TV e ouve os adultos falarem, que os americanos estão chegando, e que seu país está em guerra porque o inimigo americano, que é amigo dos judeus de Israel, quer mudar o presidente do Iraque. Ela não liga para o presidente, para os americanos, nem mesmo para os judeus. Só fica aterrorizada com os estrondos das explosões, e com o choro da mãe. Os soldados iraquianos estão ocupando algumas casas da cidade, para poderem defendê-la dos invasores. A casa de Bisharap situa-se em uma esquina. ... O tenente do pelotão de Philip recebeu missão clara: ocupar os quatro quarteirões mais próximos do posto policial central de Basra, assim como o próprio posto, que mantém rígida resistência à ocupação e mantém peças de artilharia que já causaram severas baixas aos marines. Philip e Andrew, seu companheiro de pelotão e amigo de anos (estudaram juntos na Kennedy´s High School, da cidade de Golkonda, interior de Missouri) detectaram dois soldados iraquianos em uma casa azul-escura. Um deles parecia ser um franco-atirador, com uma arma de precisão. Apoiados por pesado fogo de cobertura do restante do pelotão, os dois avançaram até a entrada da residência. Ao ocuparem a entrada da casa e se "entricheirarem" atrás de alguns móveis, Andrew falou: - Fui atingido! O sangue escorria pela boca do amigo de Philip. No peito, na altura do mamilo direito, uma mancha vermelha e molhada. Andrew morreu nos braços de Philip. Philip aguardou reforço e acabou ajudando a tomar aquela casa, bem como toda a região que seu pelotão recebeu a ordem de ocupar. Atirou com raiva, avançou por cômodos, móveis, cadáveres. Babou ódio naquela batalha, não olhou nos olhos de ninguém que matou. Missão cumprida, estava pronto para a próxima. Nem sinal das aulas dominicais em sua cabeça. ... A família de Bisharap decidiu não deixar a cidade. Seu pai não quis largar tudo para trás e fugir pelas estradas, muitas vezes mais perigosas que as ruas de Basra. O irmão de Bisharap prometia lutar até a morte contra o invasor. O que seu pais não esperavam era aquela ofensiva no meio da madrugada. Nem os soldados iraquianos. Depressa, ao primeiro som dos disparos, puseram-se em posição de combate. Era muito tarde para fugir, Bisharap e a mãe esconderam-se nos quarto dos fundos. A menina chorava baixinho, jamais conhecera tamanho desepero. Os tiros foram ficando mais próximos, mais próximos, até que Bisharap viu um homem de farda bege entrar gritando no quarto. Foi sua última visão da Terra. Bisharap morreu em casa, com um tiro no olho, um na garganta e outro no fígado.
É bom ficar um tempo sem escrever, aparecem mais comentários. Ou será que o motivo é a guerra, que acirra o ânimo de todos, e as vontades de se manifestar?
De qualquer forma, a verdade é que este blog, até pelo nome, se propunha diário. Entretanto, como se percebe, não vem sendo. por que isso ocorre? É difícil responder, falta de tempo é que não é. Terça-feira, Março 18, 2003
Diante da inevitabilidade da guerra, só me resta torcer para o maior número possível de baixas norte-americanas. Terça-feira, Março 11, 2003
A exposição sobre história e cultura chinesa que está no parque do Ibirapuera tem relíquias arqueológicas de mais de cinco mil anos.
Entre os objetos mais antigos da exposição estão, além de potes de cerâmica e adornos pessoais, desenhos de batalhas, pedaços de espadas e de lanças. Entre os artigos em exposição mais modernos, do início do século passado, estão também, em destaque, pinturas de batalhas, uniformes de exércitos e milícias, espadas e todo tipo de artefato bélico. O carro-chefe da exposição são guerreiros feitos de terracota em tamanho natural, com suas armaduras, escudos e armamentos. A Ilíada, talvez o mais clássico texto ocidental, narra não outra coisa que batalhas e guerras. A história da humanidade, desde de sua mais tenra idade, é uma história de guerras. Todos os povos, dos mesapotâmios, passando pelos egípcios, gregos, romanos, ameríndios, africanos, saxões, aos norte-americanos; todos os povos, de todas as eras, conheceram a guerra, criaram rituais de batalhas, guerreiros, milícias, exércitos, glórias militares. Está no espírito (não me julguem um beato por falar em espírito, é força de expressão) do ser humano guerrear. O homem sempre considerou justificável, não importa como se justifique, matar outro homem. PS - Este blog voltou a ser público Domingo, Março 09, 2003
Mais um dia passou. Fui ver a exposição da China, na Oca, no Ibirapuera. Também comi num restaurante japonês que eu adoro. A exposição é boa, eu recomendo. Não consegui me divertir nada. Estava com uma amiga muito querida, a Mariana.
A partir de amanhã terei uma dura rotina de muito trabalho por mais de 10 horas diárias até o fim da semana. Ainda não acredito que transformei este blog num diário puro e simples. Espero que isso mude. Nada mudou desde terça-feira.
Hoje até que está cedo. Moçada, vamos preservar o que temos. Tudo já foi além. Além, além demais. Moçada, moçada.
Vamos dormir, vamos dormir, vamos dormir. E de nada vai mudar, deixa o tempo, é tudo pouco, daqui a um pouco, nem fui eu que disse dessa vez, isso está ridículo, ultrapassou... Sábado, Março 08, 2003
Eu nunca vou lembrar desse carnaval por algum lado positivo que ele possa ter tido. De longe foi o pior carnaval da minha vida. Não consigo fazer nada, meu deus, não consigo pensar em nada criativo, não consigo produzir nada. Você, internauta que não tem vínculo pessoal comigo, não venha mais nessa página nos próximos dias, próximas semanas, porque tudo o que vc vai ler são essas palavras pessimistas e sem sentido aparente. Este blog deixou de ser público. Virou apenas o espelho do meu desespero, não venha assistir este espetáculo repugnante, não gaste seu tempo, seus sentimentos, não seja sádico.
Quero falar, mas está tudo entupido. Junior, volta logo pra São Paulo, quero falar com você, meu. Por favor, quero falar com você. Domingo ainda está longe. Sexta-feira, Março 07, 2003
O que eu menos queria é fazer deste blog um muro das lamentações, mas não estou conseguindo evitar.
Sou um cara que está sempre de bom humor, sempre tentando passar uma imagem positiva, de otimismo na vida, para mim e para os outros. No começo deste blog eu escrevia para os outros lerem, agopra escrevo apenas para mim, o que torna este diário mais chato. Mas eu já decidi, não vou mudar isso, eu estou precisando escrever, escrever a esmo, vomitar as palavras, eu queria mesmo era dar um grito bem alto, eu nem sei o que eu queria, queria que nada disso fosse verdade, que nada estivesse acontecendo da forma que está. Eu nem sei o que eu queria, queria dormir e acordar daqui a seis meses, ou acordar há seis meses, no meio de 2002.
Foi muito bom ter saído ontem. Encontrei amigos, que me disseram muitas coisas, opiniões de pessoas que pensam e estão fora do problema.
É bom desabafar. Eles me fizeram ver que eu não estava ficando paranóico. Agora só me resta seguir em frente. Quinta-feira, Março 06, 2003
Acho que bati o recorde de posts no mesmo dia do Diário Ruminante. É certo que todos eles juntos não valem um, mas ainda assim é um recorde.
Estava pensando em abandonar este blog, mas depois de hoje desisti da idéia. Foi de grande valia esta página, neste anti-dia que vai chegando ao fim. Vou sair logo mais, como sempre faço, sem saber o porquê. É possível que eu volte a escrever de madrugada, ou no início da manhã da sexta. Quem sabe já não terei encontrado sentido para rechear palavras que resultem em um conto?
Queria escrever um conto, mas me faltam idéias.
Posso dizer que esta quinta-feira está sendo um enorme vácuo, um hiato na minha vida, uma breve pausa entre o Carnaval e a continuação da realidade, com suas tarefas, seus desmandos, suas vitórias e derrotas. Não sei o que dizer, nem o que pensar, apenas tomo o tempo do desavisado internauta com palavras ocas.
E quem torceu por mim em relação àquele freela naquela revista pode se dar por satisfeito: o prazo foi prolongado até o próximo dia 15!
Algumas palavras sobre meu Carnaval:
- Fugere Urben - Alegria semigratuita - Presença de grandes amigos - Alguém pode desligar essa sirena dentro do meu cérebro? - Fim de um ciclo - As cinzas da quarta chegaram na terça Quarta-feira, Fevereiro 26, 2003
Alguém precisa avisar a polícia do Rio de Janeiro (e muito mais gente nesse país) que não existe pena de morte no Brasil. Quando a polícia mata alguém, seja um cidadão de conduta exemplar, seja um bandido da mais alta periculosidade, isso é, no mínimo dos mínimos, uma enorme fatalidade. E quando uma fatalidade trágica como essa acontece, é necessário que se reavaliem as ações para que ela não volte a acontecer.
Assim, o comandante das forças estaduais cariocas deveria chamar o major ou quem quer que seja que esteja comandando essa operação Rio Seguro, que já matou dois no primeiro dia, e perguntar: "muito bem. Onde nós erramos? Por que tivemos que matar quando nossa função é prender?" Mas não é isso que ocorre. O que vemos é um palhaço chamado Josias Quintal, infelizmente alçado ao posto de secretário de Segurança de um dos Estados mais importantes da nação, dizendo que a polícia está com "seu time na rua", que se for para matar, vai matar. E o que dizer do imbecil chamado César Maia, que disse que se fosse governador, mandaria a polícia atirar para matar? Ora, por favor. O que eles imaginam que é a instituição policial, uma gangue de justiceiros? E quanto à população que vive nos morros, sob a tirania do tráfico e das balas perdidas dos homens de farda? Eles não estão nem aí para os favelados do morro. Eles falam para a zona sul, eles se esbravejam quando as lojas de Ipanema têm que fechar as portas. Pobre e merda é a mesma coisa nesse país. Ainda bem que eu tenho grana viu...
Esse site de comentários está me dando nos nervos. Toda hora sai do ar. Mas como posso reclamar se não pago nada por ele?
Enfim, olha o que chegou no meu email, George Bush em ritmo tribalista. Você está sentindo falta de posts mais profundos por aqui? Não? Eu estou. Eles voltarão, eu tenho fé. Os belicistas - já sei bombardear (W. Bush, Collin Powell) já sei bombardear, já sei armar o missil agora só me falta atirar já sei invadir, já sei peitar a ONU agora só me falta explodir não tenho paciência pra negociação eu tenho é mania de perseguição Não ouço ninguém, acuso todo mundo, o Bin Laden e o Hussein Não livro ninguém, exploro todo mundo acho que o mundo é meu também Já sei derrubar, já sei jogar a bomba na tua base militar Eu sou o juíz, e não tô nem aí pra tantas vidas de civis Peguei experiência com o Afeganistão Se antes eu falhei, agora num erro não. Não ouço ninguém, até o Collin Powell Tá igual a mim também Não livro ninguém, primeiro o petróleo Depois Amazônia também Eu to querendo, Sadan Hussein Eu to querendo, tudo o que tiver To te querendo, não tem pra ninguém To te querendo, petróleo do Hussein... Terça-feira, Fevereiro 25, 2003
Meus dias andam curtos para tudo o que tenho que fazer. Peguei um trabalho de freelancer para uma revista aí, achando que teria as manhãs livres para fazê-lo. Qual não foi minha triste surpresa quando minha chefa, na semana passada, pediu-me para mudar de horário por uma semana, enquanto ela viajava, em missão especial, à Paraíba?!
Como desgraça pouca é bobagem, minha internet andou dando problemas e eu fiquei doente. Agora tenho que correr contra o tempo até sexta-feira, data última da entrega do freela. Torça por mim, se não lhe custar grande esforço, ok? Sexta-feira, Fevereiro 21, 2003
Quarta-feira, Fevereiro 19, 2003
E quem nunca ficou tão preocupado com alguma coisa a ponto de não conseguir dormir?
... Ando dizendo que "eu levo a vida num Rider". Sou tranquilo, minha busca é pelo caminho menos pedregoso. Não é certo, porém, que tal conduta equivale ao mapa do proceder perfeito. A verdade é que em muitas oportunidades não pratico as ações que me serviriam melhor. Ou, como prefiro acreditar, não sei bem o porquê, não logro agir como seria o certo de acordo com meu julgamento. Credito esta falha à desprezível fraqueza e à vil covardia. Sim, meus defeitos são enormes, assim como minha vontade de torna-los públicos. Terça-feira, Fevereiro 18, 2003
O site dos comentários está com pau, como alguns devem ter percebido. Fico grato se você usar o livro de visitas para deixar mensagens se sentir vontade.
... O Carnaval está chegando no Brasil e a guerra está chegando no Iraque. Quero dizer algumas coisas sobre o Carnaval, mas vou deixar para outro dia dessa semana. Quanto à guerra, ainda não estou bem certo quanto aos reais motivos dos EUA. Eis as hipóteses atualmente levantadas e debatidas: 1 - Razão oficial. O Iraque encontra-se em flagrante descumprimento de resolução da ONU da década passada que exigia (exige) seu desarmamento, principalmente no que se refere a armas químicas e biológicas, ditas "armas de destruição em massa". Saddam Husseim já deu mostras de que não irá se desarmar e representa um perigo eminente para seus vizinhos, para os EUA e para o mundo. A única saída é tira-lo do poder à força. 2 - Petróleo. O Iraque possui a segunda maior reserva de petróleo do mundo e Washington deseja, de alguma maneira, controlar e fazer uso dessa enorme riqueza. 3 - Orgulho ferido. Os EUA não conseguiram arrancar Saddam do poder na primeira guerra do Golfo, em 1991. À época, George Bush, o pai, era presidente dos EUA. O filho quer vinga-lo. À parte disso, os norte-americanos foram atacados em 11 de setembro e ainda não conseguiram cortar uma cabeça em desforra. Invadiram o Afeganistão, mas não capturam o tal do mulá Omar, líder do Taleban, nem Osama bin Laden. Saddam Husseim pode servir ao papel. 4 - Idéias pouco coesas sobre a possível influência positiva de uma guerra na economia norte-americana; necessidade de se consumir os armamentos produzidos, sob o risco de paralisar a gigantesca indústria bélica norte-americana, que, é bom lembrar, possui um forte lobby no Congresso. Confesso que nenhuma dessas razões, nem todas elas juntas, me parece ser a verdadeira. Quer dizer, talvez todas elas juntas, mas acho que não... Sábado, Fevereiro 15, 2003
Você gosta de poesia erótica? Eu não, mas este poema do Ferreira Gullar (grande escritor brasileiro, ainda vivo) é realmente bom. Veja o que você acha:
Quando com minhas mãos de labareda te acendo e em rosa embaixo te espetalas quando com meu facho aceso e cego penetro a noite de tua flor que exala urina e mel que busco eu com toda essa assassina fúria de macho? que busco eu em fogo aqui embaixo? senão colher com a repentina mão do delírio uma outra flor: a do sorriso que no alto o teu rosto ilumina?
Coisas que eu gosto que causam certa surpresa em certas pessoas:
- Chavez - Kely Key - Big Brother Brasil Sexta-feira, Fevereiro 14, 2003
1 - Eu juro que acho que poderia criar uma nova religião e obter bom número de seguidores. As essências de todas as religiões são semelhantes. O animal ser humano não é tão variável assim.
E para respaldar a constatação, milhares de anos de história. Por trás de todas (sim, esse blog está ficando chato, eu sempre quero ir atrás do último cenário, e não tenho competência para isso) as encenações, estou eu novamente falando dessas pirações. Corto o pensamento no meio. Credo, ninguém aguenta, nem eu. 2 - Este fim de semana vou para o litoral, nem vejo a hora. O mar, qualquer que seja a praia, é sempre imenso, inquestionável. O mar sempre dá cheque-mate. O mar é inapelável. Eu adoro o mar, ele me põe no meu devido lugar. 3 - Preciso falar de política novamente. Ninguém que lê esse negócio tem noção do quanto que eu gosto do Lula. Eu nunca acreditei na luta inglória, eu jamais apostei em uma realidade idealizada. Eu sempre desejei o possível, eu sempre tive os pés no chão (quero dizer, bem no fundo), pelo menos eu acho. Quando me decepciono com o atual governo, não estou sendo infantil. Eu sei que nada muda da água para o vinho da noite para o dia. O buraco é mais embaixo. O que está sendo feito está MUITO AQUÉM do que o que eu esperava. Mas, acontece. Quarta-feira, Fevereiro 12, 2003
Posts semelhantes a este aí de baixo passarão a acontecer de vez em quando aqui no Diário Ruminante. Serão raros, saiba bem, mas se pretende continuar visitando esta página, terá que aprender a conviver com eles.
Ando vendo poesias demais por aí. Vamos parar de poetizar? Por trás das alegorias que se criam está o cru e duro, certo? A quem se quer enganar? Por acaso se acredita que vale viver enganado, por sobre cortinas coloridas? Eu não consigo. Mas se você prefere assim, não está mais aqui quem falou. Terça-feira, Fevereiro 11, 2003
Então, primeiramente gostaria de pedir a você que não deixe de comentar os posts passados, se tiver vontade, porque eu sempre leio todos os comentários.
Agora, se você fala dinamarquês, visite este blog. É de uma moça chamada Ellen, que viveu no Brasil por um ano. Segundo ela, não há blogs na Dinamarca, ou pelo menos não há essa febre que temos aqui. Então ela garantiu que escreveria seu blog em três línguas: português, inglês e dinamarques. A conferir. Visite pelo menos para ver a foto da moça, e pode comentar em português, porque ela entende.
1 - Eis aqui um belo artigo sobre blogs, escrito pela professora Giselle Beiguelman, publicado no site Trópico.
2 - No domingo, assisti ao filme "A Espera do Messias". Eu recomendo. É uma produção argentina de 2002, ambientada em Buenos Aires. O filme é um punhado de crônicas urbanas interligadas pelas relações mais ou menos profundas entre suas personagens, nada muito original. Seu valor está no que ele reflete, e não em sua forma ou conteúdo. "A Espera de um Messias" reflete uma sociedade lânguida, absorta em melancolia e cansaço. As personagens enfrentam problemas, então se entristecem e se resignam. Por maiores que sejam seus infortúnios, reagem sempre com uma consternação opaca, e seguem adiante e adiante. E mesmo quando a sorte lhes abre enorme sorriso, não se nota mudança em seus ares. Personagens com ares melancólicos, vivendo em uma Buenos Aires melancólica, refletindo uma Argentina melancólica. Vale a pena assistir. 3 - Governo Lula anuncia 14 medidas pontuais. E um corte de R$ 14 bilhões no orçamento. Como é dura a utopia do possível. Era tão mais fácil ser oposição... 4 - Para terminar, um conto que eu acabei de escrever. Queria dizer algo sobre este tema, e só por isso escrevi, sem inspiração e sem saber onde ia parar. Por isso olhe com olhos pouco rigorosos. Natasha Natasha, codinome da noite. Nome de batismo, acredite ou não, Raimunda. Viu o pai bater na mãe dos 3 aos 13 anos. Antes disso deve ter visto também, mas não lembra. A mãe fugiu para São Paulo, trazendo os quatro filhos, quando teve seu braço quebrado e achou que bastava. Até os 17, Raimunda ajudava nas costuras, na limpeza, na comida e na educação dos mais novos. Mas depois que a mãe morreu, não teve jeito, virou puta. Chorou no primeiro programa, e o cliente nem fez questão de transar, pagou o que devia e voltou para casa sentindo-se culpado. Não chorou nos programas seguintes, mas odeia o que faz, tem nojo do que faz, adoraria poder dizer onde trabalha para a pessoa que puxa papo na fila do banco, e sonha com um namorado, um homem que goste dela de verdade. Nunca fez mal a uma formiga. Pelo contrário, é só bondade. Mas é puta, e isso é pecado suficiente. Suficiente para ser pior que mijo, para ser nome de palavrão, ser a escória, o escarro do mundo. Fala Natasha: - Uma vez ouvi de um corretor de imóveis, quando estava procurando uma nova casa para nós e não tinha dito qual era meu ganha-pão, que as mães de determinados políticos deveriam trabalhar na zona: "a senhora me desculpe os termos, mas tem gente que a mãe só pode ser uma baita de uma prostituta!" Quando ouço uma coisa dessas, morro um pouco por dentro. Nem tudo são espinhos. Natasha já está encontrando uma forma de aliviar suas dores, de conviver consigo mesma: a cocaína. Sábado, Fevereiro 08, 2003
Assim não dá. Quero visitar uns blogs legais que estão hospedados no weblogger e eles estão sempre fora do ar. Imagino como meus colegas blogueiros que usam este servidor devem estar irritados. Sexta-feira, Fevereiro 07, 2003
Não sei se deu para reparar, mas esse conto que eu escrevi, "João", foi fortemente inspirado neste poema do Drummond, "Os ombros suportam o mundo".
Olha, a revista norte-americana Time está com uma enquete no ar: qual país representa a maior ameaça à paz mundial? Iraque, Coréia do Norte ou EUA? Convido o internauta a votar. Você já deve imaginar qual foi meu voto, certo? Para votar, clique aqui
João
02 de janeiro de 2207 João comeu, bebeu e gozou a vida. João praticou boas ações, que beneficiaram centenas de pessoas. João praticou atos maus, que prejudicaram centenas de outras pessoas. João comeu de boca aberta, João bateu em seu próprio irmão. João, em uma noite de frio, tirou seu casaco e deu a uma criança que tremia. A criança parou de tremer e João aguentou firme a baixa temperatura, aquecido por seu gesto. João foi engenheiro e construiu uma ponte, por onde passaram muitos carros. João passou duas noites de Natal distribuindo presentes a crianças carentes. João morreu há 210 anos. A ponte que João construiu não existe mais. Da criança que João aqueceu, nem os ossos ainda resistem. A bem da verdade, não é possível afirmar com certeza que seu nome era mesmo João. Das preocupações de João, dos pecados de João, das boas ações de João, nada restou. Os registros de seu feitos, que aqui transcrevo, estão em um diário que ele manteve por toda a sua vida. Eu, seu descendente, acabo de queimar esse diário. Quando eu morrer, ninguém mais vai ouvir falar de João, e seus atos e desatos serão nada, se já não o são. E é claro que já são. Quinta-feira, Fevereiro 06, 2003
Honestamente, não tenho vontade nem inspiração para escrever aqui. Só quero ver o tempo passar, e com ele o desconforto.
Sendo assim, vou colocar aqui mais um poema, agora de Carlos Drummond de Andrade. Mas saiba que isso vai acabar. Posts mais originais e criativos virão na semana que vem. Enquanto isso... Os ombros suportam o mundo Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus. Tempo de absoluta depuração. Tempo em que não se diz mais: meu amor. Porque o amor resultou inútil. E os olhos não choram. E as mãos tecem apenas o rudo trabalho. E o coração está seco. Em vão mulheres batem à porta, não abrirás. Ficaste sozinho, a luz apagou-se, mas na sombra teus olhos resplandecem enormes. És todo certeza, já não sabes sofrer. E nada esperas de teus amigos. Pouco importa venha a velhice, que é a velhice? Teus ombros suportam o mundo e ele não pesa mais que a mão de uma criança. As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios provam apenas que a vida prossegue e nem todos se libertaram ainda. Alguns, achando bárbaro o espetáculo prefeririam (os delicados) morrer. Chegou um tempo em que não adianta morrer. Chegou um tempo que a vida é uma ordem. A vida apenas, sem mistificação.
O sistema de comentários sofreu algum tipo de pane, e sumiram alguns comentários, com algumas palavras bem legais no meio deles. Enfim, acontece...
Selecionei um trecho da peça "Macário", do Álvarez de Azevedo (lembra dele?), que viveu na segunda metade do século de XIX. Esse escritor morreu com 20 ou 21 anos, deve ter escrito essa peça com 19. Estudava direito aqui na São Franscisco quando São Paulo em nada lembrava uma metrópole. Sua família não era daqui de SP. Convido você a ler e tentar imaginar os traços da personalidade e as circunstâncias de vida deste rapaz. Como está escrito em formato de peça teatral, parece mais longo do que é. A leitura não toma mais do que poucos minutos. Macário é um jovem que está bebendo em uma taverna. Em certo momento, um desconhecido adentra o estabelecimento, e passa a conversar com Macário, já ébrio. Eis uma parte da conversa: O DESCONHECIDO E o que exigirias para a mulher de teus amores? MACÁRIO Pouca coisa. Beleza, virgindade, inocência, amor O DESCONHECIDO (irônico) Mais nada? MACÁRIO Notai que por beleza indico um corpo bem feito, arredondado, setinoso, uma pele macia e rosada, um cabelo de seda-froixa e uns pés mimosos O DESCONHECIDO Quanto à virgindade? MACÁRIO Eu a quereria virgem na alma como no corpo. Quereria que ela nunca tivesse sentido a menor emoção por ninguém. Nem por um primo, nem por um irmão Que Deus a tivesse criado adormecida na alma até ver-me como aquelas princesas encantadas dos contos -- que uma fada adormecera por cem anos. Quereria que um anjo a cobrisse sempre com seu véu, e a banhasse todas as noites do seu óleo divino para guardá-la santa! Quereria que ela viesse criança transformar-se em mulher nos meus beijos. O DESCONHECIDO Muito bem, mancebo! E esperas essa mulher? MACÁRI O Quem sabe! O DESCONHECIDO E é no lodo da prostituição que hás-de encontrá-la? MACÁRIO Talvez! É no lodo do oceano que se encontram as pérolas O DESCONHECIDO Em mau lugar procuras a virgindade! É mais fácil achar uma pérola na casa de um joalheiro que no meio das areias do fundo do mar. MACÁRIO Quem sabe!.. O DESCONHECIDO Duvidas pois? MACÁRIO Duvido sempre. Descreio às vezes. Parece-me que este mundo é um logro. O amor, a glória, a virgindade, tudo é uma ilusão. O DESCONHECIDO Tens razão: a virgindade é uma ilusão! Qual é mais virgem, aquela que é deflorada dormindo, ou a freira que ardente de lágrimas e desejos se revolve no seu catre, rompendo com as mãos sua roupa de morte, lendo algum romance impuro? MACÁRIO Tens razão: a virgindade da alma pode existir numa prostituta, e não existir numa virgem de corpo. -- Há flores sem perfume, e perfume sem flores. Mas eu não sou como os outros. Acho que uma taça vazia pouco vale, mas não beberia o melhor vinho numa xícara de barro. O DESCONHECIDO E contudo bebes o amor nos lábios de argila da mulher corrupta! MACÁRIO O amor? Que te disse que era o amor? É uma fome impura que se sacia. O corpo faminto é como o conde Ugolino na sua torre -- morderia até num cadáver. Terça-feira, Fevereiro 04, 2003
É realmente uma pena que todos nós dependamos tanto de dinheiro para tudo, inclusive ser feliz. E não me venha dizer, internauta poliano, que dinheiro não traz felicidade. Pois eu preciso de dinheiro para ser feliz. Eu preciso viajar, sair à noite, comprar livros, ir ao cinema e ao estádio de futebol para ser feliz. E não é possível fazer nada disso sem dinheiro.
Há quem pense que precisa de dinheiro para ser feliz porque precisa de comida para ser feliz. Ainda bem que não cheguei a esse ponto. Nem você. Mas uma coisa que não sai da minha cabeça é o modo como lidamos com nosso dinheiro. Pode-se ter um grande amigo, um amigo do peito, e ainda assim você nunca, ou apenas em um caso muito extremo, vai dar-lhe parte do seu rico dinheirinho. Você pode estar ganhando um salário dez vezes maior que o dele, e ele pode estar notadamente sofrendo algum tipo de privação (leve, que seja), e ainda assim, amigos, amigos, negócios à parte. Ele não vai pedir que você lhe dê dinheiro, ele não vai achar injusto que você não lhe ofereça dinheiro, ele também não ofereceria dinheiro para um amigo mais necessitado, se tivesse. Somos todos generosos e gostamos uns dos outros, mas ponha o dinheiro fora dessa relação, ok?
Sobre o meu post anterior, meu amigo régis comentou o seguinte:
"Vinícius, quando você começou o Diário, achei legal justamente por ele não ter (grande) preocupação com a estética, a audiência, as "regras" que regem a Internet. Se, agora, a preocupação é com a audiência, por exemplo, creio que este blog perde um pouco de sua essência. Talvez o seu próximo passo seja contratar um editor de arte... Espero que não... abraço, régis" Ia comentar algo sobre isso, mas não vou. Também não fico tão triste assim como dei a entender com a baixa audiência. Segunda-feira, Fevereiro 03, 2003
Andei comparando este blog com outros e cheguei a tristes conclusões. Considerando o tempo que ele (este blog) já existe, a frequência com que é atualizado e comparando com blogs de temática e estilo semelhantes, o Diário Ruminante é um fracasso de público.
Isso me parte o coração. Ainda assim, há quem goste. A Tchela, por exemplo, me deu um presente. Domingo, Fevereiro 02, 2003
Fim de semana duro de aguentar, foi este.
Não tenho nada a declarar, então vou colocar aqui meu email: v.segalla@uol.com.br Sexta-feira, Janeiro 31, 2003
Vou colocar aqui uma coisa que eu encontrei no blog Pensamentos Imperfeitos, espero que a dona não se importe.
Imagine que se trata de um pensamento, um conceito cristalizado em palavras, que eu sempre desejei escrever e jamais pude. Eis, então, que navegando pelos blogs, encontro esta idéia que julgava minha e consideravelmente original. Para fortalecer o golpe, o dono de tão caras palavras é simplesmente um "autor desconhecido". Às frases, às frases! Só um último senão: não assino embaixo o que vem aí, apenas tive idéia parecidas. "Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento. É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto. É uma elegância desobrigada. É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam. Nas pessoas que escutam mais do que falam. E quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca a boca. É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas. Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros." Você não achou nada demais, não é? Tudo bem, não vamos criar uma inimizade por causa disso. Juro que é a última ressalva: eu não gosto da palavra "elegância" no que o tal texto define como "a elegância do comportamento". Tampouco me arrisco a sugerir outro termo, eu disse que nunca pude traduzir em palavras. Quinta-feira, Janeiro 30, 2003
Quarta-feira, Janeiro 29, 2003
Dois detalhes sobre o post aí de baixo:
Eu não esperava que as condições sociais do país melhorassem com apenas 30 dias de governo Lula. Só penso que, pelo andar da carruagem, as coisas não vão mudar como eu esperava, seja em quatro ou em oito anos. Eu estava bêbado quando escrevi.
Eu gosto muito de política. E eu sempre fui petista. Desde minha tenra formação política, aos nove, dez anos, já ia simpatizanto com as idéias de esquerda, com os ideais igualitários.
Para mim, sempre foi um sonho que os políticos que eu apoiava chegassem ao poder. Um sonho inatingível. E por isso um sonho ideal. Sonhos atingíveis não são legais. Não são legais porque acabam um dia, quando se realizam. Pensa bem, você investe fielmente em um sonho, você o cultiva com carinho, esperando que ele nunca te abandone, que nunca te deixe só, que mesmo no pior momento da sua vida você poderá estar certo de que ainda pode acreditar naquele sonho. Sim, um dia o meu sonho se realizará! Sim, eu tenho essa esperança, e essa esperança me mantém vivo! E então esse sonho pega e se realiza. Porra, caralho, puta que o pariu! E você, como fica nessa história? Então o que era seu norte, o que o motivava a continuar, a seguir, a buscar, finalmente chegou? E agora, o quê? Pior que isso, seu sonho virou realidade e, pasme, não é tão belo assim! O PT chegou ao poder e as coisas não mudaram de uma hora para outra. Pior ainda, parece que não vão mudar como você imaginou que fosse possível. Não é possível o que você achou que fosse possível. Mais uma vez nessa sua vida teimosa você precisou esborrachar a cara no muro para aprender que você estava, pela enésima vez (repito e repito), equivocado. E agora eu vou apoiar esse governo que está aí, que está fazendo o possível, e que é a melhor via que esse povinho de que faço parte encontrou para seguir em frente. Vamos com ele, vamos sustentar essa mediocridade, medíocres que somos, e vamos sonhar com o dia em que haverá uma raça de gente que pisará neste planeta que não saberá ser feliz enquanto um único de seus indivíduos estiver sofrendo sem merecer. Eu falo de bondade, de amor ao próximo, de cristianismo. Eu falo de religião sem acreditar em porra nenhuma. Em porra nenhuma mesmo. PORRA NENHUMA. Terça-feira, Janeiro 28, 2003
Aline - Olha este rio. Vem caudaloso, robusto, valente. Quando nasce, no cume do morro, é ralo, frágil e tímido. No percurso, ganha força e agressividade. Cheio de si, não mais altera sua rota em virtude de uma pedra ou de um tronco. Ao contrário, afoga rochas e reage sonoro ante a qualquer objeto que surja em seu caminho. Sente-se cada vez mais poderoso na medida em que arrasta galhos, que despeja-se espesso e espumante em quedas vertiginosas. Quando chega para encontrar o sal, parece certo que vencerá a batalha, que continuará existindo sobre a existência do mar. O oceano, no entanto, sequer toma consciência dos delírios do rio. Alimenta-se dele como quem come um tira-gosto. Suas ondas pouco se alteram, mesmo no ponto exato do choque entre as águas. O rio se extingue em luta dantesca, o mar boceja. E ainda assim o rio persiste. Prepara-se por todo o seu tempo-espaço de vida para o clímax de sua missão, para o seu embate derradeiro, para o seu juízo final, para o seu encontro com o oceano. Há centenas de anos perdendo a guerra e há centenas de anos lutando, incansável. Com a mesma coragem, movido pela mesma fé tola na vitória. Consome-se na praia e renasce na montanha, certo de que um dia sua sorte irá mudar. - Mas o que significa tudo isso? - ... Hã? - Do que você está falando? Está ficando louca? - Olha, eu só estou... - O rio não tem vida. Ele não tem cérebro, não tem querer, não tem emoções, não tem nada! O rio não é valente e o mar não boceja. Não acredito que sou obrigado a te dizer essas coisas. - Por que você tem que ser sempre assim, grosseiro e estreito? Será que você não é capaz de sentir, de poetizar? É por isso que não estamos bem, é por isso que essa viagem não vai adiantar nada. Saímos da rotina, estamos aqui nesse lugar lindo, a trezentos quilômetros do asfalto quente e do cotidiano frio e sua postura não se altera em nada! É você que não tem emoções, é você que não tem vida, Alan. - Essa viagem foi idéia sua, eu nem queria vir, você sabe. E é você que sente demais. Eu não te agredi em nenhum momento e você me chamou de grosseiro, estreito e sem vida só porque questionei seus devaneios. E você não consegue conversar sem gritar. Isso é extremamente irritante. Eu estou cansando, sabia? - Não se faça de vítima, foi você quem começou com as agressões. É claro que eu sei que o rio não tem vida, e é claro que você sabe que eu sei disso. Você fez graça em um momento meu de reflexão e entrega. Eu estava falando o que estava sentindo, estava me abrindo e você quis tirar sarro. Para quê isso? - Eu não tirei sarro, eu só... - Tirou sarro, sim! Tirou sarro, eu juro que tirou sarro, eu juro que tirou.... eu juro... juro. Alan se levantou e passou a caminhar. Não suportava ver Aline chorando. Mais por auto-compaixão do que por pena. Sentia-se responsável pela tristeza dela e isso lhe causava mal-estar. Se não a visse chorando, seu mal-estar seria menor. A trinta metros do rio, quase no meio da pequena praia, já não lembrava mais da dor da esposa. Pensava que Aline era uma mulher fútil, que não conhecia o mundo real e que lia romances demais. Não largaria Beth, como chegou a cogitar. A esposa não teria como suprir o vácuo que a amante deixaria. Aline, por sua vez, acalmara-se depois de cinco minutos de pranto. Primeiro, culpou-se por chorar demais. Em seguida, caminhando para o mar, deixou seu pensamento divagar livremente, pela casa em que morava (sim, compraria mesmo um novo jogo de sofá para a sala de visitas), pela comida que comera no almoço, que ainda pesava-lhe no estômago e, finalmente, pelo regime, que começaria na semana seguinte. Quanto a Alan, o amava, como sempre amou. Brigas são naturais. FIM Esse conto eu escrevi faz tempo. Resolvi colocar aqui porque estava a fim de postar e não consegui escrever nada útil... Segunda-feira, Janeiro 27, 2003
Às vezes tenho ganas de responder os parcos comentários que as pessoas deixam por aqui. Mas normalmente resisto ao impulso. Não sei se é adequado. Penso que este blog não é um grupo de discussão, e sim um espaço onde eu escrevo o que quiser e as pessoas comentam o que bem entendem. E para por aí. Mas como muitos dos internautas deixam nos comentários palavras mais aproveitáveis do que as que eu deixo nos posts, a partir de agora publicarei em forma de post mensagens interessantes deixadas pelos malucos que visitam este blog.
Estou de volta. Acabo de quitar minha dívida com o Universo Online, este maravilho provedor de acesso à internet, e a partir de agora não deixarei mais este blog assim, às moscas. Esses dias em que estive mais ou menos desplugado foram cheios de mudanças, que não serão detalhadas no Diário Ruminante. Você, internauta sagaz, pode encontrar mais informações sobre tais mudanças em algum recanto da rede. Aqui, não. Quinta-feira, Janeiro 23, 2003
Ainda não estou acessando a internet de casa. Quando isso acontecer, escreverei mais e com maior frequência neste e em outros blogs. Hoje está sendo um dia muito difícil para mim, e não só para mim.
Mas está sendo um grande dia para os pobres da Venezuela. Quem é maior, os milhões de pobres da Venezuela ou eu e mais uma ou duas pessoas que eu gosto? Você, internauta reto e desconfiado, acha que eu estou parecendo louco? Ou não, em nenhum momento isso lhe passou pela cabeça? Enfim, olhem essas fotos, faz tempo que eu não via uma manistação pró-Chávez juntar tanta gente em Caracas. Eu gosto do Chávez. E eu não gosto de muitas coisas, eu queria mudar, eu espero um dia mudar, se eu não mudar meu futuro é incerto. ![]() Milhares de manifestantes de toda a Venezuela ocupam as ruas de Caracas ![]() Chávez é ovacionado nas ruas da capital venezuelana ![]() Olha a cara de povo dessa gente Terça-feira, Janeiro 21, 2003
Este post trata de assuntos variados. Primeiro, gostaria de dizer que meu acesso à internet em casa foi cortado por falta de pagamento. Sou assinante UOL, não paguei a conta e eles cortaram o serviço, simples. Vou pagar, prometo, sou bom pagador. Porém, enquanto as coisas não se normalizam, não tenho muito tempo para navegar, já que só acesso do serviço, e o trabalho não é lugar para lazer, certo? Gostaria de visitar alguns blogs que andaram deixando mensagens por aqui, e assim o farei ao longo da semana, no ritmo que for possível.
Quero dizer também que estou completando seis meses de namoro hoje. Legal, né? Minha namorada é uma pessoa maravilhosa e eu sou um cara de bastante sorte. E, por fim, já que falamos de morte, quero deixar aqui este trecho de "Morte e Vida Severina", de João Cabral de Melo Neto. Não reparem no tamanho, é muito rápido e fácil de ler. Quem conhece, vai novamente admirar esse pedaço de obra-prima. Quem não conhece, deve sentir vontade de conhecer mais depois de ler. Pelo menos eu espero. Severino está migrando fugindo da seca quando se passa a seguinte cena: ENCONTRA DOIS HOMENS CARREGANDO UM DEFUNTO NUMA REDE, AOS GRITOS DE "Ó IRMÃOS DAS ALMAS! IRMÃOS DAS ALMAS! NÃO FUI EU QUEM MATEI NÃO!" — A quem estais carregando, irmãos das almas, embrulhado nessa rede? dizei que eu saiba. — A um defunto de nada, irmão das almas, que há muitas horas viaja à sua morada. — E sabeis quem era ele, irmãos das almas, sabeis como ele se chama ou se chamava? — Severino Lavrador, irmão das almas, Severino Lavrador, mas já não lavra. — E de onde que o estais trazendo, irmãos das almas, onde foi que começou vossa jornada? — Onde a caatinga é mais seca, irmão das almas, onde uma terra que não dá nem planta brava. — E foi morrida essa morte, irmãos das almas, essa foi morte morrida ou foi matada? — Até que não foi morrida, irmão das almas, esta foi morte matada, numa emboscada. — E o que guardava a emboscada, irmão das almas e com que foi que o mataram, com faca ou bala? — Este foi morto de bala, irmão das almas, mas garantido é de bala, mais longe vara. — E quem foi que o emboscou, irmãos das almas, quem contra ele soltou essa ave-bala? — Ali é difícil dizer, irmão das almas, sempre há uma bala voando desocupada. — E o que havia ele feito irmãos das almas, e o que havia ele feito contra a tal pássara? — Ter um hectares de terra, irmão das almas, de pedra e areia lavada que cultivava. — Mas que roças que ele tinha, irmãos das almas que podia ele plantar na pedra avara? — Nos magros lábios de areia, irmão das almas, os intervalos das pedras, plantava palha. — E era grande sua lavoura, irmãos das almas, lavoura de muitas covas, tão cobiçada? — Tinha somente dez quadras, irmão das almas, todas nos ombros da serra, nenhuma várzea. — Mas então por que o mataram, irmãos das almas, mas então por que o mataram com espingarda? — Queria mais espalhar-se, irmão das almas, queria voar mais livre essa ave-bala. — E agora o que passará, irmãos das almas, o que é que acontecerá contra a espingarda? — Mais campo tem para soltar, irmão das almas, tem mais onde fazer voar as filhas-bala. Segunda-feira, Janeiro 20, 2003
Escrevi um montão de coisas sobre a morte e a perda de entes queridos, mais especificamente, a perda dos pais. Censurei tudo. Quem sabe um dia não coloco aqui, na forma de um pensamento reprovado, um desatino passageiro.
Para não deixar essas reflexões que tanto tempo me tomaram passarem em branco, só vou dizer que em nenhum momento eu acho que a dor e o sofrimento podem valer alguma coisa. Quanto menos eu sofrer e sentir dor nesta vida, melhor. Se julga humanamente impossível não sentir nenhuma dorzinha na morte de entes tão queridos como os pais, que pelo menos não a considere um ato de gratidão ou um rito obrigatório. Para que servem ritos? Não teve nada a ver, eu sei. Peço desculpas por esse post. Tomei seu tempo. Não vai acontecer de novo. Sexta-feira, Janeiro 17, 2003
Nada contra um bando de gente miserável morrendo soterrada após uma tempestade de verão. Fatalidade trivial em um país subdesenvolvido. Mas o que dizer de um senhor que consulta a fiscalização municipal preocupado com a segurança da sua casa e da sua família, ouve do fiscal que "sua casa é mais segura que a minha", e 13 horas depois vê uma avalanche de lama dizimar-lhe a vida? Graziela Conversavam no banco do ônibus, duas e meia da tarde. Em algum momento o papo correu para os passageiros do coletivo, e o mais branquinho comentou: - Acho ela um pouco feia, parece essa moça aí do banco da frente, gorda como uma leitoa! Em resposta, gargalhou alto e sincero o mais moreno. Da mulher do banco da frente à colegial próxima ao cobrador, dali para a gostosinha da escola em que estudavam, e então chegou o ponto em que saltariam e eles saíram do ônibus. Ainda faltavam quatro pontos até a casa da "moça do banco da frente". Pela enésima vez em sua vida, Graziela ouvira algum estranho caçoar de sua obesidade. "Gorda como uma leitoa!", essa frase ecoava sem trégua em sua cabeça. "Eu me odeio! Eu me odeio!", berrava o pensamento de Graziela consigo mesmo. Quarta-feira, Janeiro 15, 2003
E o que você quer da vida, internauta?
Quer ter muito dinheiro, poder viajar, comprar, morar bem? Quer montar um patrimônio? Quer virar famoso, quer ser reconhecido pelos seus feitos, quer ser lembrado, quer ter sua obra estudada, contemplada, aplicada? Quer se tornar imortal? Quer mudar o mundo, quer fazer a sua parte, quer fazer a diferença, quer ajudar a quem precisa, quer ver um mundo melhor na saída do que o que viu na entrada? Quer melhorar a vida dos outros? Quer ter filhos, transmitir a eles seu legado, vê-los crescer, mudar de voz, sangrar, casar e te dar um neto que é a sua cara? Quer perpetuar-se através de seus genes? Quer seguir seguindo, saboreando cada um dos momentos, vivendo microfelicidades, quer não perguntar demais? Quer um fim em si? Quer ser feliz? O que é mesmo felicidade?
Segunda-feira, Janeiro 13, 2003
Este poema do Fernando Pessoa, na verdade do Ricardo Reis, era o que eu mais gostava na minha adolescência. Lembro de uma aula em que o professor de literatura passou uns vinte minutos destrinchando todas as metáforas e demais figuras de cada um dos versos. Hoje em dia, passada a paixão adolescente, considero-o um culto à simplicidade, mas com uma pitada de "não querer viver" que vai além da conta. Tire as suas próprias conclusões
Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio. Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas. (Enlacemos as mãos.) Depois pensemos, crianças adultas, que a vida Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa, Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado, Mais longe que os deuses. Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos. Quer gozemos, quer nao gozemos, passamos como o rio. Mais vale saber passar silenciosamente E sem desassosegos grandes. Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz, Nem invejas que dão movimento demais aos olhos, Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria, E sempre iria ter ao mar. Amemo-nos tranquilamente, pensando que podiamos, Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias, Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro Ouvindo correr o rio e vendo-o. Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as No colo, e que o seu perfume suavize o momento - Este momento em que sossegadamente nao cremos em nada, Pagãos inocentes da decadência. Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-as de mim depois Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova, Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos Nem fomos mais do que crianças. E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio, Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti. Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim - à beira-rio, Pagã triste e com flores no regaço. Ricardo Reis, 12-6-1914
Notícias do fim de semana
Vinícius = camarão É verdade. Fui ao Guarujá no sábado e voltei mais vermelho que a estrela do PT. E ainda tive insolação, passei a noite de sábado para domingo morrendo de frio (a temperatura devia estar em uns 29º) e o domingo quase inteiro deitado, sentindo-me como se tivesse com uma forte gripe. Se eu usei protetor solar? Digamos que um pouco, não o suficiente para isentar-me da culpa pelo meu próprio estado. Ou seja, estou pagando pela minha estupidez. Guerra à vista! Os EUA preparam uma força de mais de 100 mil homens para uma nova guerra no Golfo. Pelo jeito, desta vez não descansarão até depor o regime de Saddam Husseim. Segue, abaixo, duas fotos para nos lembrar o que está por vir:
Habitantes de uma vila do Vietnã mortos por tropas americanas por serem considerados suspeitos de colaborar com a guerrilha vietcong. A ausência de armas e uniformes faz supor que eram todos civis Cena comum durante a guerra do Vietnã: corpos de vietnamitas são agrupados para serem enterrados em valas coletivasSexta-feira, Janeiro 10, 2003
"A história de toda a sociedade até nossos dias consiste no desenvolvimento dos antagonismos de classes, antagonismos que se têm revestido de formas diferentes nas diferentes épocas. Mas qualquer que tenha sido a forma desses antagonismos, a exploração de uma parte da sociedade por outra é um fato comum a todos os séculos anteriores. (...) Suprimi a exploração do homem pelo homem e tereis suprimido a exploração de uma nação por outra. Quando os antagonismos de classes, no interior das nações, tiverem desaparecido, desaparecerá a hostilidade entre as próprias nações."
Esses trechos do "Manifesto do Partido Comunista", escrito no século 19, ainda me parecem bem atuais. Longe de mim pregar o comunismo em horas tais, esta é tarefa para homens como o Oscar Niemeyer, que o fazem por dever biográfico. Mas o fato é que essas palavras aí de cima me parecem bem atuais e corretas.
A Lu, minha cunhada, está começando um blog. Ainda faltam alguns incrementos, mas a página já está em atividade e tem posts bem legais. Vai lá, internauta, é só clicar aqui.
Fui criticado por usar palavras de baixo calão em um post sobre política internacional. Informo que este blog não se furtará ao direito de publicar palavrões sempre que eu julgar conveniente. Mas como não quero criar inimizades e nem constrangimentos, coloquei este aviso aí em cima (também copiado abaixo), para que as pessoas de retina mais frágil não firam acidentalmente seus olhos com os impropérios que eu eventualmente escrevo.
"AVISO: os posts deste blog podem conter palavrões" Quinta-feira, Janeiro 09, 2003
Henrique
Tomou o cuidado de escolher a camiseta mais simples e batida que tinha à disposição. Não levou em conta a bermuda, que não era das mais velhas de seu guarda-roupa, mas era a que vinha usando nos últimos dois dias. Saiu de casa tranquilo. Chegou, deixou o carro em lugar seguro, ergueu a cabeça, acendeu um cigarro e adentrou à favela. O mesmo procedimento de sempre: semblante altivo, passos firmes mas não exatamente apressados, olhar confiante mas nunca ofensivo. O caminho era curto, uns 30 metros na rua de terra principal e mais 20 na ruela à direita. Um rapaz pediu-lhe um cigarro. Não respondeu, tirou o maço do bolso e ofereceu ao mulato com um ar de quem concede um favor por grandeza, e não de quem cede, intimidado, a alguma pressão. - Com sua licença, sangue bom. - Pega aí. Já no início da ruela, um outro menino, 15 anos se tanto, lançou-lhe um olhar insistente e interrogativo. Ainda não era ali o ponto da boca que conhecia, resolveu ignorar o moleque, embora retribuíra levemente o olhar, só por via das dúvidas. Era ali mesmo. - Tá procurando alguém? - Tô sim. Eu quero um fumo. - Quanto? - 40. - Firmeza. O garoto saltou da bicicleta que montava, atravessou a ruela, passando pelos homens que jogavam dominó, e meteu a mão na caixa de luz do poste do lado da vendinha, que por sinal estava lotada com três ou quatro clientes. Pegou um punhado de embrulhos de papel alumínio com maconha dentro e passou a Henrique. Havia apenas sete parangas na caixa de luz, então o menino pegou o dinheiro, devolveu o troco de dez reais, entrou num beco, transversal à ruela, e foi buscar a oitava dentro de uma casa. Henrique ficou esperando. - Confere aí, vê se tem oito. - Tem, tá certo.. Tá, deixa eu ver... Queria se desvencilhar logo da situação, mas foi obrigado a conferir, e o menino observou que ele estava tremendo. Henrique sorriu constrangido. Saiu trilhando o caminho de volta com a mesma altivez. A missão estava cumprida. Fazia tempo que ele não “agilizava uma barca”, era sempre um dos que entrava nas barcas dos amigos. Estes ficariam contentes com a surpresa. Iria dividir com dois. Pouco antes de deixar a rua de terra, no entanto, quatro homens fardados surgiram de lugar nenhum apontando-lhe as armas. - Mão na cabeça, filho da puta! Se correr vai tomar tiro! Tinha em seu poder cerca de 35 gramas de maconha, divididas em oito parangas, no valor de cinco reais cada, quantia e forma de acondicionamento perfeitos para um bom flagrante de tráfico de drogas. Duas horas mais tarde, inadmissivelmente atrasado para o trabalho, ele deixava os arredores do 45º DP. Sem passagem pela polícia, sem a droga e 1500 reais mais pobre. Quarta-feira, Janeiro 08, 2003
Terça-feira, Janeiro 07, 2003
Vou contar uma coisa: eu tenho medo de altura. Não chega a ser uma fobia, mas digamos que sinto um frio na barriga maior do que o sentido pela maioria das pessoas em uma montanha russa. Não obstante, tenho um enorme fascínio por grandes altitudes.
Um fascínio perigoso, que me assombra. Quando estou próximo a uma janela em algum edifício, invariavelmente imagino-me pulando desatinado para a queda livre. E então me afasto da fronteira entre a terra e o ar, completamente assustado com o fato de considerar a hipótese. Isso acontece tanto quando estou sozinho na minha varanda (moro no sétimo andar), quanto no meu serviço (trabalho no oitavo andar), quando estou tomando café com meus colegas. Alguém disse uma vez que nosso medo de altura é, na verdade, o medo de não resistir à tentação de se atirar. Acho que esta pessoa estava certa. Algum psicólogo de plantão pode explicar isso? Segunda-feira, Janeiro 06, 2003
Voltei.
Ontem assisti "Náufrago" pela terceira ou quarta vez. Gosto muito desse filme. Considero-o um filme de amor. Não que eu seja fã de filmes de amor, pelo contrário, mas este é de fato tocante. Recomendo ao internauta que ainda não assistiu e pretende assistir esse filme que pare de ler esse post por aqui, pois vou citar partes importantes da história agora. Acredito que o esforço do diretor para alcançar a verossimilhança teve enorme êxito. Não notei nenhuma cena ou passagem absolutamente impossível de acontecer. Quer dizer, o roteiro em si é improvável, alguém sobreviver a um acidente aéreo em uma ilha deserta por quatro anos e depois sair pelo mar e ser encontrado. Mas trata-se de uma improbabilidade possível, certo? O filme é exatamente o retrato de uma improbabilidade. Tom Hanks, numa performance genial, colabora para as intenções realísticas do diretor, interpretando muitíssimo bem a figura de um náufrago, de um homem condenado à solidão profunda, que é a pior das prisões. Como é próprio do ser humano, ele busca a comunicação como quem busca comida, ou seja, como se o ato de falar, de dividir e transmitir pensamentos e experiências, fosse tão necessário quanto comer. Daí seu desespero quando se depara com a possibilidade de perder o amigo Wilson. Mas a parte romântica, e talvez a única inverossímel, e talvez a mais bonita do filme, é a cena em que ele, após 4 anos na ilha e algumas semanas no mar à deriva, vê um navio, que lhe levaria para casa. O navio representa a vitória da sua luta, é a passagem de volta à vida, um sonho cultivado por quatro longuíssimos anos. E a primeira coisa que ele fala quando avista a embarcação, esticando o braço num ato redentor, é Kelly, o nome da namorada. Nada de "socorro!", ou "viva!", ou "comida!", ou simplesmente um grito gutural. Ele olha o navio e avista Kelly. Puta merda, me atrasei. Preciso ir trabalhar. Sábado, Janeiro 04, 2003
Quinta-feira, Janeiro 02, 2003
Jadimílson
Madrugada de sexta para sábado. Saiu cambaleando do forró na rua Catumbi, Belenzinho. Morava a três quadras. 4h40 da manhã. Pegava no batente às 6h30, de porteiro num edifício em Moema. Tomou banho, trocou de roupa, tomou café preto com torrada e manteiga, correu para o metrô, da estação Belém à Santa Cruz, com baldeação na Sé, pegou o ônibus e chegou 15 minutos atrasado à alameda Jurupis 310. "Chegou tarde", reclamou Severino, o zelador. "O metrô parou", mentiu Jadimílson."É a terceira vez em dois meses. O senhor Ratier não vai gostar", ponderou o encarregado. Senhor Ratier, o síndico, saía de malas prontas e ouviu a conversa. Ao portão, um táxi o aguardava. Iria ao aeroporto, rumo a Buenos Aires, segundo comentava-se. No domingo, Jadimílson acordou cedo e foi à banca de jornais. Buscava os classificados. Quarta-feira, Janeiro 01, 2003
Há tantos assuntos e eu não consigo falar sobre nenhum. Ano Novo, posse do Lula, alguns acontecimentos inusitados...
Você, internauta nebuloso, já sentiu vontade de fazer algo secretamente? Digo, mantendo a autoria do ato em segredo, mantendo-se anônimo. Por exemplo, mandar uma carta anônima para alguém, com declarações de amor ou acusações descabidas, ou denúncias bombásticas; por exemplo, colocar uma bomba no banheiro do colégio, todo aquele clima na escola, o inspetor de alunos querendo descobrir quem foi... Pois eu acho isso fantástico. Dá uma sensação de superioridade. Você se torna o único detentor da verdade, paira sobre as consciências dos outros, em um plano mais elevado, de quem ouve e entende tudo, sem revelar nada. É muito gostoso. Mas deve-se sempre dar limite à brincadeira, caso contrário vira crueldade. No extremo, até desequilíbrio. Bom, desejo um feliz Ano Novo para todos, em especial para a Bianca, minha namorada, que, de mim, merece apenas coisas boas, apenas motivos para sorrir e ser feliz, assim como ela me faz feliz. Terça-feira, Dezembro 31, 2002
Acabo de acordar. São 6h da manhã e eu já deixei a cama. O que acontece? Cá entre nós, eu acho que é esse maldito blog. Foda-se.
Já que estou aqui, vou expor-me ao máximo. Segue minha metafísica. Segue toda a minha religiosidade, todos os meus códigos, todas as minhas leis, todas as minhas verdades, todos os meus deuses, tudo o que para mim não se explica, o que é sagrado, transcendental: LEI DE PRATA - Não faça para os outros o que você não gostaria que fizessem para você. LEI DE OURO - Faça para os outros o que você gostaria que fizessem para você Segunda-feira, Dezembro 30, 2002
Antonio Candido é nada menos que brilhante. Esta reflexão que segue é parte do ensaio "Literatura e Subdesenvolvimento".
"É possível imaginar que o escritor latino-americano esteja condenado a ser sempre o que tem sido: um produtor de bens culturais para minorias, embora no caso estas não signifiquem grupos de boa qualidade estética, mas simplesmente os poucos grupos dispostos a ler. Com efeito, não esqueçamos que os modernos recursos audiovisuais podem motivar urna tal mudança nos processos de criação e nos meios de comunicação, que quando as grandes massas chegarem finalmente à instrução, quem sabe irão buscar fora do livro os meios de satisfazer as suas necessidades de ficção e poesia. Dizendo de outro modo: na maioria dos nossos países há grandes massas ainda fora do alcance da literatura erudita, mergulhando numa etapa folclórica de comunicação oral. Quando alfabetizadas e absorvidas pelo processo de urbanização, passam para o domínio do rádio, da televisão, da história em quadrinhos, constituindo a base de uma cultura de massa. Daí a alfabetização não aumentar proporcionalmente o número de leitores da literatura, como a concebemos aqui; mas atirar os alfabetizados, junto com os analfabetos, diretamente da fase folclórica para essa espécie de folclore urbano que é a cultura massificada." Domingo, Dezembro 29, 2002
Atenção
Escrevi uma narrativa, mas não creio que o internauta deva ler. É um tanto grande... e não tem lá muito sentido. Se for mesmo ler, peço que não a leve a sério, é um laboratório. Pense que ela somente está aqui porque eu a escrevi e posso colocar nesse blog o que eu quiser. Camila Já nem se lembravam do motivo da briga. Camila amuara-se num canto, deixara de gritar, retrucava sem muita fé. Brigas tão longas e em tal nível a castigavam demais. Destruíam-na por dentro. Ele não queria saber de parar: - Agora você vai ouvir! Vai ouvir muito mais do que imagina! Você pensa que é perfeita? Pensa que todo mundo te adora, pensa que é muito linda, gostosa, irresistível? Você lembra de Campos do Jordão, há uns cinco meses? A gente entrou no quarto e você estava com um bafo muito fedido, nojento. Estava meio bêbada, suada, um monte de gotas de suor perto da sua boca, uma pizza embaixo de cada braço. Quis trepar e eu trepei, sua buceta estava fedendo, cheia de gosma branca, foi muito nojento chupar. Eu senti muito nojo de você! Fora isso, várias vezes no cursinho você chegava com um bafo porco. Aí, comia aquele pão de queijo e ficava mais asquerosa ainda. A esta altura, Camila se esforçava para segurar as lágrimas. Procurava e não encontrava razão para aquelas palavras, que lhe dilaceravam. Como as palavras possuíam esse poder de lhe causar tanta dor? E por que ele estava fazendo aquilo? E como ele conseguia fazer aquilo? Sem muito tempo para pensar, ele continuava: - Você consegue ser muito chata também. Sua voz é irritante, você fala gritando. Quando começa a falar, não pára nunca. Fica contando histórias e mais histórias que não interessam a ninguém a não ser a você mesma. No aniversário da sua irmã, por exemplo. Na boa, por acaso você acha que alguém está interessado em saber como foi que você treinou o seu cachorro a fingir de morto? Você ficou horas falando do seu cachorro! Ninguém agüentava mais, estava todo mundo de saco cheio da sua falação. Deviam estar todos pensando, “nossa, que menina chata”. Você é muito, muito chata! Camila chorava com soluços comedidos. Gostava dele, ou gostara até aquele momento, e agora ele a torturava com sadismo. Então era tão chata, tão repugnante? Ela só queria chorar e que ele parasse. - Você é muito burra! Vai mal em umas provinhas ridículas, sempre pergunta umas asneiras para os professores na aula, fala uma besteira atrás da outra! Às vezes você me faz umas perguntas que eu penso, “burra, burra, burra! Como alguém pode ser tão burro?” Você não entende coisas que todo mundo sabe, é tosca, tem uma visão de mundo nota dois, curta, estreita, é burra! Não sabia de ninguém que já ouvira tantas agressões de um namorado, nem mesmo ela. Ele era grosso, mas isso? Nunca tinha visto. Tinha 17 anos e estava desesperada, a vontade era de sumir, sem palavras para descrever aquela sensação, aquele sofrimento por que passava. Não haveria maior no mundo. Em meio ao choro, implorava para que ele parasse, ininteligível, pelo amor de Deus, já chega! Xingou-a ainda de puta, preguiçosa e descontrolada. Disse-lhe que suas amigas não eram amigas de fato. Falavam mal dela pelas costas, a traíam nas menores e nas maiores questões e davam em cima dele. Disse-lhe que suas amizades eram mentiras, que sua vida era uma grande mentira. Parou de falar e foi embora. É claro que o namoro havia acabado, e que importância tinha isso, depois de tudo? Sentia-se triturada. Não tinha certeza se ainda era realista falar em Camila. Sábado, Dezembro 28, 2002
Segue a foto da Ilha do Mel (PR). Você, internauta exigente, pode achar que a ilha não chega a ser uma pérola do Atlântico Sul, a julgar apenas por essa imagem. Note, contudo, que a foto capta uma área em que a ilha se afina a tal ponto que só não se divide em duas graças a uma estreita faixa de areia. Repare no canto superior esquerdo, ali é o mar de dentro. E a praia que ocupa praticamente toda a foto é a do mar de fora. Acreditem, é uma beleza!
ressaca = 1 - Indisposição de quem bebeu, depois de passar a bebedeira. 2 - Enfado, cansaço provocado por noite passada em claro.
Sexta-feira, Dezembro 27, 2002
De volta!
"A Ilha do Mel é uma beleza. Mas é também uma reserva ecológica. Você, como cidadão, tem algumas responsabilidades." Estes dizeres estão espalhados em placas e cartazes por toda a ilha. E é uma beleza mesmo. Muito bem preservada, com praias de águas quentes e esverdeadas, a Ilha do Mel é um ótimo lugar para quem procura relaxar e entrar em contato profundo com a natureza. Vou colocar uma foto desse lugar paradisíaco aqui mais tarde. Mas agora, para mostrar que estou de volta ao trabalho e aos assuntos de maior vulto do que minhas viagens de veraneio, vou colocar uma foto de um grande homem. Admiro muito esse cara e torço para que ele consiga vencer as adversidades e continuar lutando para melhorar a vida de seu povo. Sexta-feira, Dezembro 20, 2002
Recesso
Definitivamente não foi um bom período do ano que escolhi para iniciar este blog. Natal, Ano Novo, as pessoas costumam viajar nestas datas, inclusive eu. Hoje, às 23h, deixarei para trás a urbe insandecida, em um ônibus rumo a Ilha do Mel (PR). Volto no dia 24/12, e, junto comigo, voltam os posts, em clima de Natal e maresia. Até mais, companheiros da rede!
Este blog começa a me causar problemas. Sempre que convido um colega a visitar o Diário Ruminante (em negrito fica parecendo coisa importante) ouço a invariável resposta: "Blog é coisa de viado".
Diga-me, internauta experiente e calejado, tal afirmação procede? Por motivos óbvios, creio que não. Quinta-feira, Dezembro 19, 2002
Ando trabalhando de madrugada. Na noite passada, voltava para casa e parei num posto de gasolina. Um frentista solitário fazia o plantão. Quando cheguei, ele falava com um motoqueiro, e esperei alguns segundos até que o papo terminasse e ele viesse me atender. Pedi 20 reais de álcool e paguei com uma nota de 50.
O sujeito tomou a cédula, alisou-a, checou seus detalhes, agradeceu e me passou o troco. Perguntei, "vocês recebem muitas notas falsas?". Não costumo perder oportunidades de fazer perguntas desse tipo. É sempre uma maneira de aprender algo que não se sabe e ao fim do mês você já está menos burro do que no começo. Parece-me também que agrada as pessoas, o que significa que, a um só tempo, você está se enriquecendo e praticando o bem. Só que eram 3h da manhã e eu esperava uma resposta prática e pontual. O rapaz começou a me explicar que geralmente quem passa nota falsa sabe que está passando. Um bom exemplo fora aquele casal de sapatonas que um dia parou e pediu 50 reais em gasolina. Ao que parecia, uma das mulheres, a do banco do passageiro, fingia-se bêbada. A outra comentava que cachaça é foda. E então eu já começava a acelerar o carro, com um sorriso amarelo, ensaiando a frase "é foda.. bom, até mais então...". Elas deram a nota e saíram correndo, a rua estava vazia. Mas daí o negócio é entregar o cheque na delegacia e fazer o BO. Ele que não iria passar a nota para frente, para que se envolver? Anotou a placa e foi fazer o BO. Se não fizesse o BO, o patrão tiraria a grana do salário dele. Nesse ponto eu já andava com o carro, próximo ao meio fio, e o frentista acompanhava. Dá para sentir na hora quando a nota é falsa. Pode ser nota velha, nota, rasgada, molhada, o que for. Sabe como é, trabalhando sempre com dinheiro, vôce pega o conhecimento, distingue uma nota falsa de uma verdadeira rapidinho, é só apalpar um pouco. A nota falsa parece que é outro papel, meio assim, você sente no dedo. Fui dormir pensando como as pessoas gostam de falar, de transmitir a outros o que sabem, narrar suas aventuras, enumerar seus conhecimentos. E como são carentes de quem as ouça! Julguei-as tolas, mas não por muito tempo, pois percebi que já ia para a casa pensando que escreveria essa história no meu blog no dia seguinte.
Vou deixar aqui um pedaço de poema. Um doce pra quem adivinhar quem é o grande autor:
Segue o teu destino, Rega as tuas plantas, Ama as tuas rosas. O resto é a sombra De árvores alheias. A realidade Sempre é mais ou menos Do que nós queremos. Só nós somos sempre Iguais a nós-próprios. Suave é viver só. Grande e nobre é sempre Viver simplesmente. Deixa a dor nas aras Como ex-voto aos deuses. Vê de longe a vida. Nunca a interrogues. Ela nada pode Dizer-te. A resposta Está além dos deuses. Quarta-feira, Dezembro 18, 2002
Gosto de escrever narrativas e similares. Se me falta talento, sobra inspiração, que me move ao teclado, indiferente ao ridículo.
Começo com essa, curta e sem muita graça, inspirada num email que está rodando por aí. Marcelo Entrou no elevador no décimo quinto andar. Do décimo sétimo, descia uma mulher, por volta de 40 anos, 95 quilos, se magra. Cutucou o ombro esquerdo da gordona, cruzando-lhe todo o corpo pelas costas, com o braço. - O que foi? - O que foi o quê? - Você me chamou, bateu no meu ombro. - Eu? Eu não. - Só estamos nós dois aqui. O elevador chegou ao térreo, destino da gorda. Marcelo iria até o subsolo. Ela, atônita, abre a porta resmungando. E Marcelo: - Dá licença, viu....
Como sou ninguém, mas ainda assim espero que você, internauta desocupado, volte aqui mais vezes, anuncio que este blog publicará algumas palavras de grandes homens, "homens-alguém". Começo com René Descartes, e sua receitinha para viver bem. Deveria ser vendida em pocket-book nas livrarias esotéricas ou, quem sabe, figurar em algum livrinho de "minutos de sabedoria", para o consumo de Kléber. Ao Kléber, aqui, causou boa impressão e rendeu alguma reflexão. Ah, não mais tomarei seu tempo, às frases do filósofo:
"Estabeleci então três máximas: a primeira — conduzir-me segundo as opiniões mais afastadas do exagero e dos extremos. Em especial, incluía entre os extremos todas as diminuições por menores que sejam da liberdade; a segunda — consistia em ser o mais firme e resoluto nas minhas ações, imitando os viajantes que perdidos numa floresta caminham decididamente para um determinado rumo ao invés de vagar tontamente; a terceira — vencer a mim próprio antes de vencer a fortuna, modificando meus desejos e paixões antes de modificar o mundo". Terça-feira, Dezembro 17, 2002
Um amigo meu me disse que acha que todas as pessoas que fazem blog se levam a sério demais. Porque tenho esse amigo em grande conta, tomei seu comentário como aviso e, prudentemente, adianto: eu não me levo a sério.
Primeiro post deste blog. Não vou tentar defini-lo (o blog) porque não conheço seu destino.
De concreto, posso dizer que ele, vez ou outra, falará de literatura, de livros, como sugere a foto aí do lado. Uma bela foto, que combina com as cores do blog, não acham? |